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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Na Sombra Das Coisas


Gosto de ficar na sombra das coisas
no segredo delas, gosto
de entranhar a criação
de vagar como as ideias
como a arte que se entranha
e, incerto, incauto
renasço a cada dia.

(Adonis)

Tradução de Michel Sleiman

Nota: Esta frase evoca o espírito de Adónis  (Ali Ahmad Said Esber), um dos maiores poetas vivos da língua árabe, cuja obra mergulha precisamente no mistério, na redefinição do sagrado e na "mística da claridade".

Ver além do visível: Para Adónis, a poesia não descreve a realidade; ela cria-a de novo, revelando o que está oculto sob a superfície do quotidiano.

Abrace a incerteza: Habitar o segredo é aceitar que nem tudo precisa de ser explicado pela lógica racional.

A busca da identidade: Como ele escreve em muitas das suas obras, a verdade não é um destino, mas o próprio caminho da procura.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (11)

Quanto a André Ventura, Montenegro já está em fase de controlo de danos. Na sua pior noite, o presidente do PSD tomou a sua melhor decisão: não apoiou Seguro , assim evitando no futuro que Ventura o acantone com o PS como “bloco central” do sistema que tem de unir-se para o vencer.  (Pedro Santos Guerreiro, CNN)

O mal que já está feito. Mesmo se Ventura perder à segunda volta.

Mas se Montenegro apoiasse Seguro, Ventura diria ainda outra coisa: que só quando todos os partidos do sistema se unem é que ele perde; que tinha sido assim nas presidenciais e assim teria de ser nas legislativas; e que AD e PS, que andam a aprovar orçamentos juntos, são o “lado de lá” de Ventura, o “sistema” contra ele. É assim que acontece há anos em França.

O resultado das presidenciais trouxe Montenegro à terra, contrariando o seu excesso de otimismo e de confiança dos últimos meses. O grande resultado de Ventura somado ao grande resultado de Cotrim são um duche gelado de realidade, tanto que o discurso final de Cotrim – de que os seus 900 mil votos são o princípio de qualquer coisa – são uma ameaça a “esta” Iniciativa Liberal e a “este” PSD. 

Montenegro tem de perceber como é que mesmo baixando impostos, dando borlas no crédito à habitação e prometendo reformas, não mobiliza esta população jovem. 

Já não há boas soluções: ao contrário da frase do candidato Tiririca, pior que está ainda fica. E Montenegro não é partidário da resistência, mas da sobrevivência. Quando se põe a olhar, vê-se ameaçado por vários lados, dois à direita e um à esquerda. E quando se põe a escutar, ouve um som familiar, minimal, repetitivo, um tiquetaque, tiquetaque, tiquetaque…

On peut danser partout, et c'est cela qui est beau.


Podemos dançar em todos os lugares e é isso que é maravilhoso ! 

A beleza da dança está na sua versatilidade e liberdade, não importa o ambiente ou os estilos de dança, tudo se adapta, fluindo com leveza e emoção. É uma arte que não exige cenários luxuosos ou equipamentos caros; basta o desejo de se mover ao ritmo da música ou mesmo no silêncio. Essa liberdade faz da dança um instrumento poderoso de expressão e conexão, capaz de transformar qualquer espaço em um palco de sentimentos e histórias.       (Hervé Koubi)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta è A Frase (10)

Luís Montenegro que é sem dúvida o vencido que enfrenta desafios mais difíceis de ultrapassar. Neste momento, como dizem os brasileiros, “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Se apoiar André Ventura corre o risco de dividir ainda mais o partido – e de sair de novo derrotado. Se apoiar Seguro pode dividir menos o partido, mas dá campo aberto a Ventura para o seu discursos anti-sistema. Mas o pior dos seus problemas está para chegar ao longo deste ano. Tudo indica que Ventura não ganha as presidenciais, mas vai ter uma votação que lhe permite dizer que é o líder da direita. O que fará Ventura com essa liderança? Mais do que responder a essa pergunta, Montenegro vai ter de ser capaz de ter um golpe de génio que faça o seu eleitorado acreditar, especialmente o mais jovem, que está a resolver os problemas do país. Tem à sua frente um desafio de sobrevivência.        (Helena Garrido, OBSR)

Nota: "Para bom entendedor, meia verdade basta"

O Mundo Está Devolvido Ao Prazer De Odiar

O mundo está devolvido ao prazer de odiar. É uma constante da política e da natureza humana – O inconfundível prazer que o domínio e a humilhação do outro causam nas mentes primárias e nos intelectos mais elevados.  (Carlos Marques de Almeida, ECO)

Quando Trump recebe o prémio Nobel da paz que não lhe foi atribuído, tal gesto diminui a simbologia do prémio e funciona como uma humilhação do real destinatário. Quando Trump anuncia a expansão territorial da América através da anexação da Gronelândia, tal declaração desafia toda a construção de uma ordem internacional que projecta a humilhação de uma nação aliada e cooperante. 

E se algum país soberano não concordar com a soberania universal da América então dispara-se a arma das tarifas aduaneiras transformadas numa espécie de míssil de cruzeiro económico. Há qualquer coisa que aproxima estas declarações políticas da lógica das expedições punitivas para efeitos de pacificação da ordem internacional. É a nova versão da Pax Americana.

O ódio em política não é um atributo particular à direita ou à esquerda. O ódio é uma parte constitutiva da política – Maquilhado com a hipocrisia, disfarçado com a justiça, impulsionado com a cultura. O ódio é um dispositivo político que provoca um profundo sentido de identidade e uma ideia de destino manifesto. 

O ódio é uma emoção política que se liberta do medo, da inveja, do preconceito, do desejo puro de poder. O ódio permite unir comunidades inteiras contra um inimigo comum. 

O mesmo ódio que faz da política um exercício irracional associado a decisões destrutivas que podem ameaçar a harmonia social de uma comunidade e armadilhar qualquer sentido de realização pessoal. O ódio consolida as divisões e fortifica as fronteiras. 

O estado actual do mundo passa pela consolidação das divisões e pela fortificação das fronteiras. Fronteiras políticas e económicas. Contra uma versão lírica do Direito Internacional, o ódio é a mais eficaz máquina do medo. (ler aqui texto na íntegra)

Recomeço ...

 

“Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.”

             ( Miguel Torga)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (9)

É vital conhecer o que pensa sobre Política Externa e de Defesa quem procura assumir a Presidência da República num contexto de paralisia do Conselho de Segurança da ONU, de crise nas relações transatlânticas, de esforço armamentista na UE e de potencial conflito no Indo-Pacífico. “O Presidente próximo encontra o mundo e a Europa numa situação mais complicada do que eu encontrei”, fez questão de dizer na sexta-feira quem está agora de saída, em jeito de alerta para quem tenta entrar em Belém.    (Leonídio Paulo Ferreira, DN)

Acolhedores ...


como fogueira
crepitante
em fria noite campestre

/fria tanta
que nem a lua
comparece /

mesmo que
juntas ao longe
estrelas incendeiam
dando impressão
que a via láctea inteira...
aquecem/

são teus versos
que confortam
e do meu frio
se compadecem

(MSS)

domingo, 18 de janeiro de 2026

A Frase (8)

 Liderar num mundo sem margem para irresponsabilidade - Entre geopolítica, inteligência artificial e crise climática, a liderança responsável deixou de ser um atributo reputacional para se tornar um critério de sobrevivência económica.    (Felipe Martins, J Negócios)

Nos últimos meses, exemplos de naturezas muito distintas têm exposto o mesmo problema de fundo. A instrumentalização do discurso democrático em contextos de pressão geopolítica e económica, a divulgação de envolvimentos empresariais em contextos de conflito que levantam sérias questões éticas, ou ainda a confirmação, pela World Meteorological Organization, de que 2025 figura entre os três anos mais quentes alguma vez registados, revelam uma realidade comum: as decisões com maior impacto global continuam a ser tomadas sem responsabilidade proporcional às suas consequências. (...)

A presença simultânea de responsáveis políticos como Ursula von der Leyen, líderes multilaterais como António Guterres e executivos tecnológicos como Satya Nadella ilustra bem a transversalidade do desafio. Em esferas distintas, todos enfrentam a mesma exigência de saber liderar num contexto de fragmentação, aceleração tecnológica e pressão social crescente, onde a margem para decisões neutras ou isentas de impacto é cada vez menor.

Num mundo marcado por volatilidade geopolítica, disrupção tecnológica e erosão da confiança, liderar deixou de significar apenas definir estratégia ou otimizar resultados. Passou a significar assumir responsabilidade pelas consequências económicas, sociais e humanas das decisões tomadas, incluindo aquelas que só se tornam visíveis a médio e longo prazo. É neste ponto que o conceito de liderança responsável ganha densidade prática, não como rótulo aspiracional, mas como capacidade real de governar tensões entre "stakeholders", horizontes temporais e expectativas sociais frequentemente contraditórias. (ler texto na íntegra) (...)

As Tuas Palavras Essenciais

 

Quais são as tuas palavras essenciais? As que restam depois de todo o seu projeto e projetos e realizações. As que esperam que tudo em si se cale para elas se ouvirem. As que talvez ignore por nunca teres pensado. As que podem sobreviver quando o grande silêncio se avizinha.        (Vergílio Ferreira)

Nota: Nunca gaste as palavras. As palavras podem perder o significado caso sejam utilizadas demasiadas vezes. Queremos dizer com isto que existem certas palavras que são tão fortes e tão importantes que só devem ser utilizadas quando realmente são necessários porque, caso contrário, perdem o seu significado. E quando uma palavra perde o seu real significado e o seu poder, muita coisa má pode acontecer.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde


Talvez O Poder Populista Funcione Assim




Talvez o poder populista funcione exatamente assim – não como argumento, mas como flauta. Não convence, encanta; não explica, ritma. Promete ordem onde há medo, pertença onde há exclusão, destino onde há dispersão. Como os ratos de Hamelin, os corpos seguem porque o som aparenta organizar o caos interior, porque a cadência alivia a angústia de decidir sozinho. As eleições, nesse sentido, tornam-se menos um exercício de escolha do que um movimento coreografado: avança-se ao som que mais claramente impõe o passo, mesmo quando esse passo conduz ao rio. O flautista não empurra ninguém – limita-se a tocar. E é precisamente isso que o torna perigoso: ele sabe que a obediência nasce do prazer, não da força; da escuta, não da violência.

Quando o som cessa – porque ele cessa sempre – será já tarde: os que o seguiram confundiram vontade com ritmo, escolha com marcha, liberdade com o simples alívio de não ter de resistir às sinistras musiques d’un autre monde.   (Paulo Ramos, OBSR)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Ouvir O Coração

Tenho rezado paciência aos dias que seguem. Tenho implorado bom senso. Tenho ponderado e agido por impulso na mesma intensidade, e não mais pensando tanto antes de agir. Às vezes, 
tudo que a gente precisa é ouvir o coração, por mais que digam por aí que isso é ridículo. 
Ninguém é tão razão que não se sinta emocionado. Ninguém é só emoção 
que não saiba reconhecer em algum momento 
a hora certa de dizer não, de parar ou voltar atrás.

(Matheus Rocha)

Nota:
Tracking Poll (Pitagórica) :
Os resultados conhecidos esta sexta-feira, foi recolhida uma amostra de 1200 entrevistas durante os dias 13, 14 e 15 de janeiro de 2026, com um grau de confiança de 95,5%, o que corresponde a uma margem de erro máxima de ±2,89%.

António José Seguro – 25,1%
André Ventura – 23,0%
João Cotrim de Figueiredo – 22,3%
Henrique Gouveia e Melo – 11,6%
Luís Marques Mendes –11,5%
António Filipe – 2,4%
Catarina Martins –2,2 
Manuel João Vieira – 0,6%

Notícias Ao Fim Da Tarde