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domingo, 7 de junho de 2026

Esta É A Frase (106)

O egoritmo - E se o maior impacto dos algoritmos não estivesse nos ecrãs, mas na forma como começámos a pensar, sentir e agir?          (Heduardo Kiesse, Público)

Não se trata de um conceito técnico. É apenas uma imagem crítica para pensar o momento em que certas lógicas algorítmicas deixam de actuar apenas nos dispositivos e começam a infiltrar-se nos comportamentos.

O problema agrava-se quando esta lógica passa do comportamento para os afectos. Fomos levados a acreditar que é preciso gostar primeiro de nós próprios para só depois conseguir gostar dos outros. Mas muitas vezes é precisamente através da relação com o outro que aprendemos a reconhecer aquilo que somos.

Não delegamos apenas às máquinas tarefas e decisões. Começamos também a entregar-lhes a nossa atenção, o nosso tempo e, por vezes, a nossa própria solidão. As máquinas simulam o afecto e a escuta. Mas continuam a ser apenas uma presença sem presente.

Talvez o desafio do nosso tempo não seja resistir à tecnologia. Seja, antes, resistir à tentação de nos tornarmos compatíveis demais com ela.  (texto na íntegra

Amostra Sem Valor


Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

(António Gedeão)

sábado, 6 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Boa Noite !


Que a noite te abrace com ternura e encha o seu coração de paz. 
Durma cercado de boas vibrações e carinho.
Amanhã será um novo dia, cheio de boas energias. 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

 

Esta É A Frase (105)

A coerência de Passos, tal como a sua aura, só se sustenta a partir de fora do poder. Se estivesse na posição de Montenegro, ou abdicaria do liberalismo reformista ou abdicaria do poder.           (Mafalda Pratas, OBSR)

À primeira vista, são dois episódios sem qualquer ligação. De um lado, o Chega apresentou a sua proposta populista de reforma da Segurança Social, que corresponde a um aumento enorme de despesa com pensões, pago por um alegado “excedente” que os imigrantes geram na Segurança Social. Do outro, Pedro Passos Coelho, num lançamento de livro (como de costume) e sem nomear ninguém (como também já é hábito), chamou “prostituto sem carácter” ao político que imita o populista para o derrotar. Foram dois acontecimentos distintos, mas o problema é o mesmo. Existe uma maioria aritmética de direita no parlamento, mas é uma ilusão achar que existe qualquer maioria ideológica. A posição de Passos Coelho esconde um paradoxo fundamental.   

Seria fácil despachar isto como mera demagogia, mas seria também um erro de análise. A proposta é coerente com o eleitorado do Chega que, como tenho defendido, combina a procura de protecção social, de mais Estado (com mais despesa pública) e uma agenda dura em imigração e segurança. Com esta proposta, Ventura não está a trair os seus eleitores; está a representá-los. O problema nasce daqui: o eleitorado da AD e da IL quer precisamente o contrário do eleitorado do Chega em matéria económica. Não estamos perante uma divergência de grau entre duas alas da direita, mas sim perante uma divergência ideológica e sociológica profunda, entre eleitorados que querem coisas opostas. (Continuação)

O Que Se Encontra No Início? O Jardim Ou O Jardineiro?


“O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo
um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim
sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro?
Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins.
O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro.
O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem.”

(Rubem Alves)

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (104)

Nos últimos dois anos, sinto que os acontecimentos me ultrapassam a cada momento. À cascata noticiosa gerada pela Administração Trump acrescem milhares de horas de podcasts, documentários e programas de opinião que, quando consumidos com dois ou três dias de atraso, parecem já reportar sobre temas do século passado. O ciclo noticioso deixou de ser uma vertigem para se tornar um caleidoscópio, a cada instante, uma nova configuração, uma nova urgência, um novo escândalo.        (Ricardo Carvalho ECO)

Do lado da ficção, a coisa não melhora. As centenas de episódios por ver de séries aclamadas pela crítica e pelos nossos amigos, e pelos nossos colegas, e pelo algoritmo provocam uma ansiedade surda, quase culpada, por nos atrevermos a dormir sete horas por noite. (...)

Desde 2023, a pandemia, o custo de vida, a discriminação, a geopolítica e a desinformação acumularam pressões que empurraram as sociedades desenvolvidas para uma polarização crescente. Essa polarização aprofundou-se num ressentimento difuso face ao sistema e 2026 é, segundo a Edelman, o ano da insularidade: uma retração para círculos fechados de confiança. O trajeto é claro e assustador: Polarização → Ressentimento → Insularidade.

Os números do estudo confirmam esta tendência com uma clareza desconfortável. (...)


Preconceitos

 
“Sabe-se muito bem que é dificílimo erradicar preconceitos dos corações 
cujos solos nunca foram revolvidos ou fertilizados pela educação: 
preconceitos crescem ali firmes como erva daninha entre pedras.”

(Charlotte Brontë)