É evidente que o mundo de Trump não é o mundo de Hitler. Mas a diferença está nas radicais mudanças do último século nas tecnologias e nas sociedades, não no espírito ou na alma. Se considerarmos a cultura e a arte, se voltarmos o olhar para tudo o que nos diz a palavra “cultura”, torna-se visível uma comunidade de espíritos, que por certo abrangeria também Estaline a censurar Chostakovitch e a prender Mandelstam, e muitos outros ditadores e sátrapas a quererem reger as artes e as letras. (Luís Castro Mendes, DN)
O importante é que as evidentes diferenças entre o trumpismo e os regimes fascistas existem e devemos evitar que a nossa análise os confunda e misture, mas têm uma comunidade, eu diria, espiritual com todas as ditaduras e totalitarismos da História.
Fernando Pessoa só se zangou definitivamente com Salazar quando o nosso ditador se lembrou de enunciar aquilo que os artistas deviam dizer, e não apenas aquilo que não podiam dizer. As ditaduras têm em comum um gosto terrível e perigoso por todas as manifestações de arte e de cultura. Estaline, aliás, era um grande leitor. Mais do que Trump.
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