domingo, 14 de julho de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (160)

O sistema parlamentar está a ser usado indevidamente. Direi mesmo: está a ser usado abusivamente. Formam-se coligações espúrias, contranatura, não para construir mas para bloquear. A Europa está a entrar num buraco negro.
E isto reforça aquilo que venho a dizer há algum tempo: o sistema eleitoral tem de mudar. Em toda a Europa, incluindo Portugal. Há que passar de um sistema proporcional para um sistema maioritário.  (José António Saraiva, SOL)

A Nostalgia Da Europa


 Na Idade Média, a unidade europeia repousava na religião comum. Nos Tempos Modernos, ela cedeu o lugar à cultura (à criação cultural) que se tornou na realização dos valores supremos pelos quais os Europeus se reconhecem, se definem, se identificam. Ora, hoje, a cultura cede, por sua vez, o lugar.

Mas, a quê e a quem? Qual é o domínio onde se realizaram valores supremos susceptíveis de unir a Europa? As conquistas técnicas? O mercado? A política com o ideal de democracia, com o princípio da tolerância? Mas, essa tolerância, que já não protege nenhuma criação rica nem nenhum pensamento forte, não se tornará oca e inútil? Ou então, será que podemos entender a demissão da cultura como uma espécie de libertação à qual nos devemos abandonar com euforia? Não sei. A única coisa que julgo saber é que a cultura já cedeu o seu lugar. 

Assim, a imagem da identidade europeia afasta-se do passado. Europeu: aquele que tem a nostalgia da Europa.

(Milan Kundera, "A Arte do Romance")

sábado, 13 de julho de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

Quem Ler Hoje A Constituição Ficará Surpreendido Com As Incoerências ...

... Desajustamentos E Disposições Inaceitáveis Para Os Dias De Hoje.

A nossa Constituição, elaborada pela Assembleia Constituinte de 1975, foi concluída em Abril do ano seguinte. Com a sua ânsia programática, ainda incorpora muita da carga ideológica resultante das sequelas e pressões do período revolucionário, não obstante as sete revisões de que foi alvo, após 1982.

Qualquer jovem que queira dar-se ao trabalho de a ler com atenção ficará surpreendido com as incoerências, desajustamentos e disposições inaceitáveis para os dias de hoje, em que tropeçará e que, por certo, lhe suscitarão justificadas apreensões.

A Constituição da República Portuguesa, com o peso dos seus 296 artigos que penosamente carrega, agravado pela senescência das suas células, transformou-se numa velha precoce condicionada pelo tempo que justifica a reforma antecipada.

O terceiro lugar que Portugal ocupa no podium dos países do mundo com mais artigos na sua Constituição, apenas é ultrapassado pela Índia, campeã da Ásia, e pela Nigéria, campeã de África, respectivamente com 448 e 320.

Na União Europeia, o nosso País é o vencedor destacado com quase mais 100 artigos do que o segundo, a Bélgica (198), conseguindo uma diferença significativa de 204 artigos sobre França (92), insuspeita nesta matéria.    (excertos do texto de Gonçalo Figueiredo de Barros,OBSR)

Nota: Entre muitos exemplos podemos começar logo pelo seu Preâmbulo que suscitará legítimas dúvidas, ao referir textualmente ser decisão do povo português “abrir caminho para uma sociedade socialista”. Admitamos que esta afirmação de figuração despropositada num texto constitucional, passou a inverosímil, à luz dos resultados das últimas eleições legislativas.

A Frase (159)

Os 50 pela “reforma da justiça”. O grupo lançou-se em Maio, quando 50 senhoras e cavalheiros redigiram e assinaram um manifesto que considera a justiça “o sector público que mais problemas tem vindo a evidenciar”. Não é a saúde, nem sequer a educação. É a justiça. Para dizer a verdade, não é bem a justiça que aflige os subscritores daquilo: é a justiça aplicada à classe política, que ocasionalmente se vê incomodada a meio de uma trapaça qualquer.       ( António Gonçalves, OBSR)

Os 50, que incluem faróis de rectidão do calibre de um Rio Rio, um Augusto Santos Silva, um Ferro Rodrigues, um Proença de Carvalho, um Vítor Constâncio e duas irmãs Beleza, acham mal que os esforços para treparmos aos píncaros dos índices de corrupção no Ocidente estejam dependentes de juízes independentes. Mas não é esse o ponto. O ponto é que, dois meses e meio depois, os 50 continuam por aí, a pedir (e a conseguir) audiências nos guichés do poder, a despejar o catecismo nas televisões e, em suma, a manter uma camaradagem gira. (...) 

Pequeno Esclarecimento


Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos,
nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. 
O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio 
que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... 
Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.

(Mário Quintana)

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Notícias Ao Fim Da tarde


A Frase (158)

Investir na avaliação externa como ferramenta de monitorização do sistema educativo é, também, investir na aprendizagem. (Alexandre Homem Cristo, Público)

O que se ensina e o que se avalia são duas partes indissociáveis de uma aprendizagem de qualidade. Ou seja, investir na avaliação externa como ferramenta de monitorização do sistema educativo é, também, investir na aprendizagem. A melhoria dessa monitorização está ao serviço das escolas e da política pública, mas refletir-se-á igualmente em rankings mais informativos e mais úteis.

Nota: https://www.publico.pt/ranking-escolas/lugar-sua-escola

O Que Eu Poderia Ser


Por ora, o que sei
Sei desconhecendo.

Compreendo tudo
De não saber.

Dispensei
O que eu poderia ser
Pelo ser contingente
Em que agora estou...

E o futuro deste outro
Que não mais me tornarei
Trouxe-me de presente
Já no presente momento
Um perfeito discernimento

: O que jamais serei,
Já vingou

(Ge Muniz)

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (157)

Aqueles que se tornam importantes acabam sempre por destruir a sua importância por se sentirem importantes e insubstituíveis e sem nunca compreenderem a importância da sua saída.    (Bruno Bobone, OBSR )

 (...) Mas é sempre o que nos acontece, quando sentimos que alguém é importante sempre nos dobramos a ele. (...) 

 

Renascer

  
Perante acontecimentos avassaladores existem sempre duas possibilidades de reação. 
Uma é ficar nessa dor e num sofrimento profundo. A outra é requalificar, 
ressignificar e transcender para uma nova realidade que, certamente, 
estará mais perto do seu alinhamento e propósito. Renascer para um novo eu, 
aproveitando esse movimento de mudança, para relembrar a sua verdadeira essência 
estabelecendo a conexão com o divino que é. 
Essa criteriosa “reforma interior” vai empodera-lo para novos rumos e a ampliar horizontes.

Convém lembrar que nenhum processo de renascimento é linear e muito menos tranquilo. 
É preciso reaprender a encontrar “o centro”, “o eixo” de equilíbrio para lá voltar 
sempre que necessário (e serão necessárias muitas vezes).

O renascimento é tão vital quanto o ar que respiramos e dificilmente estaremos na vida 
sem passarmos por ele, muitas e muitas vezes. Estas são as valiosas oportunidades 
que a Vida nos dá para relembrarmos e abraçarmos a nossa espiritualidade.

Sentir diferente, olhando tudo de um outro lugar, transformando cada desafio 
numa experiência e aprendizado. Quando assim é o amor irá dissipar o medo 
impulsionando-nos para algo maior. Nesta frequência será possível acolher, 
integrar, transmutar, purificar e libertar. Depois deste processo iremos 
reconhecer, relembrar e reacender o divino que somos.

Estaremos prontos para abraçar e honrar a nossa verdadeira essência 
e assim continuarmos jornada, aqui e agora, onde escolhemos estar.

Ninguém está isento destes movimentos mesmo que não tenha, ainda, consciência deles, 
pois não existe vida sem renascimento e morte. Enquanto estivermos em negação 
entraremos num vórtice de energia que apenas nos aprisiona. 
Então nesses momentos precisamos parar, silenciar, sentir e integrar.

Quem olha para dentro de si e se reconhece está pronto para deixar que o melhor de si 
se revele e se expanda. Este é o movimento de cada renascer, 
a sublime oportunidade de sentir diferente, fazer diferente, alinhando mente e coração.

Sempre em Amor!!

(Tópicos do texto de Maria Filomena Costa de Paula, Revista Progredir)

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (156)

As autarquias são boas escolas para prevaricadores que desconhecem o desígnio de servir a causa pública e apenas conhecem a defesa dos seus interesses pessoais e dos seus parceiros.   
(Fernando Camelo de Oliveira, SOL)

Pode dizer-se que isso acontece em vários patamares da política no país, só que a nível local é diferente, porque há uma proximidade que permite um conhecimento diferenciado das pessoas e das suas práticas que faz toda a diferença.  

Felizmente, é injusto generalizar, porque ainda existem Municípios com boa gestão e boas práticas. Mas esses cumprem o seu dever, os que não são exemplo é que nos devem preocupar. 

Desenho


Traça a reta e a curva,
a quebrada e a sinuosa
Tudo é preciso.
De tudo viverás.

Cuida com exatidão da perpendicular
e das paralelas perfeitas.
Com apurado rigor.
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,
traçarás perspectivas, projetarás estruturas.
Número, ritmo, distância, dimensão.
Tens os teus olhos, o teu pulso, a tua memória.

Construirás os labirintos impermanentes
que sucessivamente habitarás.

Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida.
E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.

Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.
Raramente, um pouco mais.

(Cecília Meireles)


terça-feira, 9 de julho de 2024

Notícias Ao Fim Da Tarde