domingo, 7 de janeiro de 2018

Estou Lúcido Como Se Nunca Tivesse Pensado

A noite desce, o calor soçobra um pouco, 
Estou lúcido como se nunca tivesse pensado 
E tivesse raiz, ligação direta com a terra 
Não esta espécie de ligação de sentido secundário observado à noite. 
À noite quando me separo das cousas, 
E m'aproximo das estrelas ou constelações distantes — 
Erro: porque o distante não é o próximo, 
E aproximá-lo é enganar-me. 

Alberto Caeiro

sábado, 6 de janeiro de 2018

Notícias Soltas

Esta É A Frase

Acho, (...) inconcebível que um futuro líder do PSD opte por fragilizar o Ministério Público no preciso momento em que ele demonstra a independência e a coragem que lhe faltou durante décadas. Rio é com certeza mais competente do que Santana. Não estou ainda certo que seja menos perigoso.

João Miguel Tavares, Público 

A Proposta Mais Estúpida Do Mundo

A proposta apresentada por deputados socialistas, a propósito do alojamento local, é um exemplo vivo de que o disparate não conhece limites.
Fazer depender esta atividade da aprovação da Assembleia de Condomínio representa o maior grito de insensatez de que tenho memória. Não conheço os deputados autores do projeto, mas, pela enormidade do que apresentam neste documento, parecem não ter qualquer ligação ao tempo atual, nem à realidade do século XXI. Confesso que a primeira pergunta que me assolou foi: de onde veio esta gente?
Colocam em risco uma atividade que alavanca toda a economia, passará a ser refém das invejas e das intrigas da má vizinhança.
Atualmente, o alojamento local gera, para a economia de Lisboa, qualquer coisa como seis mil milhões de euros, seis vezes mais do que a Autoeuropa. Foi o setor que mais contribuiu para a criação de emprego.
São milhares de pessoas que estão em causa. São os pequenos empreendedores que criaram o seu próprio emprego, desde os Tuk-Tuk às centenas de restaurantes, passando pelas empresas de limpeza, pelos técnicos de manutenção, eletricistas, canalizadores, carpinteiros, decoradores, engomadoras, guias turísticos, etc…
Estamos a falar de pessoas que entraram na vida ativa porque o turismo gerado pelo alojamento local criou uma “nova economia”. Uma economia que os acolheu, depois de terem sido excluídos pelos modelos ortodoxos, pela economia estatizante dos sindicatos que, para garantir cada vez mais direitos a quem já tem emprego, deixou de fora os jovens e as pessoas de meia idade.(ler artigo completo)

Obstáculo Ao Contentamento - A Falência Em Moderar A Ambição

Um sério obstáculo ao contentamento é a nossa falência em moderar a ambição, como um navegante riza as suas velas, de acordo com a energia disponível. As nossas expectativas são exageradas, e quando não alcançamos o esperado, culpamos a fortuna e o destino, em vez de culpar a nossa própria insensatez. Não é a má sorte que impede alguém de flechar com arado ou caçar coelhos com boi; não é uma deidade maligna que nos obsta a que peguemos veados ou ursos com vara de pescar; tentar o impossível é estupidez e tolice. O culpado é o egotismo, que impele os homens a ansiarem pela primazia e pela vitória em todos os campos, e a nutrirem o irreprimível desejo de se apoderar de todas as coisas. Eles não apenas reivindicam o direito de serem, a um tempo, ricos, amigos de reis e governantes de uma cidade, como se sentem frustrados se não possuem cães de raça, cavalos de puro-sangue, codornizes e galos de escol. 

Plutarco 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Notícias Soltas

*Carlos Moedas: “Há riscos quanto à dívida” pública portuguesa

Sem Dinâmica

O PSD precisa realmente, é de reconquistar o país, voltando a demonstrar merecer a força que em tempos este já lhe deu, da óptica nacional, este debate torna-se estéril. Sobretudo, quando historicamente qualquer português sabe que o “target” eleitoral que fez do PSD o grande partido que é, nunca foi verdadeiramente nem o de direita nem o de esquerda, mas sim o de centro. 
Ora a ser assim, e é, aquilo que os candidatos à liderança do partido necessitam realmente de explicar ao país, é no que é que o projeto por si liderado se distingue com clareza das políticas executadas pelo actual executivo. E aí, uma vez mais, é notório que o país continua manifestamente pouco esclarecido. Admite-se neste ponto, que alguns possam defender que esse trabalho fica para mais tarde e a cargo exclusivo do líder eleito quando se candidatar a primeiro-ministro. Mas será assim? Ou deverá ser assim? Crê-se que não. Os portugueses estão ávidos de novos projectos, de novas linhas governativas. E a possível identificação com elas nasce no momento destas candidaturas, muito dificilmente depois.
 A verdadeira mudança que o PSD tanto apregoa representar não pode ser um mero exercício de “manicure”. Para ser credível tem que ser profundo!
Ora o PSD é, neste momento, o partido que maior obrigação tem de mudar esta realidade. Há uns anos, um dos lemas do partido era ser aquele que continha o que de melhor havia na sociedade civil. Hoje será? Onde anda esse lema? Linhas concretas, onde anda a sociedade civil em ambas as candidaturas que agora vão a votos? 
Certamente de novo alguns, e compreensivelmente poderão dizer: “Calma! Agora são as eleições internas e depois logo aparecem as equipas”. Novo erro. Já devia haver sangue novo presente, mesmo que por ventura cargos e lugares ainda não estivessem distribuídos. Pessoas novas, novas caras, não só carreiristas políticos mas cidadãos de reconhecido mérito que assim acrescentassem valor ao partido e que capitalizassem a atenção da sociedade. Renovação não é outra coisa senão isto! E isto não se está a verificar! Portanto, em segundo lugar, a renovação dos partidos tem de ser física e não apenas na base da “conversa fiada”. 
 A manifesta incapacidade do PSD em comunicar com o país. A manifesta incapacidade de explicar ao que vem, porque vem, o que quer, como quer, porque quer e para que quer. É que nos últimos anos ninguém neste país percebeu o comportamento do PSD, e é expectável que esta realidade assim se mantenha. 
Hoje, em Janeiro de 2018, o PSD continua como em Dezembro de 2017, um partido sem dinâmica. Falta chispa, falta garra, falta determinação, falta arrojo, falta vigor, falta alma, falta uma identidade própria que represente uma verdadeira mudança para futuro do país, país esse, que dela está sedento.
(excertos do artigo de Rodrigo A. Taxas, Ji)

Tem Dias Assim ...

Tem dias que o nosso amanhecer é mais difícil. Quando olhamos pela janela não conseguimos perceber o sol, mesmo que o seu brilho num céu diáfano seja o mesmo do dia anterior.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Notícias Soltas

Tem De Se Reconhecer, A Forma Notável Como O Ministro Das Finanças Serviu A Quadratura do Círculo

Passou relativamente despercebida a referência da comunicação social que, no fim deste ano que passou, dava nota de que o mesmo acabou com a despesa pública a subir, mas que o referido aumento não tinha relevante impacto nas contas do ano porque a receita pública, ao que parece, subira relevantemente mais.(...)
O que isto demonstra é que, em termos absolutos, a apregoada devolução de rendimentos – que necessariamente aumenta a despesa pública – foi profundamente austeritária na incidência sobre os impostos indirectos e retirou a todos, incluindo os próprios destinatários da devolução, muito mais do que se devolveu, tendência que se manterá como se nota pelo aumento do ISP.
Ou seja, permite pagar melhores salários aumentando a despesa porque, em paralelo, promove um aumento de receitas (leia-se impostos) maior ainda.
Assim, não só se cobre o aumento da despesa como ainda se reduz o défice (com o efeito das receitas que vão crescendo).
Para cimentar esta realidade aplicou-se uma política draconiana de cativações, cortou-se e restringiu-se os gastos com as dotações dos serviços, não se pagou a fornecedores e reduziu--se à quase insignificância o investimento público.
Este é, grosso modo, o nosso modelo do fim da austeridade!
Ou seja, vamos vivendo uma farsa em que os critérios que apontam a efectiva e real diminuição percentual da quantidade de dívida transitada sobre o valor do PIB não se traduzem, ao fim e ao cabo, numa diminuição efectiva da enorme fúria despesista do Estado que, afinal, cresce.
E bastará uma desaceleração do crescimento económico para os ganhos já em parte confiscados e gastos para acorrer ao incremento da despesa corrente com pessoal – enquanto o investimento público continua uma miragem – para que o efeito virtuoso se perca ou mesmo desapareça.
É verdade, e até certo ponto tem de reconhecer-se, que a forma como foi servida a quadratura do círculo pelo ministro das Finanças é, já tive oportunidade de referir, notável.
De realçar, porém, que neste início de um ano novo importará olhar com atenção os custos enormes que o país sofreu, mais ou menos catastróficos, e que podem associar-se ao acentuado desinvestimento do Estado no bom funcionamento dos seus serviços, e com a agravante do esforço de reconstrução que as catástrofes de 2017 impõem para este ano.
(excerto do artigo de Pedro Ferros, Ji) 

A Minha Felicidade


Depois de estar cansado de procurar 
Aprendi a encontrar. 
Depois de um vento me ter feito frente 
Navego com todos os ventos. 

Friedrich Nietzsche 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Notícias Soltas (act.)

Nicolau É Uma Boa Escolha Para A Lusa ...

Nicolau Santos é uma boa escolha para a Lusa. Sim, foi enganado por um burlão. Mas admitiu o erro. Fez melhor do que o Governo que o nomeou, onde muitos continuam a negar as vigarices de um burlão muito maior. Por falar em Sócrates, uma das suas várias aldrabices é a razão pela qual a Lusa não me preocupa: os jornalistas garantem independência. Em 2011, um assessor quis que a Lusa difundisse uma frase do então PM sobre Soares dos Santos. Só que a frase não tinha sido dita. (Mesmo calado, Sócrates mentia). Sofia Branco, a editora, recusou-se a noticiar. Não era uma general prussiana e acabou por perder o cargo. Com jornalistas destas, a Lusa fica bem.

José Diogo Quintela, CM

Esta É A Frase: Reiventar É Um Semi Disfarce, Cumprir É Sempre Uma Meta

Deve ter caído bem com tanta a gente a explicar como se “re-inventa”, eu achei-a um enfeite de Natal. Não é preciso reinventar, mas sim cumprir. Não é preciso reinventar o Estado, é preciso que ele cumpra bem as funções já há muito “inventadas” para ele. Não é preciso que o ministro da Defesa se reinvente é só necessário que — na impossibilidade de nos sair da frente — cumpra a sua tarefa e nos informe sobre ela. Não é preciso reinventar o Serviço Nacional de Saúde, bastaria só que ele funcionasse como no tempo de Paulo Macedo que tinha bem menos euros à disposição que o pobre dr. Adalberto (com “pannes” em todo o lado, a todas as horas e a todos os níveis de funcionamento, sem que isso pareça afligir o governante, o governo, os dos écrans ou a media que agora prefere o sono dos (in)justos).
Maria João Avillez, OBSR

Cultura

A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos.

António Lobo Antunes

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Notícias Soltas (act.)

*Trump diz que sanções à Coreia do Norte começam a dar resultado

O Actual Regime É Uma Mistura De Democracia Eleitoral E De Autocracia Partidária


Os partidos são a prova de que em Portugal quem tem o Estado, tem tudo: financiados com dinheiro público, não precisam da nossa militância, nem do nosso afecto nem sequer do nosso respeito.

Para perceber o que está verdadeiramente em causa na lei de financiamento dos partidos, é preciso recuar no tempo, até 1975 e à Assembleia Constituinte.- ora leia aqui.

O actual regime é uma mistura de democracia eleitoral e de autocracia partidária. Numa sociedade envelhecida, endividada e dependente do Estado, a alternativa aos partidos tem sido a abstenção: de 8,5% em 1975 para 44,1% em 2015. É muito fácil simular indignação nas redes sociais e exigir vetos ao presidente. É mais difícil saber se o regime em Portugal pode ser outra coisa.

Rui Ramos 

Eu Amo Tudo O Que Foi

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.


Fernando Pessoa