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terça-feira, 9 de junho de 2026

Esta É A Frase (107)

 A redução da desigualdade salarial é uma boa notícia, mas tornar Portugal num país onde uma parte crescente dos trabalhadores se concentra numa faixa salarial cada vez mais estreita já não é.      (António Costa, ECO)

De acordo com os dados do Banco de Portugal, o salário mínimo já vale 91% da mediana dos salários, o que significa uma compressão salarial que deveria suscitar um debate urgente (mas como se vê, até do anterior governador, Mário Centeno, está tudo bem e não há problemas no mercado de trabalho em Portugal).

Uma economia onde o salário mínimo se aproxima cada vez mais do salário mediano não sofre apenas de baixos salários, sofre de escassos incentivos à progressão, de falta de diferenciação salarial e de uma dificuldade persistente em transformar qualificações e produtividade em remuneração.

Esta é também uma questão de mobilidade social. Durante décadas, Portugal transmitiu aos mais jovens uma promessa simples. Estudar mais, adquirir competências e construir uma carreira permitiriam alcançar melhores condições de vida. Quando o prémio salarial associado a esse percurso diminui, não é apenas a produtividade que fica em causa, é a credibilidade dessa promessa.

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