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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Assim Acontece

A UGT numa encruzilhada difícil: preservar a coerência interna ou manter influência num processo legislativo que, com ou sem ela, avançará.    (Filipe Alves, DN)

O resultado provável é, pois, a lei ser aprovada graças a um entendimento entre o Governo e o Chega. O Presidente assegurará o escrutínio constitucional, mas não deverá travar o processo. O Governo avançará com a reforma e o Chega poderá reclamar o mérito de a ter “suavizado”. E os sindicatos? Ficarão, mais uma vez, a ver o centro de decisão deslocar-se para fora da Concertação Social.~

Com tanos tribunais, entidades, comissões e mecanismos, com tanto filtro para a transparência colocado um sobre o outro, já não se vê para o outro lado; só sombras.  (Alexandre Borges, OBSR)

Voltamos ao paradoxo da era IA: quanto mais avançamos na automação, mais dependemos de capacidades fundamentalmente humanas. Numa sociedade saturada de conteúdo, o julgamento humano ganha centralidade. E o futuro da comunicação assentará na confiança. Afinal, dizem que é a base de qualquer relação.     (Henrique Costa Santos, ECO)

Inteligência Artificial (IA) integra hoje o quotidiano das equipas de comunicação. Os ganhos são incontestáveis. Da produção de conteúdos à análise de dados, da personalização de mensagens ao planeamento estratégico ganhámos velocidade, escala e eficiência. 

Contudo, a generalização desta capacidade de planear, produzir e veicular informação a esta escala tem como efeito colateral uma inundação de informação. Esta saturação de conteúdo dilui a diferenciação e aumenta o ruído. Ora, se, por um lado, nunca foi tão fácil comunicar, torna-se cada vez mais difícil confiar naquilo que lemos, vemos e ouvimos.

A Sua Razão É Fraca Se ...

Aquele que fundamenta seu argumento no escândalo e na briga mostra que sua razão é fraca.”

(Montaigne) 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (70)

 Hoje, ao olharmos para o texto constitucional de 1976, devemos celebrar, acima de tudo, a capacidade que tivemos em 1982 de o reformar para servir os cidadãos e não uma ideologia de comando. O desafio de agora deveria ser idêntico: perceber que a liberdade é um processo contínuo e que, sem novas reformas de fundo que libertem a economia do centralismo sufocante, corremos o risco de estar todos os anos a celebrar uma liberdade que é, cada vez mais, apenas formal.           (Ricardo Simões Ferreira,  DN)

Ao celebrarmos os 50 anos da Constituição de 1976, é imperativo reconhecer que o fôlego da nossa democracia não nasceu na versão original, mas sim no fim da tutela militar e no resgate da iniciativa individual que apenas a revisão de 1982 permitiu.

A verdadeira viragem do país, o momento em que Portugal começou a alinhar o seu relógio com o Mundo Ocidental, desenvolvido, só ocorreu com a revisão constitucional de 1982. Até esse momento, o país era um caso anómalo na Europa.

Houve obra feita no início dos anos 90 — até porque estava tudo por fazer, e foi verdadeiramente o único período em que convergimos a sério com a média da Europa. Mas depois, estagnámos. Há mais de 30 anos que o país teima em centralizar decisões, sufocando as periferias e a iniciativa individual com uma burocracia que é a herança viva desse espírito estatista que nunca foi totalmente derrotado.

Avizinhar-se Do Silêncio

Creio que é absolutamente urgente revisitarmos com outro apreço os territórios dos nossos silêncios e fazermos deles lugares de troca, de diálogos, de encontros. O silêncio é um instrumento de construção, é uma lente, uma alavanca. As nossas sociedades investem tanto na construção de competências na ordem da palavra (e pensemos como a escolarização está ao serviço da capacitação dos indivíduos em ordem a um funcionamento eficaz com a palavra) e tão pouco nas competências que operam com o silêncio! 

Somos analfabetos do silêncio e esse é um dos motivos por que não encontramos paz. O silêncio é um traço de união mais frequente do que se imagina, e mais fecundo do que se julga. O silêncio tem tudo para se tornar um saber partilhado sobre o essencial. Mas para isso precisamos de uma iniciação ao silêncio, que é o mesmo que dizer uma iniciação à arte de escutar.

Numa cultura de avalanche como a nossa, a verdadeira escuta só pode configurar-se como uma re-signifícação do silêncio, um recuo crítico perante o frenesim das palavras e das mensagens que a todo o minuto pretendem aprisionar-nos. A arte da escuta é, por isso, um exercício necessário de resistência.

(José Tolentino Mendonça)

terça-feira, 21 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (69)

             O conflito com o Irão reúne condições para ser um separador histórico com alterações profundas na geografia política do mundo. (Helena Garrido, OBSR)

O conflito com o Irão já nos deu menos crescimento e mais inflação, desestabilizou os países do Golfo, agravou as tensões entre os Estados Unidos e os seus aliados europeus e reforçou o poder político e económico da China. O mundo depois do Irão, dependendo criticamente da forma como os EUA saírem do conflito, envolve já o sério risco de decadência do designado “império americano”, com a hipótese de entrarmos num mundo multipolar ou com a polaridade centrada na China. E de a Europa deixar de contar com os Estados Unidos na NATO, numa altura em que ainda não está preparada para se defender. E, claro, teremos um mundo com mais raiva no Médio Oriente, com o pior cenário no caso de nem se conseguir dar ao Irão um novo regime. 

Uma Vez Que Já Tudo Se Perdeu


Que o medo não te tolha a tua mão
Nenhuma ocasião vale o temor
Ergue a cabeça dignamente irmão
Falo-te em nome seja de quem for

No princípio de tudo o coração
Como o fogo alastrava em redor
Uma nuvem qualquer toldou então
Céus de canção promessa e amor

Mas tudo é apenas o que é
levanta-te do chão põe-te de pé
Lembro-te apenas o que te esqueceu

Não temas porque tudo recomeça
Nada se perde por mais que aconteça
Uma vez que já tudo se perdeu

(Ruy Belo)

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (68)

Os políticos continuam a ter sobretudo medo e sobretudo falta de coragem. A política receia as empresas transnacionais que têm uma nova soberania maior do que os países, a nova desordem internacional, a deriva especulativa dos mercados, o narcotráfico, o extremismo terrorista, as vagas de imigração, os partidos populistas, a inteligência artificial, o perigo da impopularidade, a verdade estática das sondagens, o abismo do desemprego, a ascensão das novas potências, o declínio das velhas potências. E com tantos motivos de medo não há espaço para a coragem de uma nova criatividade política. A criatividade política está sequestrada numa bomba de gasolina ameaçada por uma pistola de abastecimento.     (Carlos Marques de Almeida. ECO)