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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Esta É A Frase (99)

Não é preciso escolher entre SNS forte e rede convencionada funcional, mas sim mobilizar todos os recursos, ter regras claras, liberdade de escolha, menos ideologia e mais foco nas pessoas. 

 (Eduardo Moniz, OBSR)

Há debates em saúde que parecem técnicos até ao momento em que se traduzem na vida das pessoas. Falar de convenções, tabelas, referenciação ou digitalização pode parecer distante. Mas é aí que começa a diferença entre conseguir um exame ou um tratamento em tempo útil, ou ficar preso a um circuito que não responde quando a resposta é necessária.

Quando a liberdade de escolha existe no discurso, mas desaparece nos circuitos de prescrição, referenciação, marcação e realização dos atos de saúde. A liberdade de escolha não pode ser uma expressão decorativa.

Portugal precisa de um sistema de saúde integrado, plural e centrado no cidadão. Um sistema que não desperdice capacidade instalada, não confunda planeamento com centralização e não transforme a liberdade de escolha numa promessa vazia. O acesso não se decreta, constrói-se. E não se improvisa quando os utentes esperam.

Sobre A Mudança

 
As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias 
foi injetado o veneno do medo. Do medo da mudança. 
Só erra quem produz.
Mas, só produz quem não tem medo de errar. 

 (Octavio Paz)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde


Esta É A Frase (98)

Há um mérito que importa sublinhar. A decisão de simplificar antes de digitalizar revela uma visão que raramente encontramos na Administração Pública. A digitalização não é uma solução milagrosa. Não resolve processos mal desenhados, não elimina redundâncias, não substitui decisões políticas. Apenas acelera o que já existe. E, se o que existe é um sistema lento, opaco e excessivamente burocrático, a tecnologia apenas tornará mais evidente aquilo que sempre esteve errado. A verdadeira reforma começa na arquitetura, não no software.      (Filipe Alves, DN)

O Governo decidiu avançar com uma reforma do Estado que, apesar de anunciada com a serenidade de um gesto técnico, carrega dentro de si a densidade de décadas de adiamentos, hesitações e compromissos mal resolvidos. A intenção de reduzir o número de pareceres obrigatórios nos licenciamentos, permitindo que empresas e investidores deixem de percorrer um labirinto administrativo, que parece ter sido construído para testar a paciência de quem ainda acredita no potencial económico do país, é um passo que merece ser reconhecido.

A responsabilidade política não se mede apenas no exercício do poder. Mede-se também na capacidade de contribuir para mudanças que o país precisa, mesmo quando isso não rende dividendos imediatos.

Encantamento


A tarde jogou os seus sete véus luminosos 
sobre a montanha, 
e ficou toda nua dançando 
com sombras de crepúsculo 
a escorrerem-lhe, suaves, pela pele dourada ...
... e ficou toda nua dançando 
na campina 
ao som da harpa encantada do silêncio ...
  
(Tasso da Silveira)

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (97)

Para quê tanta insistência em detalhar tanto a lei do trabalho sabendo que a realidade é dinâmica e, por isso, capaz de tornar obsoleta qualquer tentativa de descer ao pormenor?       (Camilo Lourenço, J Negócios)

A lei laboral chumbou no crivo da concertação social com mãozinha presidencial. Agora só haverá reforma se a AD conseguir entender-se com PS (quase impossível) ou com Chega (incerto). E mesmo assim só saberemos se haverá nova lei lá para outubro. A reforma do Tribunal de Contas é outro exemplo de lentidão. Mesmo o PS, que sabe como a atividade governativa pode ser afetada pela burocracia na tomada de decisões, hesita no caminho a tomar. O Chega, esse, usa a reforma para vender teorias da corrupção.
Negócios ra ass

Eterno Retorno

 
…‘Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo o que é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terão de lhe suceder novamente, tudo na mesma sequência e ordem – e assim também essa aranha e esse luar entre as árvores, e também esse instante e eu mesmo. A perene ampulheta do existir será sempre virada novamente – e você com ela, partícula de poeira!…”          (Nietzsche, Gaia Ciência)

Esta hipótese demoníaca demanda uma urgência diante da existência, ela traz uma nova perspectiva, uma transformação, uma mudança de eixo. E se tudo, absolutamente tudo retornasse? Afinal, qual seria a nossa reação? É isso que Nietzsche quer testar… qual seria a nossa reação se não houvesse mais nada além desta vida que retorna eternamente?

terça-feira, 26 de maio de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (96)

Neste momento, a questão já não é quem venceu a última batalha. A questão é quem controla o tempo. E, para desconforto de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu, o relógio continua a marcar a hora de Teerão.   (Miguel Baumgartner. J Económico)

A verdadeira ironia desta crise é que os Estados Unidos e Israel chegaram ao ponto em que a superioridade militar já não produz automaticamente vantagens políticas.

Donald Trump pode prolongar o cessar-fogo durante semanas ou meses. Pode alternar entre ameaças e ofertas de negociação. Pode anunciar progressos ou endurecer posições. Mas nenhum desses movimentos altera um facto fundamental: Washington já não dispõe de instrumentos políticos simples para converter pressão militar em capitulação estratégica iraniana.

No final, as guerras raramente terminam quando os generais o desejam. Terminam quando os políticos encontram uma fórmula aceitável para todos os actores relevantes. E essa fórmula continua distante. Por isso, o cessar-fogo prolonga-se. Por isso, as negociações avançam aos soluços. E por isso, apesar de toda a retórica produzida em Washington, Jerusalém e Teerão, o factor decisivo desta crise já não é a força militar disponível, mas sim quem consegue suportar durante mais tempo o peso da espera. (ler texto na íntegra)