
Quando toda a gente esperava bombas, Trump resolveu oferecer tempo. Em vez do fogo, avançou com o prolongamento do cessar-fogo até Teerão apresentar uma proposta e até as conversas chegarem a alguma coisa palpável que tenha frases e parágrafos. Não levantou o bloqueio, não retirou a ameaça, não desmobilizou os instrumentos de coacção. Limitou-se, para já, a trocar a moca pelo garrote. É talvez uma maneira mais polida de apertar o pescoço, mas pouco mais do que isso.
A República Islâmica declarou vitória, enfim o que qualquer tirania com pergaminhos e pretensões faz nestas ocasiões. Araghchi repetiu que o Irão não negocia sob ameaça, e outro responsável explicou que Teerão não aceita conversações conduzidas como rendição.
A República Islâmica declarou vitória, enfim o que qualquer tirania com pergaminhos e pretensões faz nestas ocasiões. Araghchi repetiu que o Irão não negocia sob ameaça, e outro responsável explicou que Teerão não aceita conversações conduzidas como rendição.
Tudo previsível. Regimes destes vivem da fabricação contínua de aparências. Precisam de converter cada paragem alheia num triunfo próprio, nem que para isso tenham de se contorcer com a elasticidade facial que as ditaduras desenvolvem quando a realidade lhes é hostil. (Tópicos do texto de José António Rodrigues do Carmo, OBSR)







