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quinta-feira, 5 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (41)

Olhemos para as desculpas esfarrapadas de Passos para tentar disfarçar que é a sua vontade, e apenas isso, que o impele a querer voltar ao poder. Sobre esta súbita febre opinativa, alega que não surgiu por si, mas fruto de um apelo popular que nasce no mais fundo da portugalidade. “As pessoas, no fundo, acham que eu contraí algumas obrigações que não se esgotaram com o meu mandato de governo. Eu compreendo que seja assim e sinto que seja assim”.

“As pessoas” pedem (provavelmente essas “pessoas” têm nomes, como Miguel Morgado, Miguel Relvas e André Ventura, a comissão da frente da agremiação Viúvas de Passos, grupo com alguma tração em certos setores da direita), e o Pedro acede generoso a esse apelo. Logo ele, que sempre foi tão solícito a corresponder a apelos alheios… Seria cómico se… esqueça; é mesmo cómico.  (Filipe Santos Costa, CNN)

António Lobo Antunes (1942-2026)


António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, 5 de março, aos 83 anos.
Morreu um dos maiores escritores de língua portuguesa e um dos grandes da literatura mundial.
Deixa uma vasta obra O chefe de Estado assinalou dois títulos: De entre os seus mais de 30 romances, “Os Cus de Judas” (1979) e “Fado Alexandrino” (1983) “são considerados pela crítica os seus melhores livros”. Neste momento de dor e de perda, expresso as minhas mais sentidas condolências à família, aos amigos e a todos os os seus leitores.

Hoje Acordei Assim

 
Hoje eu acordei com o sol entrando pelas frestas da minha alma: 
desabrochando as flores que dormiam em meu sorriso, florescendo a vida em mim.
Hoje eu acordei com a esperança brilhando nos meus olhos, dando cor a toda beleza 
que silenciosamente a vida guarda.
Hoje, simplesmente acordei assim: feliz!

(EF) 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Nesta Novela, Faltam As Cenas Dos Próximos Capítulos

 
O Governo iraniano terá subavaliado o pouco respeito que o presidente norte-americano tem pela opinião da comunidade internacional. Mais uma vez, Trump não teve dúvidas em agir fora dos quadros do Direito Internacional.

O Mundo em que as relações internacionais assentavam no respeito pela soberania das nações e as questões se discutiam no Conselho de Segurança da ONU, mesmo com a imobilidade decorrente do uso do veto, tornou-se definitivamente uma coisa do passado. E passámos a viver num quadro muito mais instável, imprevisível e intrinsecamente perigoso.

Também em Portugal as últimas semanas vieram abrir outros temas de discussão, que ao
mesmo tempo tornam mais difícil a tão ambicionada estabilidade e dificultam a vida a Montenegro. É um facto que a falta de uma maioria clara no Parlamento incentiva a instabilidade. E que a dificuldade que o Governo tem tido para apresentar resultados face às grandes áreas de problema que o país atravessa, agravadas pelas tempestades de Janeiro e Fevereiro, não ajuda.

Mas a cereja no topo do bolo foi a inusitada declaração de Passos Coelho a abrir a discussão sobre eleições antecipadas. Mesmo com a contextualização posterior de que se estava a referir a eleições “quando houver eleições”, a frase não pode ser interpretada de outra maneira. Mas também não é novidade que o PSD tem uma enorme capacidade de fazer oposição a si mesmo – já Marcelo foi em tempos acusado de o fazer face a Santana Lopes… ( Excertos do texto de Rui Mayer, J Económico)

Nesta novela, faltam as cenas dos próximos capítulos.

Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
é urgente destruir certas palavras.
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

(Eugénio de Andrade)

terça-feira, 3 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Sinais Dos Tempos

Se os Estados Unidos quiserem os Açores, nós deixamos. Porque a alternativa é não deixarmos, levarmos umas bofetadas e ficarmos sem os Açores à mesma.   (José Diogo Quintela, OBSR)

O Irão percebeu rapidamente que este conflito não pode ser lido apenas como uma guerra entre si e Israel. A equação envolve Estados Unidos, Israel e Irão, com Washington já diretamente comprometido no teatro operacional. A estratégia de Teerão não é apenas resistir. É alargar.  (Miguel Baumgartner, J Económico

A lógica é fria e calculada. Se o impacto do conflito sair do campo de batalha e entrar nos mercados energéticos, nas rotas marítimas e nas economias europeias, então a pressão política desloca-se. O objetivo deixa de ser apenas militar. Passa a ser económico e psicológico. Transformar um confronto militar concreto numa crise regional com implicações globais. E, sobretudo, redistribuir o custo da guerra.

Trump é, paradoxalmente, um presidente de mandato único. Sem horizonte eleitoral futuro, o incentivo à moderação estrutural diminui. A tentação do gesto decisivo, do ato disruptivo, cresce. (Marcus Vinícius de Freitas, JEconómico)

Quando Trump afirma que a única coisa que o limita é sua própria moralidade, desloca-se o eixo da legitimidade. Já não se trata do direito internacional, das alianças tradicionais ou dos freios constitucionais. O limite passa a residir na consciência individual do líder. A formulação ecoa a antiga doutrina do poder divino dos reis: o governante responde apenas a Deus — ou, na versão contemporânea, à sua própria convicção moral.   

Essa dimensão ganha contornos ainda mais densos na relação com Israel. A aproximação estratégica entre Washington e Telavive não é apenas geopolítica; ela é também simbólica. Parte significativa do movimento evangélico norte-americano interpreta a centralidade de Israel como elemento escatológico, associado à narrativa dos “fins dos tempos”. Nesse imaginário, apoiar Israel não é apenas política externa — é cumprimento de um desígnio histórico.

Quem Pensa, Ri

Quem raciocina com intensidade e violência tem que expressar com descongestionamento. Rir não é não ter razão. Não há relação entre a solenidade e a verdade. Deixemos a seriedade aos que têm ideais em que perdem tempo e jeito. Pensemos, e acabemos de pensar com uma gargalhada.

A dor do mundo é grande? Talvez seja. Como não há metro para ela, não sabemos. Mas, ainda que seja grande, curar-se-á aumentando-a com a nossa?

Pensa a sério mas não com sério. Pensa profundamente, mas não às escuras. Quer fortemente, mas não com as sobrancelhas.

Sinceros? Quantos gramas de verdade é que a vossa sinceridade pesa?
Quem pensa, ri; só não ri quem só faz cara que pensa.
Ri, bruto!


 (Fernando Pessoa, 'Inéditos')