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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Saiba Como Vai Este País

 A discussão que importa não é se devemos reformar-nos mais cedo, mas sim como garantir pensões dignas num país que envelhece e, simultaneamente, como elevar a poupança e o investimento necessários para acelerar o crescimento económico e aumentar o ‘bolo’ para os ativos e os pensionistas.  (Óscar Afonso, SOL)

A proposta do Chega de reduzir a idade da reforma para os 65 anos, sem penalização, ou após 40 anos de descontos, em troca do apoio ao pacote laboral do Governo, poderá até ser popular, mas acarreta sérios problemas de sustentabilidade, sendo por isso uma proposta irresponsável, como aqui evidencio.

A proposta surge numa altura em que a Comissão Europeia (CE) acaba de voltar a alertar Portugal para a necessidade de reforçar a sustentabilidade do sistema público de pensões, nas recomendações do pacote de Primavera de 2026 do Semestre Europeu. O aviso é particularmente relevante porque assenta numa realidade demográfica difícil de ignorar: a população está a envelhecer, a população em idade ativa diminui e haverá cada vez menos trabalhadores para financiar cada vez mais pensionistas.

A discussão que importa não é, por isso, se devemos reformar-nos mais cedo, mas sim como garantir pensões dignas num país que envelhece e, simultaneamente, como elevar a poupança e o investimento necessários para acelerar o crescimento económico e aumentar o ‘bolo’ para os ativos e os pensionistas.

Reduzir transversalmente a idade da reforma pode render dividendos políticos imediatos, mas é claramente irrealista. Parece relativamente óbvio que o Chega arranjou uma desculpa para não aprovar o pacote laboral após ter percebido que gerou descontentamento em franjas relevantes da população – incluindo no seu eleitorado –, na sequência das greves gerais, percebendo que o governo não poderá ceder a essa exigência irresponsável, até por contrariar recomendações da CE.     


Medo Do Fim ...

 

Tememos as perdas. Tememos a morte. Talvez porque o nada é um abismo que assusta todos quantos têm uma vida com valor. Porque somos impelidos a defender o significado do que erguemos aqui. Não se quer aceitar que tudo quanto se construiu, durante uma vida, seja suprimido sem deixar rasto. Quantas vezes não é o momento do fim que se teme, mas antes o que se pode fazer até lá?

Caminhar rumo ao desconhecido é uma prova de coragem e de fé diante das evidências deste mundo. Os olhos não querem ver nem as pernas caminhar, mas o caminho faz-se pela ousadia de acreditar e esperar ainda mais, ainda melhor.

No final, o que importa mesmo é que tenhamos tido a força de fazer chegar aos outros o sorriso único que cada um traz no fundo de si... A essência. A alma. O amor. Quem não se ensinou a si próprio a viver assim, não estará preparado para viver depois do fim...         (José Luís Nunes Martins)

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (113)

Se esse acordo vier a ser efectivamente assinado na próxima sexta-feira, como está anunciado, será uma boa notícia para todo o Mundo, porque significa uma verdadeira redução das tensões político-militares naquela região e a criação de condições básicas para que seja reaberta a circulação marítima no Estreito de Ormuz, com consequente liberalização da circulação de produtos que essenciais para o funcionamento de diversos sectores económicos à escala global, e designadamente de petróleo e produtos refinados, de gás natural e de fertilizantes. Regressaremos, por isso, a um quadro de alguma normalidade, com algumas variações relativas à situação vigente em finais de 2025. A questão mais interessante será perceber o que verdadeiramente terá mudado, e o que ficará próximo do cenário anterior.

O acordo anunciado continua a alimentar dúvidas relativamente à sua solidez e sustentabilidade a longo prazo. Em primeiro lugar, parece-me visível que a administração americana estava muito pressionada pela deterioração das sondagens relativas às próximas eleições para o Congresso, e por razões legais domésticas não podia continuar a lançar ameaças de acção militar (e por isso as sucessivas prorrogações do cessar-fogo unilateralmente declarado, mesmo perante a falta de avanço nas negociações), e por isso aceitou o que conseguiu, não o que queria. E aceitou incluir o Líbano entre os territórios onde o cessar-fogo será aplicado, o que de modo algum pode satisfazer o governo de Israel, o que aumenta a incerteza

O acordo é frágil, mas mesmo assim é bem vindo. Queira Deus que consiga manter-se por muito tempo não significa isolamento tecnológico. Significa capacidade de decisão autónoma, resiliência face a dependências externas, e um modelo de governação que sirva os interesses nacionais e europeus. (Rui Mayer, J Económico)

Esta Ansiedade Absurda (...)

 
Esta ansiedade absurda, esta corrida
Para fugir o que o meu sonho alcança,
Para querer o que não há na vida!

(Olavo Bilac)

terça-feira, 16 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

O DNA Dos Ibéricos Permaneceu Praticamente Inalterado Durante Seis Séculos. Saiba Porquê.


O DNA dos ibéricos do nordeste da Península Ibérica permaneceu praticamente inalterado durante seis séculos.

Uma equipe de pesquisa da UAB analisou o genoma de 54 recém-nascidos com o objetivo de rastrear a história genética de sua cultura desde o início da Idade do Ferro até o começo do período romano, há cerca de 2.700 a 2.100 anos.Publicação revisada por pares

Universidade Autônoma de Barcelona

Apesar do contato com outras culturas mediterrâneas, a identidade genética do povo ibérico do nordeste da Península Ibérica, existente na Idade do Ferro, manteve-se em grande parte estável ao longo de seis séculos. Originários de populações locais da Idade do Bronze, evoluíram gradualmente sem grandes movimentos migratórios que provocassem alterações substanciais no seu ADN. Foi apenas com a chegada dos romanos que integraram novas influências genéticas que moldaram uma população mais diversa, em paralelo com as transformações políticas e sociais que ocorreram.

Essa é a conclusão a que chegou um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). Publicado na revista iScience , o estudo obteve a imagem mais completa e precisa até o momento da história genética e da evolução dos povos ibéricos que habitavam o nordeste da Península Ibérica desde o início da Idade do Ferro até a conquista romana, entre 2.700 e 2.100 anos atrás.

O estudo oferece uma visão global da ancestralidade genética, miscigenação e dinâmica demográfica da região, com base na análise do genoma de 54 recém-nascidos sepultados em casas e áreas produtivas de três sítios arqueológicos: Els Vilars (Arbeca, Lleida), do povo Ilergeta, que permitiu aos pesquisadores observar a transição da Idade do Bronze para a Idade do Ferro; Sant Miquel d'Olèrdola (Olèrdola, Penedès), pertencente ao povo Coseta, para analisar a Idade do Ferro Média; e El Camp de les Lloses (Tona, Barcelona), do grupo Ausetano, para a fase final e início da era romana.

Os pesquisadores esperavam encontrar uma influência genética externa maior, mas os resultados os surpreenderam: "Vemos que existe uma grande continuidade genética, que a população muda muito menos do que imaginávamos com base nas evidências arqueológicas das culturas mediterrâneas encontradas nesses povos, como os fenícios, gregos e cartagineses. Essas influências ocorreram, sim, mas de forma muito gradual", explica Cristina Santos, pesquisadora em Antropologia Biológica da UAB que liderou o estudo.

Não há migração em massa para explicar a cultura ibérica.

Os resultados descartam a hipótese de que a cultura ibérica tenha surgido de uma migração em massa e confirmam as indicações observadas em estudos anteriores: os grupos ibéricos emergiram da população local preexistente. Todos os indivíduos estudados apresentaram o perfil genético estabelecido pelos povos pré-históricos da Península Ibérica do Neolítico e da Idade do Bronze: ancestralidade dos Caçadores-Coletores Ocidentais (CCO), do Neolítico da Anatólia e da Idade do Bronze das Estepes ou Yamnaya.

Isso corroboraria a teoria de que a mudança na organização social para uma estrutura mais hierárquica, característica da cultura ibérica, não teria sido resultado de uma grande migração. "Arqueologicamente, é evidente que deve ter havido uma mudança cultural muito importante, mas observamos que o substrato genético se mantém. Nosso estudo sugere que essa mudança não teria sido associada a uma grande alteração genética", afirma Assumpció Malgosa, diretora do Grupo de Pesquisa em Antropologia Biológica (GREAB) da UAB e coautora do estudo.

A marca de outras culturas

O estudo detecta contatos ocasionais com outras culturas mediterrâneas, com indivíduos de Els Vilars e Olèrdola que podem ter tido ancestrais do Mediterrâneo oriental e/ou do Norte da África. Esses contatos em escala genômica também são visíveis no material recuperado em escavações arqueológicas desses sítios, que trouxeram à luz ânforas e outros objetos característicos das culturas fenícia, grega, púnica e itálica.

Já na Idade do Ferro, os ibéricos podem ter incorporado uma proporção maior do ancestral Yamnaya do que as populações da Idade do Bronze, além de influências de outras fontes mediterrâneas. “Este aparente aumento da ancestralidade estepária pode ser resultado do número ainda limitado de amostras da Idade do Bronze disponíveis, especialmente do nordeste da península, mas também pode estar ligado a migrações do leste europeu. Estamos agora trabalhando com mais amostras da Idade do Bronze e deste período para esclarecer essa questão”, explica Santos.

Uma transformação cultural e genética gradual ocorreu na época romana, visível nas construções e materiais recuperados no Acampamento de Les Lloses. Essa influência romana contribuiu para uma maior introdução de ancestrais mediterrâneos e norte-africanos. Estes últimos também podem ter vindo da cultura púnica, no sul da Península Ibérica, ou das Ilhas Baleares. Em todo caso, todas essas influências moldaram uma população ibero-romana mais diversa, embora esta tenha continuado a conservar uma forte assinatura genética dos ibéricos locais anteriores.

Uma rede de contatos ativos entre grupos ibéricos

A análise do DNA mitocondrial, herdado da mãe, confirma os resultados de um estudo anterior do mesmo grupo de pesquisa com amostras dos sítios deste estudo e de outros assentamentos ibéricos. "Apesar de não termos detectado diferenças significativas entre os diferentes grupos ibéricos, identificamos diferenças sutis nas linhagens, algumas das quais são mais frequentes em certos grupos", afirma Daniel Ruiz de la Cuesta Aguirre, primeiro autor deste estudo e do anterior. "Isso nos leva a crer que, embora os grupos interagissem entre si, possuíam certo grau de autonomia. E também corroboramos que a maioria dessas linhagens já estava presente na Península Ibérica antes da Idade do Bronze. Isso nos faz pensar que talvez as mulheres fossem locais, mas existem algumas linhagens que nunca haviam sido detectadas na península, o que implicaria alguma mobilidade feminina", acrescenta.

A pesquisa não revelou nenhum grau de parentesco entre os indivíduos estudados em Els Vilars. Em Olèrdola, descartou-se a possibilidade de duas crianças enterradas na mesma sepultura serem gêmeas ou parentes, enquanto em Les Lloses foram identificadas duas irmãs e dois parentes de segundo grau.

Quanto ao cromossomo Y, associado ao sexo masculino, ele detecta a chegada do componente das estepes que substituiu em grande parte as linhagens paternas anteriores na Península Ibérica durante a Idade do Bronze. No entanto, algumas linhagens neolíticas persistem, demonstrando continuidade com populações mais antigas.

"O nosso estudo revela o legado genético complexo e duradouro das comunidades ibéricas, uma das principais civilizações pré-romanas da Península Ibérica", destaca Cristina Santos. "Conecta genética e arqueologia: mostra que as trocas culturais também deixam uma marca biológica e, ao mesmo tempo, que a história muitas vezes não é feita de mudanças repentinas, mas de processos graduais com contactos humanos e culturais", conclui a investigadora da UAB.

Recém-nascidos ibéricos, material de estudo de grande valor

Os recém-nascidos ibéricos são muito valiosos para o estudo da cultura ibérica, dada a escassez de restos mortais de indivíduos dessa cultura, cujo principal rito funerário era a cremação. Em 22 dos 54 recém-nascidos estudados, a equipe de pesquisa conseguiu recuperar mais de 20.000 variantes genéticas (SNPs) de todo o genoma (a partir do painel de variantes utilizado em estudos de DNA antigo), além do genoma mitocondrial quase completo, e em outros nove recém-nascidos, o genoma mitocondrial foi recuperado.

As análises genéticas dos 54 recém-nascidos foram realizadas no Laboratório de DNA Antigo localizado na Faculdade de Biociências da UAB.

Participaram também na investigação investigadores das universidades de Granada, Lleida, Coimbra (Portugal) e Copenhaga (Dinamarca), e da Universidade Brown (EUA), bem como do Museu de Arqueologia da Catalunha e do sítio arqueológico, o Museu El Camp de les Lloses, e do Centro Australiano de ADN Antigo da Universidade de Adelaide (Austrália).

Jornal
iScience
DOI
10.1016/j.isci.2026.116186
Método de pesquisa
Estudo experimental
Tema da pesquisa
Amostras de tecido humano
Título do artigo
O panorama genético das comunidades do nordeste da Península Ibérica desde o início até o final da Idade do Ferro.
Data de publicação do artigo
3 de junho de 2026

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Inflama-me, Poente : Faz-me Perfume E Chama


Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama;
que o meu coração seja igual a ti, poente!
descobre em mim o eterno, o que arde, o que ama, ...
e o vento do esquecimento arraste o que é doente!

((Juan Ramón Jiménez)

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (112)

Todo e qualquer português que se preze pretende apenas extrair o máximo do Estado e devolver o mínimo à nação. Os portugueses não querem oportunidades. Os portugueses querem a oportunidade de um subsídio. Quando um português não procura um subsídio, tal significa que estamos na presença de um cidadão corrupto. A pobreza da nação tem uma causa que oscila entre o subsídio e a corrupção.

Nesta visão política do país fica bem presente o ressentimento histórico e a demolidora ideia de uma profunda inferioridade. Para garantir a modernidade e o progresso, o país tem apenas de erradicar toda a corrupção e toda a fraude nos sistemas de assistência social. O que é fantástico é a ideia política de um país pobre que apenas sabe roubar os mais pobres. O que é ainda mais fantástico é a ideia de que um país rico só pode existir quando todos os corruptos estiverem na prisão. Com pobres à solta e corruptos em liberdade não existe prosperidade nacional. Esta não é uma ideia de país porque é o modelo de uma colónia penal.    (Carlos Marques de Almeida, ECO)