António Costa não está obviamente sozinho neste ativismo feito de papéis da União Europeia. Os documentos elaborados pelo Parlamento Europeu mostram-nos igualmente um discurso de desejos. A concertação social portuguesa não representa os trabalhadores. Representa quem já tem lugar garantido à mesa e não quer que mais ninguém se sente. (Rui Rbeiro, OBSR)
Há um dado que ninguém gosta de dizer em voz alta: em Portugal, 7% dos trabalhadores estão sindicalizados. São esses 7% que tem poder de veto e que bloqueiam uma reforma que afeta toda a gente, os precários, os jovens que saltam de contrato em contrato sem nunca chegar a lado nenhum, os que trabalham a recibos verdes forçados, os que desistiram de procurar emprego porque perceberam que o mercado não está desenhado para eles. A concertação social portuguesa não representa os trabalhadores. Representa quem já tem lugar garantido à mesa e não quer que mais ninguém se sente.
Isto tem nome: chama-se corporativismo. Pode vir vestido com o vocabulário da proteção social, mas não muda o que é. O problema não está [só] nos sindicatos. O problema está num Governo que confunde negociar com ceder, e que tratou a concertação social como um fim em si mesmo.
Isto tem nome: chama-se corporativismo. Pode vir vestido com o vocabulário da proteção social, mas não muda o que é. O problema não está [só] nos sindicatos. O problema está num Governo que confunde negociar com ceder, e que tratou a concertação social como um fim em si mesmo.









