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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Por Que O Mentol Dá A Sensação De Frio

Como o nosso corpo sente o frio - e por que o mentol dá o mesmo efeito

 Por que o mentol dá sensação de frio?


Em situações tão diversas quanto entrar no ambiente gelado de um banco ou colocar uma pastilha de menta na boca, um minúsculo sensor molecular no seu corpo entra em ação, alertando o cérebro para a sensação de frio.

Cientistas agora capturaram as primeiras imagens detalhadas desse sensor em funcionamento, revelando exatamente como ele detecta tanto o frio real quanto a sensação de frescor do mentol, um composto derivado da hortelã.

No centro das atenções está um canal proteico chamado TRPM8. "Imagine o TRPM8 como um termómetro microscópico dentro do seu corpo," compara o professor Hyuk-Joon Lee, da Universidade Duke (EUA). "Ele é o principal sensor que informa ao cérebro quando está frio. Sabemos há muito tempo que isso acontece, mas não sabíamos como. Agora podemos vê-lo."

O TRPM8 está localizado nas membranas dos neurônios sensoriais que inervam a pele, a cavidade oral e os olhos. Ele responde a temperaturas frias - aproximadamente entre 8 °C e 28 °C - abrindo-se e permitindo a entrada de iões na célula, o que desencadeia um sinal nervoso para o cérebro.

É também por isso que o mentol, o eucalipto e alguns outros compostos produzem aquela sensação refrescante característica.

"O mentol é como um truque," explicou Lee. "Ele se liga a uma parte específica do canal e o ativa, fazendo com que se abra, assim como a temperatura fria faria. Então, mesmo que o mentol não esteja realmente congelando nada, seu corpo recebe o mesmo sinal como se estivesse tocando gelo."

Utilizando microscopia crioeletrônica, uma técnica que gera imagens de proteínas congeladas instantaneamente com um feixe de elétrons, os pesquisadores capturaram múltiplos instantâneos do canal de detecção de frio, TRPM8, durante a transição do estado fechado para o aberto.
[Imagem: Hyuk-Joon Lee]

Como sentimos frio?

Usando técnicas inovadoras de imageamento e microscopia integradas, os cientistas descobriram que o frio e o mentol ativam o canal por meio de redes compartilhadas, porém distintas: O frio desencadeia principalmente mudanças na região do poro do TRPM8 (a parte que realmente se abre para permitir a passagem de íons), enquanto o mentol se liga a uma parte diferente da proteína e induz nela mudanças de forma, que então se propagam até o poro.

"Quando o frio é combinado com o mentol, a resposta é potencializada sinergicamente," detalhou Lee. "Usamos essa combinação para capturar o canal em seu estado aberto, algo que não havia sido alcançado apenas com o frio."

As descobertas têm implicações médicas: Quando o TRPM8 não funciona corretamente, ele tem sido associado a condições como dor crónica, enxaquecas, olho seco e certos tipos de cancro.

O acoltremon, é um medicamento que ativa o TRPM8, é um colírio aprovado para o tratamento da síndrome do olho seco. Como um análogo do mentol, ele age ativando a via de resfriamento para estimular a produção de lágrimas e aliviar a irritação ocular.

Os pesquisadores também identificaram o que chamam de "ponto frio", uma região específica da proteína que é fundamental para a detecção de temperatura e ajuda a evitar que o canal se torne dessensibilizado durante a exposição prolongada ao frio.
 
Checagem com artigo científico:
Artigo: Structural Basis of Cold and Menthol Sensing by TRPM8
Autores: Hyuk-Joon Lee, Cheon-Gyu Park, Justin Gerald Fedor, Wyatt A Peele, Mario J Borgnia, Seok-Yong Lee
Publicação: Proceedings of the 70th Biophysical Society Annual Meeting  (via DS)

Talvez ...


 
Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos..."

(Pablo Neruda)

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

O Dia De Portugal, De Camões E Das Comunidades

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é celebrado anualmente a 10 de junho. Este feriado nacional assinala a data da morte do poeta Luís Vaz de Camões, em 1580, autor de Os Lusíadas. É um dia dedicado a homenagear a história e a cultura lusófona. Sendo também este o dia dedicado ao Anjo Custódio de Portugal, e também o dia da Língua Portuguesa, dos cidadãos e das Forças Armadas.

Durante o Estado Novo, de 1933 até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, era celebrado como o Dia da Raça: a raça portuguesa ou dos portugueses.

A primeira referência ao caráter festivo do dia 10 de Junho é no ano 1880 por um decreto real de D. Luís I que declara "Dia de Festa Nacional e de Grande Gala" para comemorar apenas nesse ano os 300 anos da hipotética data da morte de Luís de Camões, 10 de junho de 1580.A data foi comemorada nesse ano em grande parte devido à iniciativa de Teófilo Braga, destacado intelectual republicano.

Esta É A Frase (108)

Confundir controlo com burocracia constitui, contudo, um erro de diagnóstico. A ausência ou fragilidade destes mecanismos não elimina complexidade; apenas transfere risco. Onde o controlo interno falha, proliferam ineficiências, decisões mal informadas, fragilidades operacionais e perdas de valor público dificilmente reversíveis. Um sistema de controlo interno robusto não atrasa a decisão: qualifica-a, tornando-a mais consciente, fundamentada e alinhada com o interesse público.   (Marta Saldanha, ECO)

Num momento em que o setor empresarial do Estado enfrenta desafios crescentes (financeiros, operacionais e reputacionais), a qualidade da governance assume-se como fator crítico de sucesso. E no centro dessa governance está o controlo interno.

Não como um fim em si mesmo, nem como um exercício formal de conformidade, mas como uma infraestrutura invisível que sustenta decisões, protege valor e garante confiança. Em última análise, a questão relevante, no setor empresarial do Estado, não é saber se existe controlo a mais, mas se existe controlo suficiente – e suficientemente eficaz – para proteger aquilo que é de todos.

Deixa Passar O Vento ...


Deixa passar o vento
Sem lhe perguntar nada.
Seu sentido é apenas
Ser o vento que passa…

Consegui que desta hora
O sacrifical fumo
Subisse até ao Olimpo.
E escrevi estes versos
Pra que os deuses voltassem.

(Ricardo Reis)

terça-feira, 9 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (107)

 A redução da desigualdade salarial é uma boa notícia, mas tornar Portugal num país onde uma parte crescente dos trabalhadores se concentra numa faixa salarial cada vez mais estreita já não é.      (António Costa, ECO)

De acordo com os dados do Banco de Portugal, o salário mínimo já vale 91% da mediana dos salários, o que significa uma compressão salarial que deveria suscitar um debate urgente (mas como se vê, até do anterior governador, Mário Centeno, está tudo bem e não há problemas no mercado de trabalho em Portugal).

Uma economia onde o salário mínimo se aproxima cada vez mais do salário mediano não sofre apenas de baixos salários, sofre de escassos incentivos à progressão, de falta de diferenciação salarial e de uma dificuldade persistente em transformar qualificações e produtividade em remuneração.

Esta é também uma questão de mobilidade social. Durante décadas, Portugal transmitiu aos mais jovens uma promessa simples. Estudar mais, adquirir competências e construir uma carreira permitiriam alcançar melhores condições de vida. Quando o prémio salarial associado a esse percurso diminui, não é apenas a produtividade que fica em causa, é a credibilidade dessa promessa.

A Mudança É A Lei Da Vida

 
“A mudança é a lei da vida. E aqueles que confiam somente no passado ou no presente estão destinados a perder o futuro. Eu não sei o caminho para sucesso; mas, sem dúvida, o caminho para o fracasso é agradar a todo mundo.”            (John F. Kennedy)