segunda-feira, 8 de agosto de 2022

A Frase (171)

Orcas vs humanos: apostas? -  Convém recordar que estamos no ambiente destes animais. Convenhamos que ninguém entra na savana africana de forma desprotegida. A questão que se coloca é o que deve uma embarcação fazer ao cruzar-se com uma orca.    (João Correia, Público)

Consciência ...


A consciência é uma pequena lanterna que a solidão acende à noite.
  
(Madame de Staël)

domingo, 7 de agosto de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (171)

As acções americanas ou ocidentais no Chile, no Iraque ou no Vietname não têm desculpa e são condenáveis, tanto quanto as de qualquer outro país em qualquer outra latitude. A grande diferença consiste na capacidade, ao alcance dos povos e dos partidos das democracias e do Ocidente, de debater, criticar, corrigir, melhorar e derrotar aquelas iniciativas e seus autores. A liberdade e o Estado de direito fazem a diferença. Mas há quem não perceba.       (António Barreto. Público)

A Maldade Como Poderoso Elemento Do Progresso Humano

 

Os sentimentos fixos e de forma constante qualificados de paixões constituem, também, possantes factores de opiniões, de crenças e, por conseguinte, de conduta. Certas paixões contagiosas tornam-se, por esse motivo, facilmente colectivas. A sua acção é, então, irresistível. Elas precipitaram muitos povos uns contra os outros nas diversas fases da história. As paixões podem excitar a nossa actividade, porém, alteram, as mais das vezes, a justeza das opiniões, impedindo de ver as coisas como realmente são e de compreender a sua génese. Se nos livros de história são abundantes os erros, é porque, na maior parte dos casos, as paixões ditam a sua narrativa. Não se citaria, penso eu, um historiador que haja relatado imparcialmente a Revolução. O papel das paixões é, como vemos, muito considerável nas nossas opiniões e, por conseguinte, na génese dos acontecimentos.                                                                           Gustave Le Bon, em 'As Opiniões e as Crenças')

sábado, 6 de agosto de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (170)

 O que se passa em Taiwan estava escrito desde o início da guerra na Ucrânia e a ‘desmiolada’ Nancy Pelosi só veio dar mais gás a essa possibilidade. Se a China invadir Taiwan o que farão os americanos? Vão defender o pequeno país, dando início à guerra global?     (Vítor Rainho, SOL)

Todas As Sensações



Nada me prende, a nada me ligo, a nada pertenço.
Todas as sensações me tomam e nenhuma fica.
Sou mais variado que uma multidão de acaso,
Sou mais diverso que o universo espontâneo,
Todas as épocas me pertencem um momento,
Todas as almas um momento tiveram seu lugar em mim.
Fluído de intuições, rio de supor - mas,
Sempre ondas sucessivas,
Sempre o mar - agora desconhecendo-se
Sempre separando-se de mim, indefinidamente.

(Fernando Pessoa) 

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (169)

 Não, não está tudo bem. E se a resiliência nacional é potenciada pelas cada vez mais frequentes dificuldades que enfrentamos, a falta de perspetivas e de uma luz ao fundo do túnel vai empurrar os mais capazes para longe, por mais força e vontade que tenham de ajudar a melhorar o que é seu. Vencer o Adamastor é parte intrínseca do que somos, mas se das Tormentas nunca se faz Esperança, até os mais bravos perdem a coragem.                   (Joana Petiz, dinheiro vivo)

A inflação continua a escalar, entre os efeitos da guerra e os de uma transformação energética apressada à força de castigos; o crescimento do país arrefece, apesar da maior injeção de dinheiro que Portugal alguma vez recebeu; o desemprego mantém-se baixo, muito graças a formações e baixas por doença, mas também à boleia da maior crise de mão-de-obra que alguma vez vivemos; Bruxelas conseguiu (como se esperava) passar o corte no consumo de energia que vai dificultar ainda mais a produção das empresas e diminuir o conforto das famílias; os juros começaram a descolar do zero numa tentativa de travar uma taxa de inflação que já está em Portugal em máximos de 30 anos, acima dos 9%, ameaçando a já muito debilitada capacidade dos portugueses de pagar as contas e cumprir os compromissos ao final do mês.

O brio, a teimosia de ficar e lutar, a resiliência cujo nome damos a um programa de recuperação sem verdadeiramente disponibilizar os instrumentos para que se materialize uma recuperação têm limites na parede da inflexibilidade surda de quem persiste no erro esperando resultados diferentes.

Num país estruturalmente defeituoso, onde se insiste em derrubar o que funciona e atacar os sintomas em vez de enfrentar corajosamente a doença, não pode haver melhorias. É preciso empenho e esforço coletivo em prosseguir resultados, entendendo que valores são imprescindíveis, que pedras há que remover do caminho, que apostas levam ao êxito e que falsas ilusões de melhoria são apenas cantos de sereia a conduzir-nos ao precipício. E só é possível contorná-los dando ouvidos a quem está no terreno, vendo pelos olhos de quem está dentro da tempestade, andando nas pegadas de quem sabe o caminho de cor.

Portugal, os portugueses, têm coragem, têm capacidade, mas não chegarão longe sem velas que lhes permitam tirar partido da mais ténue brisa para alcançar bons portos. Içá-las será suportar a viagem que a todos mostrará novos destinos, mesmo que a eles aportemos em frágeis barcaças. Rasgá-las será condenar um país à eterna deriva, à mercê dos elementos e da caridade alheia até definharmos por completo.

Dá-me



Dá-me algo mais que o silêncio ou doçura
Algo que tenhas e não saibas
Não quero dádivas raras
Dá-me uma pedra

Não fiques imóvel fitando-me
como se quisesses dizer
que há muitas coisas mudas
ocultas no que se diz

Dá-me algo lento e fino
como uma faca nas costas
E se nada tens para dar-me
dá-me tudo o que te falta!

(carlos edmundo de ory)


quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (168)

 Entre o confinamento e o inconcebível “cada um por si” - O Estado tem a obrigação de antecipar as consequências e o impacto nos hospitais, de ter um plano para acolher os cidadãos e não os deixar à sua sorte.     (Carla Neves Matias,ECO)

O Covidário (contentores) é um local onde os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e auxiliares são insuficientes e estão esgotados, e a quem já falta a capacidade de assegurar aos doentes um pouco de conforto e um mínimo de dignidade. A dignidade numa cama de hospital é, acreditem, um último reduto da nossa condição humana.

As autoridades competentes decidiram esquecer o assunto Covid e deixar quase ao abandono, doentes e profissionais de saúde, aqueles a que num passado recente batemos palmas pelo espírito de sacrifício e resiliência.

O isolamento impede a vista dos familiares e gera uma enorme ansiedade para todos. Aos familiares é permitido saber notícias, por telefone, em dois momentos: durante 1 hora no período da manhã e durante 1 no período da tarde. Podemos facilmente antecipar que obter notícias depende da sorte, tal como num concurso da TV. Só que estamos perante algo muito sério! 
(leia aqui texto completo que relata a situação em que se encontram internados muitos utentes na maioria dos hospitais portugueses)

Epígrafe Para A Arte De Furtar


Roubam-me Deus
outros o Diabo
– quem cantarei?

roubam-me a Pátria;
e a Humanidade
outros ma roubam
– quem cantarei?

sempre há quem roube
quem eu deseje;
e de mim mesmo
todos me roubam
– quem cantarei?

roubam-me a voz
quando me calo,
ou o silêncio
mesmo se falo
– aqui del rei!

(Jorge de Sena)

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (167)

A interrogação a respeito de Gouveia e Melo não é se ele pode ou não ganhar a corrida a Belém, porque já se viu que sim. Interessa é saber o que ele faria com esse poder e como atuaria para transformar a sociedade portuguesa cheia de insuficiências.                      (Eduardo Oliveira e Silva, Ji