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sábado, 27 de junho de 2026

Esta É A Frase (119)

Querem fazer dos portugueses estúpidos. Os dirigentes de Chegam acreditam que os portugueses não perceberam a encenação? Obviamente, já tinham decidido como votar quando pediram o adiamento.         (João Marques de Almeida, SOL)

Esta encenação era escusada e é irritante. O Chega já tem os vícios dos partidos antigos.
O Chega virou-se para a esquerda.

Aliás, o Chega mostrou a sua má-fé a partir do momento que introduziu a idade da reforma nas discussões. A reforma faz parte do tema da segurança social e não da reforma laboral. Por definição, a reforma laboral diz respeito a quem trabalha e não a quem se reforma.

Ventura percebeu que chegou ao limite de votos no eleitorado de direita (terá sido a grande conclusão das eleições presidenciais) e agora quer conquistar eleitorado das esquerdas. O que não será muito difícil, dadas as tendências socialistas do Chega em matérias económicas. Alguma coisa está muito errada quando um voto do Chega emociona o líder da CGTP.

Sossega, Coração! Não Desesperes!


 Sossega coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
atingirás a perfeição dos seres.

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme.
A grande, universal, solene pausa
antes que tudo em tudo se transforme.

(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (118)

Um fundo soberano pode ser um instrumento útil; dificilmente será um substituto para reformas (laboral, fiscal, judicial, tecnológica) que continuam por fazer.      (Luís Miguel Henriques, J Negócios)

“De boas intenções está o inferno cheio.” A máxima é antiga, mas mantém uma desconfortável atualidade sempre que o Estado português decide agir como “investidor estratégico”

Longe


Às vezes,
tudo é tão longe em mim...
Meu viver parece um história
que alguém sonhou
há muito tempo,
num país distante

(Helena Kolody)

Nota : Os versos citados pertencem ao poema "Longe", de Helena Kolody, que reflete sobre a introspecção e a sensação de sonho.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (117)

Deixar de organizar cuidados em função dos episódios e passar a organizá-los em função das pessoas. O doente complexo não precisa apenas de uma observação, de uma nota de alta ou de uma cama disponível. Precisa de um plano. Um Plano Individual de Cuidados Integrado.   

Há uma especialidade médica que não se limita a tratar doenças. Gere percursos, integra decisões, coordena equipas e tenta impedir que o doente se perca dentro do próprio hospital. Chama-se Medicina Interna
É por isso que a Medicina Interna deve deixar de ser vista apenas como um serviço de internamento e passar a ser encarada como uma verdadeira plataforma de integração clínica. O internamento é apenas uma etapa. O percurso pode começar na urgência, passar por uma unidade de decisão rápida, continuar num hospital de dia, prosseguir em hospitalização domiciliária e regressar aos cuidados primários.

O que garante continuidade não é o edifício. É o plano.

A Medicina Interna deve evoluir de especialidade centrada na cama para especialidade centrada no percurso do doente.

Vários países europeus já ensaiam esta viragem. Em Inglaterra, o Same Day Emergency Care permite avaliar, diagnosticar, tratar e reavaliar no próprio dia doentes que, de outro modo, poderiam acabar internados. Em linguagem hospitalar simples: muitos doentes não precisam de vários dias de cama; precisam de algumas horas bem organizadas, com decisão clínica, diagnóstico rápido, tratamento adequado e seguimento programado.

Outros podem ser tratados em hospital de dia ou receber cuidados hospitalares em casa. As virtual wards inglesas, o Hospital at Home escocês e a hospitalização domiciliária desenvolvida na Catalunha mostram que o futuro não passa necessariamente por construir mais hospital. Passa por construir melhor hospital: menos fragmentado, mais coordenado e mais próximo das pessoas.

Mas este modelo exige responsabilidade. Hospitalização domiciliária não é abandonar doentes com tecnologia. (...) Não é substituir camas por ilusão organizativa. É substituir internamentos evitáveis por cuidados seguros, estruturados e clinicamente acompanhados.

Os doentes reais já cá estão: idosos, frágeis, multimórbidos, polimedicados e socialmente vulneráveis. O futuro não está para chegar. Está internado, está na urgência, está em casa com risco de readmissão e está nos cuidados primários à espera de coordenação.

A pergunta é simples: vamos continuar a depender da capacidade individual dos profissionais para compensar falhas do sistema ou vamos finalmente construir estruturas capazes de responder aos doentes que temos?                    (Carlos Santos Moreira, SOL)

Construir Em Vez De Combater

Creio que uma das atitudes fundamentais do homem humano deve ser a de reconhecer em si, numa falta de compreensão ou numa falta de acção, a origem das deficiências que nota no ambiente em que vive; só começamos, na verdade, a melhorar quando deixamos de nos queixar dos outros para nos queixarmos de nós, quando nos resolvemos a fornecer nós mesmos ao mundo o que nos parece faltar-lhe; numa palavra, quando passamos de uma atitude de pessimista censura a uma atitude de criação optimista, optimista não quanto ao estado presente, mas quanto aos resultados futuros. 

O mesmo terá já dado um grande passo para impedir os ataques, quando aceitar que só puderam existir porque a sua acção não foi o que deveria ter sido; quando se lembrar ainda de que toda a sua coragem se não deve empregar a combater, mas a construir.              (Agostinho da Silva)

Nota: A máxima "Construir em vez de combater" traduz uma das ideias mais profundas e transformadoras do filósofo português Agostinho da Silva. Esta perspetiva defende que a verdadeira evolução humana e social não se alcança pela oposição destrutiva ao que está errado, mas sim pela criação ativa de alternativas positivas. 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

  

Esta É A Frase (116)

Razão teve o Presidente da República em dizer que “vivemos um tempo de trincheiras” em que “as ansiedades que sentimos na economia, na geopolítica, na segurança das cidades, na proteção dos mais desfavorecidos, nas questões muito concretas da vida das pessoas reais, criam esse impulso de fechar fileiras, de escolher um lado, de erguer muros”.          (Guilherme D´Oliveira Martins, Visão)

Daí a necessidade de compreendermos que “faltam-nos cada vez mais as palavras do meio”. Falta-nos a velha ideia de “centro vital”, teorizada nos anos 60 do século XX por Arthur Schlesinger e que não se confundia nem com um meio-caminho nem com o centrismo. Significava, sim, uma rigorosa ponderação dos valores éticos e dos interesses, uma nova fronteira baseada na defesa intransigente da confiança e da coesão social.