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sábado, 25 de abril de 2026

Nada É Impossível De Mudar

 
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.

Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar. 

 (Bertolt Brecht )

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Do Dia

Esta É A Frase (71)

Portugal tem das legislações laborais mais rígidas da OCDE, especialmente nos contratos sem termo. Para compensar esta rigidez, que dificulta a adaptação, as organizações, as empresas refugiam-se nos contratos a prazo e nos recibos verdes, na precariedade.      (Ricardo Ramos Ferreira, J Economico)

Para compensar esta rigidez, que dificulta a adaptação, as organizações, as empresas refugiam-se nos contratos a prazo e nos recibos verdes, na precariedade. O peso dos contratos a termo em Portugal supera as médias da União Europeia e da OCDE. Aliás, está próximo do topo, onde se encontra Espanha. Segundo dados do Eurostat, de 2024, temos o segundo maior peso de vínculos de trabalho temporários na UE entre os trabalhadores entre os 20 e os 64 anos, com 13,5%. Só somos superados pelos Países Baixos. Estamos 3,5 pontos percentuais acima da média. 

Estas duas situações estão interligadas: proteção elevada nos contratos permanentes e elevada utilização de contratos temporários. É assim que a OCDE o lê. Sofrem mais os jovens, aqueles que querem aceder ao mercado e não conseguem, porque este está encerrado. Portugal é, consistentemente, o segundo país da UE com maior incidência de emprego temporário de jovens até aos 29 anos. Em 2024, eram 40,2%, quase 10 pontos acima da média. Somos também dos países com mais elevada taxa de desemprego jovem, acima de 18%, mais três pontos do que a média europeia, mais seis do que a da OCDE.    (Texto na íntegra

Reflexão


A Pedra

O distraído nela tropeçou...
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, cansado da lida, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já, Davi, matou Golias, e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura...
E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem!

Não existe "pedra" no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento.
Independente do tamanho das pedras, no decorrer de sua vida. não existirá uma, que você não possa aproveitá-la para seu crescimento espiritual. Quando a sua pedra atual, tenho certeza que Deus irá te dar sabedoria, para mais tarde olhar para ela, e ter orgulho da maravilhosa experiência que causou em sua vida, no seu crescimento espiritual. 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Assim Acontece

A UGT numa encruzilhada difícil: preservar a coerência interna ou manter influência num processo legislativo que, com ou sem ela, avançará.    (Filipe Alves, DN)

O resultado provável é, pois, a lei ser aprovada graças a um entendimento entre o Governo e o Chega. O Presidente assegurará o escrutínio constitucional, mas não deverá travar o processo. O Governo avançará com a reforma e o Chega poderá reclamar o mérito de a ter “suavizado”. E os sindicatos? Ficarão, mais uma vez, a ver o centro de decisão deslocar-se para fora da Concertação Social.~

Com tanos tribunais, entidades, comissões e mecanismos, com tanto filtro para a transparência colocado um sobre o outro, já não se vê para o outro lado; só sombras.  (Alexandre Borges, OBSR)

Voltamos ao paradoxo da era IA: quanto mais avançamos na automação, mais dependemos de capacidades fundamentalmente humanas. Numa sociedade saturada de conteúdo, o julgamento humano ganha centralidade. E o futuro da comunicação assentará na confiança. Afinal, dizem que é a base de qualquer relação.     (Henrique Costa Santos, ECO)

Inteligência Artificial (IA) integra hoje o quotidiano das equipas de comunicação. Os ganhos são incontestáveis. Da produção de conteúdos à análise de dados, da personalização de mensagens ao planeamento estratégico ganhámos velocidade, escala e eficiência. 

Contudo, a generalização desta capacidade de planear, produzir e veicular informação a esta escala tem como efeito colateral uma inundação de informação. Esta saturação de conteúdo dilui a diferenciação e aumenta o ruído. Ora, se, por um lado, nunca foi tão fácil comunicar, torna-se cada vez mais difícil confiar naquilo que lemos, vemos e ouvimos.

A Sua Razão É Fraca Se ...

Aquele que fundamenta seu argumento no escândalo e na briga mostra que sua razão é fraca.”

(Montaigne) 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (70)

 Hoje, ao olharmos para o texto constitucional de 1976, devemos celebrar, acima de tudo, a capacidade que tivemos em 1982 de o reformar para servir os cidadãos e não uma ideologia de comando. O desafio de agora deveria ser idêntico: perceber que a liberdade é um processo contínuo e que, sem novas reformas de fundo que libertem a economia do centralismo sufocante, corremos o risco de estar todos os anos a celebrar uma liberdade que é, cada vez mais, apenas formal.           (Ricardo Simões Ferreira,  DN)

Ao celebrarmos os 50 anos da Constituição de 1976, é imperativo reconhecer que o fôlego da nossa democracia não nasceu na versão original, mas sim no fim da tutela militar e no resgate da iniciativa individual que apenas a revisão de 1982 permitiu.

A verdadeira viragem do país, o momento em que Portugal começou a alinhar o seu relógio com o Mundo Ocidental, desenvolvido, só ocorreu com a revisão constitucional de 1982. Até esse momento, o país era um caso anómalo na Europa.

Houve obra feita no início dos anos 90 — até porque estava tudo por fazer, e foi verdadeiramente o único período em que convergimos a sério com a média da Europa. Mas depois, estagnámos. Há mais de 30 anos que o país teima em centralizar decisões, sufocando as periferias e a iniciativa individual com uma burocracia que é a herança viva desse espírito estatista que nunca foi totalmente derrotado.

Avizinhar-se Do Silêncio

Creio que é absolutamente urgente revisitarmos com outro apreço os territórios dos nossos silêncios e fazermos deles lugares de troca, de diálogos, de encontros. O silêncio é um instrumento de construção, é uma lente, uma alavanca. As nossas sociedades investem tanto na construção de competências na ordem da palavra (e pensemos como a escolarização está ao serviço da capacitação dos indivíduos em ordem a um funcionamento eficaz com a palavra) e tão pouco nas competências que operam com o silêncio! 

Somos analfabetos do silêncio e esse é um dos motivos por que não encontramos paz. O silêncio é um traço de união mais frequente do que se imagina, e mais fecundo do que se julga. O silêncio tem tudo para se tornar um saber partilhado sobre o essencial. Mas para isso precisamos de uma iniciação ao silêncio, que é o mesmo que dizer uma iniciação à arte de escutar.

Numa cultura de avalanche como a nossa, a verdadeira escuta só pode configurar-se como uma re-signifícação do silêncio, um recuo crítico perante o frenesim das palavras e das mensagens que a todo o minuto pretendem aprisionar-nos. A arte da escuta é, por isso, um exercício necessário de resistência.

(José Tolentino Mendonça)