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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Esta É A Frase (25)

   
  A importância de relembrar o Holocausto - É nossa obrigação manter viva a voz dos sobreviventes. Contudo, estes últimos 3 meses provaram que temos de abordar não apenas o resultado do ódio, mas também a sua causa, a antiga fonte que abriu o caminho para o Holocausto: o antissemitismo.     (Dor Shapira, DN)

“Há 500 anos, em Espanha e em Portugal, havia antissemitismo e o pretexto era a religião. Há 80 anos, na Alemanha, o pretexto era a raça. Nos nossos dias, o pretexto do antissemitismo é o sionismo.”

É chegado o momento de reconhecer, de uma vez por todas, tratar-se (ainda hoje) do mesmo ódio disfarçado de diferentes roupagens. Na verdade, estes pretextos antissemitas provam não ter nada a ver com o Estado de Israel -- afinal, há muito que se vandalizam sinagogas e se aterrorizam comunidades judaicas locais. Muito antes do Estado de Israel ter sido recriado.

sábado, 5 de agosto de 2023

O Carisma Deste Papa

O carisma deste Papa é formidável. Procurem-se as qualidades que fazem dele um homem excepcionalmente popular e não é fácil encontrar o dom principal. Talvez seja a bondade. Tem evidentemente outros atributos, mas os outros Papas também tinham. Neste, há algo de diferente, de singular. É possível que seja também a disposição para a justiça social: as suas intervenções têm marcado seriamente o pontificado. Apesar da abstenção relativamente à ordenação das mulheres e ao casamento dos sacerdotes, a sua nota de progresso social é indelével. A sua aversão aos ídolos capitalistas e mercantis é também traço importante do seu carácter e do seu programa. Mas é o homem bom, irradiando generosidade e indulgência, que atrai os povos, os jovens e os fiéis. Essa parece ser a sua graça.    (António Barreto, Público, via Jacarandá

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O Enigma Português


Portugal aparece como um dos países mais infelizes da OCDE. Mais infelizes ainda, apenas a Turquia e a Grécia.
Porque serão os portugueses tão infelizes? Será resultado da perceção de um elevado nível de corrupção? Crescimento económico débil? Ausência de sentido de destino coletivo? Não há uma elite dedicada ao bem comum? Para além de políticas erradas inimigas do crescimento, haverá outros fatores mais profundos do foro psicossocial?

Os portugueses oscilam entre a glorificação e o desamor, entre o exaltamento e o escárnio de si mesmos e do seu país. Querem amar, mas não encontram permanente motivação para uma entrega que se prevê venha a ser recompensadora – material ou imaterialmente falando. Não há previsibilidade, nem estabilidade. Planeamento estratégico a todos os níveis é difícil ou impossível. O futuro, seja ele qual for, há-de aparecer, não se constrói.

Os portugueses não sabem apreciar o melhor que têm: eles mesmos. Sofrem de insouciance e de autoflagelação crónicos. Não sabem, não podem ou não querem resolver atempada e eficazmente as coisas, mesmo as importantes. Enredam-se a discutir coisas triviais durante meses. Desistem e partem perante o atavismo e a paralisia coletiva que resulta do conflito entre inúmeros interesses mesquinhos. (...)

O ensimesmamento português, na opinião de José Rui Teixeira (2020), simbolicamente, nimba a sua vocação atlântica de uma vertigem suicidária: um povo tão afetivamente apegado às suas raízes, às suas origens, projeta-se numa diáspora que ainda hoje reúne quase um terço dos portugueses.

Esta singularidade, segundo Teixeira, foi descrita por António José Saraiva (1917-1993) como um “novelo afetivo” que caracteriza a “personalidade portuguesa”, que implica, entre outras particularidades idiossincráticas, um sentimento de insularidade, o messianismo e a saudade, e que aparece “a observadores estrangeiros como desnorteante e paradoxal”.


A perplexidade estrangeira sobre Portugal persiste hoje mesmo, confirmando Saraiva: “É um puzzle, é um enigma, porque é que Portugal não está a crescer mais”, disse Sarah Carlson, vice-presidente de Moody’s e principal responsável pelo acompanhamento do rating de Portugal, há poucos dias (13 de fevereiro de 2020).
Enquanto não for resolvido o enigma, Portugal será infeliz.
(excertos do texto de Nuno Cintra Torres, JE )

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Auschwitz, Como Foi Possível ?

As linhas de comboio que terminavam em Auschwitz, retornavam às cidades, vilas e lugares da Europa. O grotesco acabava ali, mas a origem do horror, a sua possibilidade, começava em casas vulgares, no quotidiano das instituições, nas palavras ouvidas, naquelas em que se acreditou, no que se reproduziu, no que permitimos, no que fizemos ou deixámos fazer a 6 milhões de pessoas, pessoas como nós.
Hoje, as ruas e os edifícios de Auschitwz-Birkenau estão vazios, são um memorial histórico, ético, moral, forte e arrebatador. Mas se nas cidades, vilas e lugares, na origem, deixarmos haver lugar para discursos de ódio, antissemitas ou outros, enquanto alimentarmos direitos de uns sobreponíveis aos de outros, enquanto acreditarmos que não é connosco, Auschwitz não terá sido plenamente libertado.
E poderá acontecer outra vez.(excertos do texto de Ana Rita Bessa, OBSR)
(Excertos do texto de Ana Rita Bessa, OBSR)

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Foi Há 101 Anos Que ...

... Que morreram impérios, nasceram países, ressuscitaram nações
O sultão otomano foi deposto, o czar russo executado, o Kaiser teve de se exilar, tal como o último imperador Habsburgo, Carlos I, que morreu na Madeira. A Primeira Guerra Mundial fez desaparecer impérios e mudou o mapa da Europa e do Médio Oriente de forma radical, mas nem todas as fronteiras sobreviveram até agora. Faz hoje 101 anos que as novas fronteiras vieram substituir as antigas.
Leonídio Paulo Ferreira; DN
Desapareceu o Império Otomano, desapareceu o Império Russo, desapareceu o Império Austro-Húngaro, desapareceu o Império Alemão. Se alguma coisa a Grande Guerra de 1914-1918 foi, foi um cemitério de impérios, além de de gentes, pois morreram 15 a 19 milhões, entre militares e civis. E, embora sujas de sangue, nas terras antes governadas pelos descendentes de Osman (ou Otmão), pelos Romanov, pelos Habsburgo e pelos Hollenzollern nasceram novíssimos países, como a Checoslováquia, ou ressurgiram outros muito antigos, como a Polónia.
O abalo geopolítico foi tal que se no início do conflito só havia três repúblicas na Europa (quatro, contando com São Marino), quando as armas se calaram esse número estava prestes a ser triplicado, pois da Finlândia à Áustria vários povos escolheram essa forma de Estado, renunciando às cabeças coroadas. E mesmo no Médio Oriente, no coração do que durante seis séculos fora o Império Otomano, emergiu a República da Turquia.
Não se pense, porém, que foi no dia a seguir ao Armistício de 11 de novembro de 1918faz hoje 101 anos, que as novas fronteiras vieram substituir as antigas, como se fosse um passe de mágica. Houve, claro, acordos assinados, mas também acordos desrespeitados, negociações secretas, promessas impossíveis de cumprir, alguns ultimatos e sobretudo muitas pequenas guerras que se seguiram à Grande Guerra, décadas mais tarde rebatizada de Primeira Guerra Mundial até porque houve a partir de 1939 uma Segunda Guerra Mundial (a expressão, porém, chegou a ser usada logo em 1914, não pegando porque se preferiu chamar, e proclamar que aquela seria, a Guerra para Acabar com Todas as Guerras). (saiba mais aqui)

domingo, 28 de abril de 2019

Um Mapa Que Mostra Como Na Época Medieval Se Podia Representar O Mundo Em Termos Espirituais E Terrenos

A catedral de Hereford tem um património único: um mapa que mostra como na época medieval se podia representar o Mundo em termos espirituais e geográficos. O mapa tem o nome do autor, Richard of Haldingham of Lafford" que o terá criado no século 13, o que faz com que tenha sobrevivido mais de 700 anos.
"É o maior mapa medieval do mundo que sobreviveu", disse a historiadora e bibliotecária da Catedral de Hereford, Rosemary Firman, à BBC.
Este mapa-mundo foi desenhado numa única folha de pergaminho, mede 1,58 x 1,33 metros, e o desenho geográfico está dentro de um círculo de 1,3 metros e mostra o pensamento da Igreja do tempo medieval com Jerusalém no centro do mundo - centro da vida, mas também da espitualidade. À sua volta forma desenhados outros edifícios, animais, seres que nunca existiram.
E apesar de neste mapa-mundo estarem rotas de peregrinação e de trocas comerciais, "ele nunca foi concebido como mapa de navegação", defende a historiadora Rosemary Firman.
Sobrepostos aos continentes estão representações dos povos e das espécies que existiam. São cerca de 500 desenhos onde se incluem 420 vilas e cidades, 15 eventos bíblicos, 33 plantas, animais, pássaros e criaturas com representações estranhas. Há ainda 32 imagens de povos do mundo e oito de mitologia clássica.
O mapa, que não se sabe com rigor como chegou a esta catedral mas sobreviveu à Reforma e a Guerra Civil, fornece uma imagem "não muito elogiosa" dos judeus e de outros povos, "raças que causavam suspeição ou das quais nada sabiam", acrescenta outra historiadora de Hereford, Sarah Arrowsmith. "Representam a convenção a época", diz.
Christopher de Hamel, uma autoridade líder em manuscritos medievais citada pela televisão inglesa BBC, disse sobre o mapa que este não tem "paralelo". É o mais importante e mais célebre mapa medieval em qualquer forma, é o manuscrito inglês ilustrado mais notável de qualquer tipo, e certamente o maior manuscrito pictórico existente no século XIII".
Património da Humanidade, o Mapa Mundi é apenas um dos tesouros da Catedral de Hereford.
Fonte : via DN

terça-feira, 16 de abril de 2019

O Que Estava No Interior Da Catedral De Notre Dame

A coroa de espinhos que se acredita ter restos da que foi usada por Jesus salvou-se. Entre pinturas, "o grande órgão de Notre Dame" e as famosas rosáceas, estava muita história na Catedral de Paris.


  1. O “grande órgão de Notre Dame”
  1. As pinturas, de Jacques Blanchard a Jean Jouvenet
  1. A estátua do século XIV
  1. As rosáceas do século XIII
  1. Os portais de Santa Ana, da Virgem e do Julgamento
  1. Os dez sinos e Emmanuel, que só tocava em ocasiões especiais
  1. A Coroa de Espinhos e a Túnica de São Luís
O destino dos imponentes sinos, das estátuas e das pinturas históricas do interior da Catedral é temido pelos franceses, mas a maior parte das obras de arte e símbolos históricos terão sido “salvaguardados”, revelaram os bombeiros de Paris esta terça-feira.

No interior da Catedral de Notre Dame estava um dos órgãos de igreja mais famosos da Europa — o site oficial do monumento arrisca mesmo dizer que se trata “provavelmente do mais famoso do mundo”. Este terá sobrevivo “intacto” ao incêndio, revelou o vice-presidente da câmara de Paris Emmanuel Gregoire à estação francesa BFMTV, citado pela agência de notícias Associated Press. Há relatos que apontam para que possa ter sido danificado pela água, mas sem danos irreversíveis.

Fonte: OBSR

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Personalidades E Acontecimentos De 2018 Ordenados Pelos Utilizadores Do Site RR

 Papa e Joana Marques Vidal são as personalidades do ano para os leitores da Renascença. 



O ataque à Academia do Sporting e o resgate das crianças numa gruta da Tailândia foram considerados os acontecimentos de 2018.
Em segundo lugar ficaram as demissões e detenções em Tancos, com 19%, e em terceiro o incêndio na serra de Monchique, o maior do ano na Europa, com 14%.
(saber mais aqui)

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A Estacaria Que Segura A Baixa Pombalina

As estacas sobre as quais foi reconstruída a Lisboa após o terramoto de 1755 foram peças centrais de uma exposição inaugurada em finais de 2015. Uma oportunidade para perceber como funciona este sistema que sustenta os edifícios da baixa lisboeta.
Na exposição, que esteve patente durante vários meses na sede do Banco de Portugal em Lisboa, era possível ver um conjunto de estacas que estiveram enterradas no solo de Lisboa desde o século XVIII até aos nossos dias.
Tratou-se de uma oportunidade rara para ver este tipo de estrutura idealizada para ajudar os edifícios a resistir a novos sismos. Sobre as estacas  foi construída uma grelha de troncos que sustenta as fundações, tudo em madeira de pinho verde para resistir à passagem do tempo.
Nesta reportagem pode acompanhar as declarações de Artur Rocha, curador e arqueólogo responsável pela exposição, e Diogo Macedo, do Banco de Portugal.
Fonte: RTP


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Férias

Gozar férias tem de significar romper com essa artificial sensação de urgência, quebrar rotinas ou, simplesmente, descansar. Apesar de mal-afamadas, entre os que apenas conhecem a sofreguidão destravada do trabalho que explora os mais pobres, as férias são conquista de homens livres. Descansar é um verbo divino. E o maior elogio das férias e do descanso é invocar o seu divino inventor. É do livro do Génesis (Gn 2, 2-3) que "Deus repousou ao sétimo dia de todo o trabalho realizado. Abençoou-o e santificou-o, visto ter sido nesse dia que descansou de toda a obra da criação". Importa, pois, descansarmos. Para os crentes, como Deus manda. Para esses e para os outros, investigadores de uma universidade finlandesa quiseram apurar o número mínimo de dias de descanso que deveríamos tirar. Acompanharam 54 trabalhadores, de diferentes atividades e em períodos diferentes de férias. E concluíram que só ao oitavo dia é que verdadeiramente começamos a repousar.

Afonso Camões, JN

domingo, 12 de agosto de 2018

Lisboa, Hoje, É O Destino

Hoje Lisboa é o destino da moda e o melhor destino do Mundo. Os ‘liners’ repletos de turistas sobem o Tejo com um perfil imperial. Os aviões são manchas negras no Sol. Entrar em Lisboa é regressar a parte de uma Europa remota e esquecida, um estranho aglomerado onde se cruza o Norte de África com o Médio Oriente, o Islão com a Cristandade, Roma com Cartago e a Grécia. Lisboa resulta num lugar exótico, um exotismo cosmopolita à maneira do Cairo antes da Primavera Árabe. É fácil imaginar Agatha Christie nas ruas de Lisboa como se fossem as ruas de Aleppo, na Síria, no início do século XX, e a escrever “Crime no Expresso do Oriente” no quarto 203 do Hotel Baron.

Nas estatísticas, Lisboa recebe por ano entre 4,5 e 6 milhões de turistas, tem um ratio de 9 turistas por cada residente e exibe uma densidade de 300 turistas/km2. 

A última vez que Lisboa conheceu um tão grande afluxo de gente foi em 1940, quando os judeus da Europa encontraram na cidade o último portão aberto do imenso campo de concentração do Continente. Estima-se que entre 1940 e 1941 cerca de 100.000 pessoas conseguiram chegar ao purgatório pacífico garantido pela neutralidade portuguesa na II Guerra Mundial. Nesses dias varridos da memória nacional, a Baixa repleta de gente era o centro cosmopolita da cidade, com os cafés cheios em que língua mais falada era o alemão e o eléctrico 28 subia para a zona da Estrela alimentado pela energia eléctrica do polaco que se falava a bordo. Encalhado no extremo da Europa, Saint-Exupéry referia-se a Lisboa como um “paraíso claro e triste” que “sorria com um sorriso um pouco pálido”. A Guerra acabou, tudo passou, nada ficou.

(Excertos do artigo de Carlos Marques Almeida, ECO)

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Colapso Da Civilização Maia: Seca Extrema E Prolongada Acabou Por Ditar O Seu Fim

Cientistas quantificaram pela primeira vez o fenómeno. Entre os anos 800 e 1000 d.C. houve entre 41% e 70% menos chuva na região. As alterações climáticas abruptas podem mesmo pôr termo a uma civilização.

Sabe-se que um período prolongado de secas extremas contribuiu decisivamente para que a lendária e ainda muito misteriosa civilização maia se desintegrasse completamente há cerca de um milénio. Mas um grupo internacional de cientistas deu agora um importante passo para aprofundar esse conhecimento, ao conseguir pela primeira vez quantificar a dimensão dessas secas devastadoras.

No estudo que publicam nesta quinta-feira na revista Scienceos autores mostram que durante aquele curto período de 200 anos houve fases de quebras anuais entre 41% e 54%, que chegaram a défices de 70% no pico da crise da seca, enquanto o teor da humidade no ar chegou a ter valores inferiores entre 2% e 7% em relação ao clima atual. A seca extrema e prolongada acabou por ditar o abandono da região pelas populações, a que se seguiu o declínio e a falência das estruturas sociais que sustentavam o modo de vida da civilização maia.
"O papel das alterações climáticas no colapso da civilização maia tem sido de alguma forma controverso, em parte porque os estudos anteriores só tinham permitido reconstruções qualitativas do clima da época", explica Nick Evans, investigador da universidade britânica de Cambridge e o principal autor da investigação. "O nosso estudo representa um avanço substancial, porque pela primeira vez conseguimos fazer estimativas robustas da precipitação e dos níveis de humidade [atmosférica] durante esse período", sublinha.
O estudo acaba por demonstrar também como as alterações climáticas, produzindo um impacto profundo no equilíbrio das estruturas e das atividades de uma sociedade, podem contribuir para o seu fim.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Brasão Das Armas Da Cidade De Évora Ou Pedra Antiga Que Conta Uma História Da Fundação Da Cidade

No Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo, piso térreo, não muito longe da lápide da fundação da cidade pelos árabes, uma epígrafe em escrita cúfica e sem imagens, estão expostas duas pedras com a representação de uma personagem a cavalo e a representação de duas cabeças atribuídas aos séculos XIV e XV, já o final da Idade Média. 

Estas mesmas pedras inspiraram mais tarde, no final do século XIX e nos anos 30 do século XX a fundamentação da imagem do brasão das armas da cidade de Évora. Brasão e Armas da cidade são palavras datadas, cheias de patine, encarregadas e pensadas para educar e transmitir, sob a forma de bonecos, uma história de glorificação da cidade, e que as várias representações e interpretações trouxeram até nós como a sendo a que representa esse episódio do Giraldo Sem Pavor, que através do ludíbrio do amor, conseguiu tomar a cidade de Évora das mãos de uma mulher. 

São duas peças escultóricas que representam uma história da cidade, celebrada e homenageada pela propaganda medieval em Évora.
A cidade de Évora em que hoje vivemos é ainda o resultado da usurpação e ocupação de um território herdeiro de civilizações antigas e já definido nas paisagens neolíticas e paleolíticas, como o atesta a Gruta do Escoural. De uma tão ancestral ocupação do território, aqui fixado na paisagem que lhe dá identidade e condiciona a utilização, hoje só recordamos de cor e em forma de lenga-lenga, a história pouco honrosa de um líder de um bando que rouba a uma mulher o poder de uma cidade.
O poder, sempre feudal destas terras, e uma visão localista, perpetuaram a utilização desta imagem até aos dias de hoje. A última vez que a cidade, já de homens livres de todas as opressões, em 1983, se pronunciou sobre a imagem e heráldica da cidade reconfirmou a sangrenta representação de uma traição como feito representativo da cidade. Imagem que foi precipitadamente adotada, da que se representa na frente da Sé, e que nos anos 30 do século passado e sem grande interesse local, se decidiu como imagem representativa de cidade em resposta a um despacho de Lisboa. A sua revisão e estudo desapaixonado vêm sendo feita pelos sucessivos presidentes de Câmara da cidade que a reconhecem.
E ainda que nos esteja vincado na cultura, marcado nos genes, esta terra e as vivências do mediterrâneo foram à força absorvidas pelo norte cristão, de príncipes ansiosos que aqui só viram largueza e monotonia sem interesse e por isso foram logo doadas a donos de terra e de homens como as ordens militares religiosas e àquele senhor de Portel de que ainda hoje por aí há filhos, como também os há dos mediterrâneos que sempre aqui estiveram.
Muito houve que destruir, arrasar, apagar para que a nova noção de nação pudesse pegar e a seguir à destruição construiu-se uma nova imagem, novos heróis, por pouco recomendáveis que fossem como este Giraldo. Estes dois objetos são uma representação, um instrumento de comunicação de uma história que se quis contar, porque era violenta, bárbara e popular e serviu a quem a gerou lá atrás no tempo. Hoje por desinteresse, falta de paixão, foi aceite como sendo o mais nobre feito da cidade. Pode estar num Museu, petrificada, onde a memória e património tem lugar e onde a sua observação e fruição promovem o deleite de quem gostar, o pensamento, a crítica. Mas também pode, com coragem, ser revisto, alterado e pensado numa apaixonada reflexão da cidade sobre o assunto: que imagem é a que temos, queremos ter e transmitir da cidade de Évora.
O Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo tem entrada gratuita aos domingos e feriados até às 14h para todos os cidadãos residentes em território nacional. O texto e fotografia são da exclusiva responsabilidade da autora, Carla Magro Dias, publicado na Tribuna Alentejo.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Dia dos Namorados: A Propósito

Este ano o FNUAP – Fundo das Nações Unidas para a População, lançou uma campanha no âmbito do Dia dos Namorados, apelando para o fim dos casamentos infantis. Estima-se que 26,7% das raparigas em países com baixo desenvolvimento ou em vias de desenvolvimento, em todos os continentes, são crianças noivas e, na África Central e na Africa Ocidental, 4 em cada 10 raparigas casam antes dos 18 anos.
Os casamentos precoces, forçados e combinados, são uma prática nefasta e estão proibidos pela Convenção dos Direitos das Crianças e pela Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres.
Esta realidade violenta, mesmo com pouca expressão, também existe no nosso país em algumas comunidades imigrantes e de etnia cigana (havendo algum compromisso na comunidade cigana para lhe por fim), prejudica gravemente a vida destas crianças, no plano físico quando são muito novas, porque o corpo não tem maturidade para engravidar e ter filhos, mas também porque as impede de crescer de forma saudável, de ir à escola e de perspetivar um futuro.
A esta realidade agressiva e violadora dos Direitos Humanos das meninas e meninos sujeitos a esta prática, também não podemos deixar de assinalar neste dia, outra realidade bem mais presente na nossa cultura – a violência no namoro.
Quando olhamos para a realidade da violência doméstica e de género entre adultos, o que vimos é uma média de idades, de vítimas e agressores, que ronda os 40 anos, o que significa que são pessoas que já nasceram em democracia e passaram pela escola pública, mas também uma legitimação ou desgraduação social deste tipo de crime. A verdade é que ninguém se torna agressor aos 40 anos. Há um percurso de vida que os leva até ali.
Catarina Marcelino, Visão

domingo, 24 de dezembro de 2017

O Presépio Segundo A Referência Cristã

 O presépio, segundo a referência cristã remete para o nascimento de Jesus em Belém, na companhia de José e de Maria. 
Conta a Biblia no livro de Lucas 2:1-7 que, por motivo de recenseamento de toda a Galileia, José e Maria foram para as imediações da Judéia, na cidade de Davi, chamada de Belém. De acordo com a mesma fonte, após o nascimento, ele foi envolto em panos e deitado em uma manjedoura destinada á alimentação de animais, pois não havia lugar para eles na estalagem, e foi reconhecido, após nascimento, por pastores da região, avisados por um anjo, de acordo com o livro de Lucas 2:10-16, e, uns dois anos mais tarde, não na manjedoura, mas na casa de Jesus, por reis magos vindos do oriente, guiados por uma estrela, os quais ofereceram ouro, incenso e mirra à criança, de acordo com o livro de Mateus 2:1-12.
Segundo a Bíblia no livro de Mateus 2:13-18, estes acontecimentos ocorreram no tempo do rei Herodes, que teria mandado matar todas as crianças de 2 anos para baixo, por medo de perder o seu trono para o futuro rei dos judeus..
É Natal ! Que o Menino Jesus ilumine o Natal com a esperança de dias melhores e momentos especiais em suas vidas.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Simbologia Natalícia: A Estrela

Significado:

Estrela de Belém é um fenómeno registrado na tradição cristã que teria marcado o nascimento de Jesus Cristo, indicando aos Três Reis Magos o local exato de onde estaria o prometido Messias.
A história da estrela de Belém, também conhecida por estrela do Natal, é contada na bíblia sagrada cristã no evangelho de São Mateus: “Onde está aquele que é nascido Rei dos Judeus? Pois do Oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo" (Mateus 2:1-2).
Esta passagem do Evangelho de Mateus narra a história do percurso feito por "três reis magos do oriente", que avistaram uma estrela incomum no céu e, após alguns meses observando-a, começaram a segui-la.
A estrela recebeu o nome de "estrela de Belém" por ter conduzido os magos ao pequeno vilarejo de Belém, local onde supostamente nasceu Jesus de Nazaré, o prometido "Rei dos Judeus" das profecias da época.
Ao longo da história, várias teorias surgiram na tentativa de explicar cientificamente qual fenômeno astronômico teria dado origem à Estrela de Belém. As pesquisas, baseadas nas escrituras bíblicas e relatos históricos, ajudam a montar uma maior proximidade sobre o período exato que supostamente teria nascido Jesus Cristo.
A tradição popular acredita que a estrela de Belém era um cometa, sendo representado imageticamente em presépios e imagens sobre o nascimento de Cristo com uma enorme cauda.
Um dos primeiros estudos sobre a estrela de Belém, feito pelo sacerdote francês Albert Lagrange, sugere que o fenômeno seria o cometa Halley em aproximação com a Terra. No entanto, estudos posteriores afirmam que seria impossível, pois Halley teria passado próximo do planeta por volta do ano 12 a.C, muito antes do suposto período em que Cristo teria nascido (entre 7 a.C e 2 a.C).
Outros estudos dizem que a estrela de Belém teria sido a consequência do efeito de um fenômeno raro de conjunção entre os planetas Júpiter e Saturno com a estrela Regulus, considerada a maior da constelação de Leão. A aproximação desses corpos celestes no firmamento, teria produzido um efeito luminoso bastante intenso.
Atualmente, no mundo ocidental, a estrela de Belém tem um simbolismo muito forte no Natal, sendo reproduzida em presépios e árvores de Natal, que remontam o cenário de como teria sido o nascimento de Jesus Cristo, com a presença da Virgem Maria, José e os três reis magos.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Um Surto De Momento (será?) Invadiu As Nossas Vidas E Empresas - Uma Nova Geração Que Dará Cartas E Já Está A Dar

Um surto de momento (será?) invadiu as nossas vidas e empresas. Verdade que muitos têm tendência a fechar olhos e a procurar esquecer que há uma nova geração (ou novas) – mas seria bom que soubessem todos que é a que dará cartas – e já está a dar – quando formos mais velhos (e não falta quase nada) –, constituída por millennialscentennials ou, reduzindo tudo ao momento, momentennials. Senão vejamos.
No outro dia ouvi com algum interesse um partner de uma das big fourfazer uma intervenção onde metia millennials e centennials ao barulho. No fundo, no fundo, para dizer que não conseguia gerir esta malta nova e que lhe escapavam por entre mãos. Não o disse de forma tão desabrida mas disse-o de forma encapotada. Entravam e saíam da empresa, dos projetos, de qualquer forma possível de planeamento. Não se fixavam. Não tinham commitment para com as organizações, não vestiam a camisola, não passavam bola a quem quer que fosse que não a eles próprios. Pois!
Apresentou-se, meio angustiado, como impotente face à incapacidade que sentia por nada poder fazer. (...) Há para aí um rol de coisas escritas e de testemunhos e de características sobre as gerações X e Z (millennials e centennials). Pouco importam. Direi o que vem à frente baseado no contacto diário com estas novas gerações. Nas aulas e fora delas. Que fundamentos – quais princípios – são estes das gentes que nascem no virar do milénio, agora do centenário e, depois, do decénio e sempre a tender para o momento?
[A saber e meditar:]
Princípio #1: Cheirar. Estão numa aula, para dar um exemplo, para cheirar o “fenómeno”. 
Princípio #2: Experimentar. Uma derivada, a primeira, do verbo cheirar. O cheirar é rápido e cheiramos muitas coisas de forma muito rápida que, tanto quanto possível, nos dão um grau da intensidade da coisa. Pelo que o experimentar também deve ser rápido. “Ainda não fui assistir à aula do prof. X. Vamos lá, tenha ou não a ver com o que estamos a fazer.”
Princípio #3: Mudar. Mudar rápido. Conseguir set-up timesacelerados. Passar de uma atividade para outra apressadamente. Conseguir fazer muitas coisas diferentes no menor espaço de tempo. 
Princípio #4: Fugir. Melhor expressão que a que se usa no whatsapp ou nos SMS para já passei para outra é “fui”. Fui embora. Já não estou aqui. Arranquei. Basei. Enfim, mudei e é bom que seja rápido. 
Princípio #5: Descomprometer. Melhor, não comprometer. Nada que possa trazer grandes compromissos. Isso é coisa do antigamente. Estabilidade, relacionamento estável, comprometimento são tudo coisas a evitar. Viver o momento.
Princípio #6 (ele há muitos mais mas não vos vou massacrar): Ignorar. Ignorar os outros a chorar. Ignorar os outros a sofrer. Ignorar os outros a pedir. Ignorar até os outros a agradecer. Ou a pedir desculpa. 
Disclaimer: Isto dito e chegados aqui apenas quero deixar, a título final e pessoal, o meu gosto enorme por estas novas gerações. Às vezes, confesso, não sei como lhes chegar. Mas, admito também, fascinam-me.
(excertos do artigo de José Crespo de Carvalho, Gerações “…ennials”: a força do momento,OBSR)   

terça-feira, 5 de setembro de 2017

O Pior Dos Males Que Vai Destruindo O Valor Das Nossas Vidas É O Egoísmo

... Pior, um egoísmo colectivo em que todos se copiam uns aos outros.
Vivemos num mundo demasiado uniforme, quase monótono. Valorizamos aquilo que os outros valorizam, como se temêssemos usar a nossa cabeça. Até os nossos sentimentos conseguimos subordinar às opiniões alheias. Qualquer desvio destas modas é penalizado de forma implacável, talvez porque ninguém queira admitir que tem liberdade e que a devia usar.
O consumismo prende-nos à tristeza de não ter coisas que, em verdade, não prestam para nada, apresentando-se como solução para essa mesma inquietação. Muitos ainda são os que resistem, mais pela falta de recursos que os faz encontrar melhores alternativas, do que por convicção.
Os profetas, mais do que saber o futuro, são quem é capaz de dizer a verdade. Muitos são os que anunciam o fim dos tempos, mas sem que muita gente lhes dê crédito. Afinal, são pessoas estranhas que nos vêm estragar o sossego, despertando-nos o medo mais profundo: o de sermos confrontados connosco mesmos, tal como nos escolhemos. É mais confortável julgar que não somos assim tão responsáveis… é mais fácil negar a evidência de que o fim está mesmo próximo.
O mal é relativizado em função da distância, sendo tanto maior quanto mais próximo estiver de nós. Se, bem longe da nossa casa, dez milhões de seres humanos inocentes estiverem a sofrer de forma injusta por iniciativa de um tirano qualquer, sentimos que isso pouco ou nada nos diz respeito. Mas se nos doer um dente, então sim, já se trata de uma tragédia que revela quanto o mundo é condenável e injusto.
O pior dos males que vai destruindo o valor das nossas vidas é o egoísmo. Pior, um egoísmo colectivo em que todos se copiam uns aos outros.
O fim do mundo está próximo. Não só o do mundo de todos nós, mas o de cada um de nós.
A morte é um mal. Ninguém nasce para morrer. Mas morremos. Nascemos para viver e para ser felizes, mas há muitos que passam o tempo a arrastar-se entre medos e cinzas de sonhos que não foram capazes de cumprir.
Nunca como hoje estivemos tão perto do fim. Mas a razão exige que pensemos que este mundo não é o todo da existência. O amor vence a morte, quebra todas as barreiras – assim seja verdadeiro. O amor é a única passagem por cima do maior de todos os abismos, mas é uma ponte que tem de ser construída pelas nossas mãos.
O que é que está próximo?
De quem é que estou próximo?
Opinião de José Nunes Martins, RR 

terça-feira, 22 de agosto de 2017

A Perversidade Humana Não Tem Fronteiras Nem Prazos, Mas a Bondade Também Não

  
Fernando Álvarez fez sozinho o seu minuto de silêncio na prancha, antes de se atirar para a água, e perdeu aquela competição desportiva, mas humanamente ganhou em toda a linha. Ele e nós. Ganhamos com o seu exemplo em coragem para fazermos a diferença, em liberdade interior para agirmos em contra-corrente, em segurança para não desistirmos, em confiança para não nos deixarmos abater, em discernimento para não trocarmos as prioridades, e em atenção para nunca nos fazermos indiferentes.

Harry Athwal, o cidadão britânico que permaneceu ajoelhado no chão ao lado do rapazinho australiano em agonia, foi outro que deu um testemunho admirável de coragem e humanidade. Julian Cadman, o rapazinho em estertor acabaria por morrer, mas não morreu sozinho porque Harry Athwal se recusou a deixá-lo.

Todos os dias há más notícias e é impossível viver sem nos interrogarmos. Muitas dúvidas e inquietações ficam sem resposta e a angústia cresce, daninha, de dia para dia. O sentimento de vulnerabilidade aumenta exponencialmente e a sensação de impotência perante certos acontecimentos também se agrava
Mesmo sem sabermos exactamente como orientar as novas gerações, é importante ter muito presente que a influência imediata do comportamento é sempre mais eficaz do que as palavras, como escreveu Viktor E. Frankl, no seu livro O Homem em Busca de um Sentido. O exemplo certo é sempre mais eficaz do que as palavras alguma vez podem ser, mas não nos podemos esquecer que o mesmo acontece com o exemplo errado. O bem e o mal são igualmente contagiantes, ainda que o bem seja incrivelmente mais luminoso. A perversidade humana não tem fronteiras nem prazos, mas a bondade também não.
Fonte: Laurinda Alves,OBSR 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Manhã De Agosto Além -Tejo

Manhã de Verão.
Um vento morno 
transporta uma mistura de aromas: a erva cortada, manjericão, coentro, rosas meio-bravas e lavanda.
Por perto andam as rolas, que há muito não apareciam, os melros e os bandos de abelharucos.
Ao longe soam os chocalhos do gado.
Que seja um BOM DIA!