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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Terror De Te Amar Num Sítio Tão Frágil Como O Mundo

 

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (76)

 Governar é difícil, mais ainda sem maioria absoluta e com o Chega sempre disposto a queimar todas as pontes, mas esta súbita necessidade de afirmação política de Luís Montenegro denuncia uma penosa fragilidade: tanto lhe disseram que não é um reformista – as palavras de Cavaco Silva devem ter doído muito – que o primeiro-ministro tratou de encontrar forma de corrigir essa perceção com uma só bala e de uma só vez.       (André Macedo, J Económico)

A conclusão é evidente: o Governo, não sendo reformista, até tem em marcha diferentes políticas públicas muito relevantes – na gestão da água, nos transportes públicos e acessos, no Tribunal de Contas, na contratação pública, na lei laboral, nos impostos e etc. – que traduzem uma melhoria face aos últimos e imobilistas governos de António Costa.

No entanto, como a ideia não passou, tentou recauchutar tudo e, em muitos casos, vender o usado como novo, ainda por cima com medíocre talento retórico. Sinceramente, não havia necessidade deste hino à vaidade tão socrático, tão costista, tão pouco útil a um país que precisa de mais e muito melhor, seja público ou privado.

A Palavra

 A palavra quando é criação desnuda. A primeira virtude da poesia tanto para o poeta como para 
o leitor é a revelação do ser. A consciência das palavras leva à consciência de si: 
a conhecer-se e a reconhecer-se.       
 
(Octavio Paz)

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (75)

Dentro do partido, Carneiro perdeu. Fora dele, ganhava. E isso diz muito sobre o momento que o PS vive e sobre a forma como olha para si próprio.   (Filipe Alves, DN)

É como se parte do partido continuasse a olhar para o seu líder como alguém que chegou ao topo por acidente e não por mérito próprio. Alguém que dá jeito ter numa altura em que o partido faz um jejum de poder, mas que, no momento certo, poderá ser afastado para dar lugar a alguém mais bem relacionado e com os apoios certos. Mais “carismático”, como dizem alguns. À semelhança do que aconteceu com António José Seguro, há 12 anos.

Na verdade, o grande desafio de José Luís Carneiro: convencer o país de que é capaz de liderar uma alternativa de governo estável, oferecendo soluções reais para os problemas das pessoas e comunicando de uma forma que aquelas o entendam. E com uma renovação das figuras de proa do PS, que traga sangue novo para dar a cara por um partido que esteve no poder durante 21 dos últimos 30 anos e que, por essa razão, tem muita “bagagem” para deitar fora.

Santo E Senha


Deixem
passar quem vai na sua estrada.
Deixem passar
Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada

Deixem, que vai apenas
Beber água de sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.

Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer.
Deixem-no pois passar, agora

Que vai cheio de noite e solidão
Que vai ser uma estrela no chão.

(Miguel Torga)

terça-feira, 28 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Assim Acontece

As balas continuam a perseguir Trump. E o Presidente continua a atrair disparos como um alvo em movimento na América abençoada. Toda a Administração da América está centrada numa visão da política baseada na violência. A violência dos discursos, a violência dos gestos, a violência dos actos, a violência está no coração do Presidente como a Bíblia esta nas mãos do Grande Inquisidor. Em tudo o que a América faz hoje no Mundo está a intenção de destruir qualquer que seja a ordem para reerguer uma qualquer outra ordem que a própria Administração não consegue definir. Em certo sentido, Trump só reconhece a desordem e o caos, a desordem das instituições e o caos internacional.  

(Carlos Marques de Almeida, ECO)

Esta É A Frase (74)

O problema do intelectual de esquerda português nunca foi a falta de informação, nem o desconhecimento histórico, nem a ausência de sinais. Foi a falta de vergonha.   (Nuno Gonçalo Poças, OBSR)

Há um padrão na história da esquerda ocidental, e na portuguesa, em particular, que temo não possuir já qualquer remédio.(...) A esquerda nunca teve grande pejo em rotular, o que, de resto, constitui prova bastante de como a esquerda é a mais humana das correntes políticas. Se lhe agrada o personagem, o rótulo nunca é comedido; se não lhe agrada, “fascista” será quanto baste. É como um carro cujo pisca-pisca só opta pela esquerda ou pela extrema-direita.

Vejamos: Reagan? Fascista. Thatcher? Fascista. Bush pai? Fascista. Bush filho? Fascista. Aznar? Fascista. Chirac? Fascista. Sarkozy? Fascista. Freitas do Amaral? Fascista. Passos Coelho? O maior fascista de todos, segundo o tempo presente. Cavaco Silva? Fascista. Portas? Fascista. De Gaulle? Fascista. Churchill? Fascista. Sá Carneiro? (...)

Ao mesmo tempo, a esquerda nunca deixou de se encantar. Com Che Guevara, com Pol Pot, com Mao, com Enver Hoxha, com Estaline, com Lenine, com Trotsky, com Fidel Castro, com Hugo Chávez, com Nicolás Maduro, com Ho Chi Minh, com Mugabe, com Ceausescu, com Ortega, com Lula. Não deixa, mesmo hoje, de se embebedar de amores pelo islamismo radical.

A lógica é, na verdade, sempre a mesma: uma certa justificação superior que os vulgares, eventualmente fascistas, não compreendem; existe sempre por ali uma causa maior que redime o
meio, uma narrativa que suspende o julgamento.