quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Dúvida


Eu corro atrás da memória 

De certas coisas passadas 
Como de um conto de fadas, 
De uma velha, velha história... 

Tão longe do que hoje sou 
Que nem sei se quem recorda 
Foi aquele que as passou, 
Ou se apenas as sonhou 
E agora, súbito, acorda. 

Francisco Bugalho

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Lua Em Agosto

Sexta-feira, 4 de Agosto de 2017
22:47

Notícias Soltas (act.)

*PS. Militantes queixam-se à polícia de falsificação de assinaturas

*Consumidores preferem qualidade em vez de promoções

*Governo quer apresentar Orçamento a 13 de outubro

A Perversidade Humana Não Tem Fronteiras Nem Prazos, Mas a Bondade Também Não

  
Fernando Álvarez fez sozinho o seu minuto de silêncio na prancha, antes de se atirar para a água, e perdeu aquela competição desportiva, mas humanamente ganhou em toda a linha. Ele e nós. Ganhamos com o seu exemplo em coragem para fazermos a diferença, em liberdade interior para agirmos em contra-corrente, em segurança para não desistirmos, em confiança para não nos deixarmos abater, em discernimento para não trocarmos as prioridades, e em atenção para nunca nos fazermos indiferentes.

Harry Athwal, o cidadão britânico que permaneceu ajoelhado no chão ao lado do rapazinho australiano em agonia, foi outro que deu um testemunho admirável de coragem e humanidade. Julian Cadman, o rapazinho em estertor acabaria por morrer, mas não morreu sozinho porque Harry Athwal se recusou a deixá-lo.

Todos os dias há más notícias e é impossível viver sem nos interrogarmos. Muitas dúvidas e inquietações ficam sem resposta e a angústia cresce, daninha, de dia para dia. O sentimento de vulnerabilidade aumenta exponencialmente e a sensação de impotência perante certos acontecimentos também se agrava
Mesmo sem sabermos exactamente como orientar as novas gerações, é importante ter muito presente que a influência imediata do comportamento é sempre mais eficaz do que as palavras, como escreveu Viktor E. Frankl, no seu livro O Homem em Busca de um Sentido. O exemplo certo é sempre mais eficaz do que as palavras alguma vez podem ser, mas não nos podemos esquecer que o mesmo acontece com o exemplo errado. O bem e o mal são igualmente contagiantes, ainda que o bem seja incrivelmente mais luminoso. A perversidade humana não tem fronteiras nem prazos, mas a bondade também não.
Fonte: Laurinda Alves,OBSR 

Reticências ...

"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho. "  (Mário Quintana)

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Notícias Soltas

*Autor do ataque de Barcelona abatido 

*Erro obrigou ao isolamento da área internacional do aeroporto de Lisboa

*Imã e cérebro do atentado de Barcelona terá morrido numa explosão na véspera

*Como ver o eclipse do sol desta segunda-feira (e o que vamos ver)

*Marinha dos EUA ordena investigação à Frota do Pacífico após colisões

*Escola investigada por passar alunos com negativa

*Homem de origem portuguesa abatido a tiro pela polícia francesa

*Défice externo quase duplica no primeiro semestre


Esta É A Frase

"Basta, senhor Presidente da República. Basta, senhor primeiro-ministro e restantes membros do Governo. Basta, senhores deputados, oficiais e praças das Forças Armadas e policiais, juízes e outros responsáveis pela Justiça, autarcas de Portugal inteiro, bispos e padres e responsáveis de outras religiões, todos os cidadãos deste País. Basta, de vez, com tantos fogos a queimar a nossa Nação".


Bispo Anacleto Oliveira, CM  

E, D. Anacleto Oliveira diz mais:"É urgente a mobilização de todas as pessoas, sem exceção, e a começar pelos seus maiores responsáveis: O senhor Presidente da República que, além da posição única que ocupa, tem um jeito peculiar e um prestígio suficientemente reconhecido, até para liderar a mobilização de toda a Nação nesta causa nacional. Faça-o, senhor Presidente. Por favor." O apelo, perante milhares de pessoas após a missa em honra de Nossa Senhora da Agonia, foi feito ontem pelo bispo de Viana do Castelo. D. Anacleto Oliveira disse que esta é uma "causa nacional" que deve envolver "todos os governantes, nacionais e locais, com os meios que só eles podem administrar". "Usem-nos bem, como servidores, não de si próprios, mas do País. Por favor", desafiou. "Nada há de mais poderoso e eficaz que um povo inteiro unido pela mesma causa", frisou, defendendo que "chegou a hora do País gritar bem alto: basta de fogos florestais".(continuar a ler)

Que Tempo É O Nosso ?

Que tempo é o nosso? Há quem diga que é um tempo a que falta amor. 

Convenhamos que é, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido em mercadoria. 

A obsessão do lucro foi transformando o homem num objecto com preço marcado. Estrangeiro a si próprio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem à tona é o mais abominável dos simulacros. 

Toda a arte moderna nos dá conta dessa catástrofe: o desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa denúncia; a sua dignidade, em não pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar máscaras e máscaras. 
E poderia ser de outro modo? Num tempo em que todo o pensamento dogmático é mais do que suspeito, em que todas as morais se esbarrondam por alheias à «sabedoria» do corpo, em que o privilégio de uns poucos é utilizado implacavelmente para transformar o indivíduo em «cadáver adiado que procria», como poderia a arte deixar de reflectir uma tal situação, se cada palavra, cada ritmo, cada cor, onde espírito e sangue ardem no mesmo fogo, estão arraigados no próprio cerne da vida? 
Desamparado até à medula, afogado nas águas difíceis da sua contradição, morrendo à míngua de autenticidade - eis o homem! 

Eis a triste, mutilada face humana, mais nostálgica de qualquer doutrina teológica que preocupada com uma problemática moral, que não sabe como fundar e instituir, pois nenhuma fará autoridade se não tiver em conta a totalidade do ser; nenhuma, em que espírito e vida sejam concebidos como irreconciliáveis; nenhuma, enquanto reduzir o homem a um fragmento do homem.  

Eugénio de Andrade

domingo, 20 de agosto de 2017

Notícias Soltas

São Tempos De Falhanço Do Estado

O Estado português é gordo, mas é fraco. É pesado, mas não é firme. É um Estado fraco que torna vulnerável o seu povo. Entre incêndios, assaltos e acidentes, o Estado falhou. Nas previsões e na prevenção. Na prontidão do socorro e na rapidez da ajuda. Na humildade com que se devem tratar as vítimas, na coragem com que se reconhecem culpas, na seriedade com que se estudam as causas, no rigor com que se apuram as responsabilidades, na eficiência com que se distribuem auxílios e na honestidade com que se deveriam repartir ajudas solidárias.

São tempos de falhanço do Estado. Do Estado central e local. Do Estado-político e administrativo. Do Estado civil e militar. Pelas vítimas, os acidentes de Pedrógão foram os mais dolorosos, mas não pela extensão e pela intensidade. Os fogos insistem. A prevenção continua a falhar. As comunicações permanecem erráticas e em regime de avaria. A coordenação é deficiente, foi-o desde o primeiro dia, melhorou aqui e ali por força das circunstâncias, está longe, muito longe, de ser satisfatória. Ou sequer de dar um pouco de segurança.

António Barreto, 'O Estado frágil' DN

Às Vezes Medito

Às vezes medito,
Às vezes medito, e medito mais fundo, e ainda mais fundo
E todo o mistério das coisas aparece-me como um óleo à superfície,
E todo o universo é um mar de caras de olhos fechados para mim.
Cada coisa — um candeeiro de esquina, uma pedra, uma árvore,
E um olhar que me fita de um abismo incompreensível,
E desfilam no meu coração os deuses todos, e as ideias dos deuses.
Ah, haver coisas!
Ah, haver seres!
Ah, haver maneira de haver seres
De haver haver,
De haver como haver haver,
De haver...
Ah, o existir o fenómeno abstracto — existir,
Haver consciência e realidade,
O que quer que isto seja...
Como posso eu exprimir o horror que tudo isto me causa?
Como posso eu dizer como é isto para se sentir?
Qual é alma de haver ser?
Ah, o pavoroso mistério de existir a mais pequena coisa
Porque é o pavoroso mistério de haver qualquer coisa
Porque é o pavoroso mistério de haver...
29-4-1928
Álvaro de Campos

sábado, 19 de agosto de 2017

Notícias Soltas (act.)

*Voluntário recusado pelos bombeiros ajuda a salvar do fogo casas em Mação

Assim Acontece ...

O combate ao terrorismo está a falhar na Europa. As políticas de segurança não estão a ser  eficazes. Tem sido tragicamente fácil para os terroristas transformar as grandes artérias das nossas cidades em autênticos campos de morte. É urgente reforçar a segurança sem diminuir o privilégio de desfrutar do espaço público. Também os serviços de inteligência estão a falhar. O aviso para um possível atentado em Agosto, na cidade de Barcelona, de nada serviu. Finalmente, a ordem jurídica europeia tem-se revelado demasiado permissiva perante os indícios de terrorismo, e perante o terrorismo ele próprio. Infelizmente, nada indica que isto vá mudar.

Carlos Rodrigues, CM

Dor

Quando as dores são iguais, sentem-se todas; quando uma é maior, suspende as outras.
P. António Vieira 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Notícias Soltas

Investigadores Portugueses Descobrem Células Que Sinalizam Doenças Autoimunes

Equipa do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa, liderada por Luís Graça, descobriu que as células T reguladoras foliculares são um marcador de respostas imunitárias.

Investigadores do Instituto de Medicina Molecular (IMM) de Lisboa descobriram um novo tipo de células reguladoras do sangue humano, as células T reguladoras foliculares, que funcionam como indicadores de doenças autoimunes.
As células, segundo a investigação, são formadas sempre que existe produção de anticorpos. Aumentam transitoriamente após uma vacina mas estão sempre em grande quantidade em pessoas com síndrome de Sjögren, uma doença crónica inflamatória autoimune.
Doenças autoimunes são aquelas em que o sistema imunitário em vez de proteger o corpo humano de agressões exteriores, produz anticorpos para atacar e destruir órgãos e estruturas que fazem naturalmente parte do organismo.
A equipa de investigadores, liderada por Luís Graça, descobriu que as células T reguladoras foliculares são um marcador de respostas imunitárias mas não são um indicador direto da capacidade de produção de anticorpos, como se explica nos resultados da investigação hoje publicados na revista Science Immunology.
Em declarações à Lusa, Luís Graça explicou que o trabalho permitiu identificar uma diferença entre as células T reguladoras foliculares que estão no sangue e as que estão em determinados tecidos, no sangue são imaturas e não cumprem a função de regulação e nos tecidos estão completamente formadas.

No sangue de uma pessoa com uma doença autoimune pode haver excesso de células imaturas, que indicam a existência da doença mas que não regulam a produção de anticorpos. Luís Graça ainda não tem uma explicação para tal, para a existência de tantas células ou para o facto de serem imaturas. “Será que nos tecidos não conseguem maturar?”, questiona.
Luís Graça explicou que com a colaboração do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e de centros de saúde, foi possível comparar o que se passava no sangue mas ao mesmo tempo em tecidos, como nas amígdalas de crianças operadas no hospital.
E foi então que verificaram, contou à Lusa, a diferença entre as células imaturas no sangue e as completamente formadas nos tecidos (amígdalas, gânglios linfáticos, glândula timo e sangue do cordão umbilical). E perceberam que uma pessoa com muitas células T reguladoras não consegue necessariamente impedir a produção de anticorpos anómalos, porque só as células dos tecidos é que o conseguem fazer.
“O grupo está agora a investigar o que acontece a estas células em outras doenças autoimunes com o intuito de avaliar o seu potencial não só para diagnóstico, mas também para identificar quais os doentes que podem beneficiar de medicamentos que interferem com a produção de anticorpos prejudiciais”, diz-se num documento do IMM, um dos principais institutos de investigação em Portugal.
Luís Graça diz que há sempre na imprensa a valorização do desenvolvimento de novas terapias mas contrapõe que a investigação, como aquela em que está envolvido, pode ser mais centrada no desenvolvimento de formas de diagnóstico.
Hoje há medicamentos muito eficazes para doenças mas que não funcionam num terço dos doentes, diz o investigador.

Fonte: tvi 24

Para Uma Governação Que Navega À Vista, Conviria Que Os Pontos De Amarração Tivessem Algum Sentido De Futuro

... Sustentabilidade E Sentido Da Realidade.

Uma das grandes questões no horizonte é a de saber se as margens geradas pela governação servirão para corresponder aos desafios estratégicos do país ou para as clientelas políticas dos partidos que sustentam a solução de governo. Cada vez que há uma comunicação política com boas novas, após várias ausências e silêncios nas fases de tristeza, alguns esfregam as mãos, não pelo país, mas pelo eventual acréscimo de capital negocial e de objeto de negociação. É poucochinho, mas é assim.
A não haver solidez nos pontos da amarração das boas notícias, a não haver juizinho, a tendência para o disparate é grande. Um disparate materializado na divergência entre a narrativa e a realidade, entre o anúncio e o que está no terreno. Sempre a contar com a falta de escrutínio, a falta de avaliação e a falta de memória. 
Nas alegrias e nas tristezas, vai sendo tempo de cuidar dos pontos de amarração, sob pena de voltarmos a ter o barco à deriva ou por rotas que ninguém deseja. (ler artigo completo)

'Eternamente' ...


Comigo caminham todos os mortos que amei,

todos os amigos que se afastaram,

todos os dias felizes que se apagaram.

 Não perdi nada, apenas a ilusão

de que  tudo podia ser meu para sempre.

Miguel de Sousa Tavares 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Notícias Soltas



*Um morto e 20 feridos em atropelamento no centro de Barcelona


*Banco Central Europeu preocupado com subida do euro


Notável !

António Costa respira e transpira política tacticista por todos os poros e, como Marcelo, sabe estar na posição certa no momento certo e com o discurso apropriado para cada circunstância, seja dramática ou festiva. Ali não há acasos nem amadorismos. Há inteligência, tacticismo e intuição pura e dura. 

Há ainda uma máquina que hipervaloriza o positivo e varre o lixo para debaixo do tapete, aproveitado a anestesia mediática que ocorre na comunicação social, seja televisiva, radiofónica, impressa ou online. 

Nunca o maniqueísmo esteve tão presente. Só há branco e preto. 

Não havendo oposição partidária (como ainda agora se viu no Pontal), quem critica minimamente a geringonça é praticamente apelidado de fascista. Já quem apoia a solução de governo ou a justifica sempre é acarinhado ou mesmo endeusado. Por sua vez, quem concorda ou discorda consoante os casos e a sua consciência é marginalizado. 

Daí que se verifiquem oscilações internas jamais vistas, nomeadamente no PS, onde se votou numa ocasião o apoio unânime à candidatura de Rui Moreira ao Porto e mais tarde a sua rejeição com a mesma unanimidade. Notável!

(excerto do artigo de Eduardo Oliveira e Silva, 'António Costa, o mestre de culinária', Ji )

Na Luta Contra A Realidade ...

"Na luta contra a realidade, o homem tem apenas uma arma: a imaginação." 

Theophile Gautier 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Notícias Soltas

As Pessoas Entram Docilmente No Espírito De Rebanho

Parte do crescimento atual tem origem no turismo, um setor caracterizado por grande elasticidade da procura. Claro que a promoção digital realizada pelos organismos do turismo tem consequências positivas, mas se o receptor não estiver aberto a receber a mensagem de pouco servirá o investimento. Por sorte, Portugal beneficia de um momento de “good will” sem igual na história do turismo nacional. Os fatores positivos podem mudar a qualquer momento. Veja-se o colapso repentino de vários mercados turísticos tidos como estáveis e tradicionais.
Por todas estas razões devo confessar que temo que só pode ser pelo chamado “social default“, também chamado depreciativamente “espírito de rebanho”, que muitos portugueses estão a endividar-se com créditos à habitação com o objetivo de arrendar as casas hipotecadas ao banco no mercado do alojamento local. Não só poderá haver já excesso de oferta (haverá?), como qualquer inesperada externalidade negativa pode levar esses projetos à ruína.
Os estudos “Social Defaults: Observed Choices Become Choice Defaults” (2014) no Journal of Consumer Research, concluíram que quando as pessoas não têm uma opinião forte sobre as escolhas que se lhes deparam, simplesmente imitam as pessoas à sua volta. Em vez de despenderem tempo a fazer perguntas, ou a aprender sobre produtos, as pessoas socorrem-se do “social default”, entram docilmente no rebanho. Participantes naqueles estudos escolheram produtos de qualidade inferior apenas porque os outros os tinham escolhido.

Nuno Cintra Torres, JN 

Tentativa ...

"A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido. Não na vitória propriamente dita." 

Mahatma Gandhi  

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Notícias Soltas

*Oficial: queda de árvore na Madeira fez 12 mortos e 50 feridos

*Incêndio no Fundão corta A23

*Portugal continua a arder: 78 incêndios ativos, 11 dos quais descontrolados


É Neste Cenário Que O Ministro Sobe À Montanha Para Proclamar Uma "revolução"

Em Portugal, confundimos “floresta” com um matagal que cobriu serras e vales à medida que os campos eram abandonados e o Estado multiplicava leis inconsequentes. Basta circular pelo país para ver. Há pinhais e mato colados às estradas principais e agarrados às povoações. Segundo a lei, não devia ser assim. Acontece que ninguém cumpre a lei, a começar pelos próprios serviços públicos e seus concessionários, que nem as bermas das estradas limpam. 

É neste cenário que o ministro sobe à montanha para proclamar mais uma “revolução”. A maior “revolução” desde os tempos de el-rei D. Dinis, segundo o ministro Capoulas Santos. Em que consiste? Adivinharam: em papel. Mais legislação, mais páginas do Diário da República

A questão principal, neste momento, é de segurança. Antes de mais, os portugueses precisam de saber que podem circular nas estradas e dormir nas suas casas sem acabarem num braseiro qualquer. O que nos convinha a todos é que as regras de segurança fossem cumpridas e os serviços funcionassem eficientemente. Para tanto, o primeiro passo seria responsabilizar os responsáveis, que é o que, desde o colapso do Estado em Pedrógão Grande, as autoridades têm evitado. Mas sem isso, tudo será apenas mais uma mistificação.

(excertos do artigo de Rui Ramos 'Não precisamos de um pseudo D. Dinis'OBSR

Dizer Não

  NÃO à liberdade que te oferecem, se ela é só a liberdade dos que ta querem oferecer. Porque a liberdade que é tua não passa pelo decreto arbitrário dos outros. 

Diz NÃO à ordem das ruas, se ela é só a ordem do terror. Porque ela tem de nascer de ti, da paz da tua consciência, e não há ordem mais perfeita do que a ordem dos cemitérios. 

Diz NÃO à cultura com que queiram promover-te, se a cultura for apenas um prolongamento da polícia. Porque a cultura não tem que ver com a ordem policial mas com a inteira liberdade de ti, não é um modo de se descer mas de se subir, não é um luxo de «elitismo», mas um modo de seres humano em toda a tua plenitude. 

Diz NÃO até ao pão com que pretendem alimentar-te, se tiveres de pagá-lo com a renúncia de ti mesmo. Porque não há uma só forma de to negarem negando-to, mas infligindo-te como preço a tua humilhação. 

Diz NÃO à justiça com que queiram redimir-te, se ela é apenas um modo de se redimir o redentor. Porque ela não passa nunca por um código, antes de passar pela certeza do que tu sabes ser justo. 

Diz NÃO à verdade que te pregam, se ela é a mentira com que te ilude o pregador. Porque a verdade tem a face do Sol e não há noite nenhuma que prevaleça enfim contra ela. 

Diz NÃO à unidade que te impõem, se ela é apenas essa imposição. Porque a unidade é apenas a necessidade irreprimível de nos reconhecermos irmãos. 

Diz NÃO a todo o partido que te queiram pregar, se ele é apenas a promoção de uma ordem de rebanho. Porque sermos todos irmãos não é ordenanmo-nos em gado sob o comando de um pastor. 

Diz NÃO ao ódio e à violência com que te queiram legitimar uma luta fratricida. Porque a justiça há-de nascer de uma consciência iluminada para a verdade e o amor, e o que se semeia no ódio é ódio até ao fim e só dá frutos de sangue. 

Diz NÃO mesmo à igualdade, se ela é apenas um modo de te nivelarem pelo mais baixo e não pelo mais alto que existe também em ti. Porque ser igual na miséria e em toda a espécie de degradação não é ser promovido a homem mas despromovido a animal. 

E é do NÃO ao que te limita e degrada que tu hás-de construir o SIM da tua dignidade. 


Vergílio Ferreira