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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (63)

O Califado Virtual prospera, não por falha técnica, mas por indefinição institucional. As democracias tratam o digital como mercado ou praça pública, raramente como espaço de autoridade democrática.
(Francisco Jorge Gonçalves, OBSR)

Em 2019, a derrota territorial do Estado Islâmico (EI) em Baghouz foi amplamente interpretada como o fim de uma ameaça. Poucos anos depois, essa leitura revelou-se ilusória. O EI não desapareceu: mudou de forma. Perdeu território físico, mas ganhou presença digital. Hoje, a sua influência já não depende de fronteiras, campos de treino ou controlo geográfico. Depende de código, plataformas e algoritmos.

Este fenómeno, a que se pode chamar “Califado Virtual”, não corresponde a uma organização tradicional. É antes uma arquitetura de poder ideológico que circula online, explora tecnologias de Inteligência Artificial (IA) e disputa às democracias o controlo do espaço onde hoje se formam identidades, pertenças e ressentimentos.

A IA não inventou o extremismo. Mas deu-lhe escala, velocidade e invisibilidade. O recrutamento jihadista, que durante anos exigiu contacto humano prolongado entre militante e potencial recruta, foi profundamente transformado. A radicalização já não precisa de semanas de interação pessoal em fóruns fechados. Pode ocorrer através de sistemas automatizados, capazes de interagir com milhares de indivíduos em simultâneo, ajustando discurso, tom emocional e narrativa a cada perfil.

Estes sistemas identificam vulnerabilidades — solidão, frustração, crises identitárias — e respondem de forma personalizada, simulando empatia e compreensão. A radicalização deixa, assim, de ser um processo social visível para se tornar um diálogo privado entre o indivíduo e o algoritmo. 
( Ler aqui texto na íntegra  OBSR)

Monólogo


Estar atento diante do ignorado,
reconhecer-se no desconhecido,
olhar o mundo, o espaço iluminado,
e compreender o que não tem sentido.

Guardar o que não pode ser guardado,
perder o que não pode ser perdido.
— É preciso ser puro, mas cuidado!
É preciso ser livre, mas sentido!

É preciso paciência, e que impaciência!
É preciso pensar, ou esquecer,
e conter a violência, com prudência,

qual desarmada vítima ao querer
vingar-se, sim, vingar-se da existência,
e, misteriosamente, não poder.

(Dante Milano)

Neste poema, "estar atento diante do ignorado" é um convite à observação do desconhecido e à aceitação do mistério da vida: 

Reconhecer-se no desconhecido: Olhar para o mundo e para o espaço iluminado, tentando compreender o que parece não ter sentido.

Aceitação: É um chamado para guardar o que não pode ser guardado e perder o que não pode ser perdido, vivendo com prudência diante da existência.

Atitude: Exige paciência, impaciência, pensamento e a capacidade de não ceder à violência interna.

domingo, 12 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (62)

A Europa ainda não está preparada, muito longe disso, para enfrentar um mundo caótico e ameaçador sem os Estados Unidos .

Nos últimos dias, vieram-me à memória as palavras de Robert Gates, secretário da Defesa de George W. Bush e de Barack Obama, quando, em Junho de 2011, veio à sede da NATO em Bruxelas despedir-se dos seus homólogos europeus. “Apesar de terem mais de dois milhões de soldados em uniforme, os membros europeus da NATO estão com dificuldades para manter entre 25 mil e 40 mil tropas no Afeganistão, não apenas botas no terreno, mas o apoio crucial, como helicópteros, aviões de transporte, manutenção, informações, vigilância e reconhecimento”, disse o então chefe do Pentágono.~~

“A pura realidade é que haverá uma diminuição do apetite e da paciência dos Estados Unidos para gastar fundos cada vez mais preciosos em nome de nações que não parecem dispostas a devotar os recursos necessários ou proceder às mudanças necessárias para se tornarem parceiros sérios e preparados para a sua própria defesa.” Terminou com um aviso: se este caminho não for revertido, “futuros líderes políticos da América, aqueles para quem a Guerra Fria não constitui a experiência formativa que foi para mim, podem considerar que as vantagens do investimento americano na NATO não merecem o seu custo.”  (Teresa de Sousa, Público

Felicidade E Amor


A felicidade é frequentemente associada ao amor, tanto próprio quanto ao próximo, sendo descrita como uma energia dinâmica e uma forma de conexão profunda que traz satisfação. Embora o amor-próprio seja fundamental para a resiliência e o bem-estar, o amor romântico pode trazer tanto imensa alegria quanto intensas angústias.

A Relação entre Felicidade e Amor:

Amor-próprio: É a base para a aceitação e o bem-estar, essencial para enfrentar as dificuldades da vida.

Conexão Humana: A verdadeira felicidade está ligada à conexão, como pais, filhos, amigos e casais, sendo o amor o "adubo" para o terreno da felicidade.

O Paradoxo do Amor: A experiência de amar pode ser contraditória, combinando alegria com sofrimento, como descrito por Freud sobre a vulnerabilidade amorosa.

Independência Emocional: A felicidade interna permite sentir-se completo, sem depender exclusivamente de um relacionamento para ser feliz.

Em suma, a felicidade pode ser encontrada na arte de amar, mas também na valorização de si mesmo e nas relações autênticas

sábado, 11 de abril de 2026

O Mundo Se Retirou De Nós


Hoje, não há mais mundo de que uma pessoa possa retirar-se.
O mundo se retirou de nós. E a solidão
é como um convento gigantesco em que,
na rua, nos transportes colectivos, na cama,
olhamos a vizinhança com a mesma convicção
com que os carmelitas descalços ao cruzarem-se no claustro
mutuamente se saudavam dizendo
que era preciso morrer.
Na dor, na alegria, no prazer, em tudo,
somos monges laicos cuja morte sobrevém
de uma qualquer maneira estúpida e sem graça.
E o nosso olhar de espanto não é o de termos sido
colhidos de surpresa antes de estar salva a alma,
mas o de ela estar salva, desde que o mundo
se retirou de nós. É o olhar de espanto do funcionário público
que descobre, ao contarem-lhe o tempo de aposentadoria,
que nunca figurara na folha de pagamento,
nem no quadro dos funcionários efectivos,
ou mesmo sequer nas listas do comissariado
do desemprego. Não tem direito sequer
à agonia que todavia sente como antigamente
era sentida a que justificava tudo:
o prazer de decidir entre duas coisas:
o ir ou o ficar, o estar ou o partir,
O ter-se uma alma que jogar e perder.

(Jorge de Sena)

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Lei Laboral

 O que dizer a propósito das negociações sobre a lei laboral? Quando tudo fica igual, não é prudência, é estagnação. E essa, ao contrário do que se diz, não é uma posição neutra, é uma escolha.  (Ricardo Santos Ferreira, J Económico)

As 53 reuniões entre o Governo, a UGT e os patrões para mudar a lei do trabalho são uma anedota embrulhada numa tragédia nacional pintada em tons de farsa. Tanta conversa, tanta informação martelada e, um ano depois, continua tudo na mesma. Será o Parlamento a decidir a cena dos próximos capítulos, o que na verdade talvez até seja mais democrático – mais representativo do país –, embora ainda tenhamos de suportar mais algum teatro sindical até a Assembleia da República agarrar no volante. A sindicalização anda mesmo pelas ruas da amargura, a UGT representa formalmente menos de 3% dos trabalhadores, o que não só a inferioriza nas negociações como também ajuda a explicar o seu total afastamento da realidade. 
(Tópicos do texto de André Macedo, J Eonómico

Na verdade, a UGT e a CGTP são cada vez mais apenas satélites partidários sem pensamento próprio. São organismos caducos que exibem com orgulho delirante uma vasta coleção de ideias anacrónicas que não servem o país nem as pessoas. Também há empresários e gestores assim, moradores com residência fixa na aldeia dos ignorantes e prepotentes, mas o mercado, os consumidores e até os próprios trabalhadores em regra encarregam-se de resolver o problema – não que a mão invisível seja remédio para tudo, mas em muitos assuntos a concorrência é remédio santo.

Embriagai-vos


É necessário estar sempre bêbado. Tudo se resume a isso, eis o único problema. Para não sentir o fardo horrível do tempo, que abate e faz pender a terra, é preciso que nos embriaguemos sem cessar. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achar melhor. Contanto que nos embriaguemos.

E se, algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do nosso quarto, você despertar com a embriaguez já atenuada ou desaparecida , pergunta ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunta-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder.

- É a hora da embriaguez! Para não ser martirizado pelo tempo, embriagai-te. Embriaga-te sem tréguas.

De vinho, de poesia, ou de virtude, como achar melhor"

(Charles Baudelaire)

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde