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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Filosofia em Tom Maior • Música e Filosofia

 
Filosofar com notas musicais ou cantar ideias filosóficas? Medir o tempo em segundos ou contar suas pulsações? Escrever um texto ou criar uma melodia? Ler um livro ou uma partitura? Ambos! – já não é mais uma questão de um ou outro – deixamos a exclusividade para trás, os especialistas provavelmente vão abrigá-la em algum canto. Bach e Beethoven podem nos prover de pensamentos tão potentes quanto Espinosa e Nietzsche! Alguém duvida? Basta ouvir de corpo inteiro, sem apartar os conhecimentos, ao contrário, promover a orgia dos pensamentos. Escrever ouvindo e ouvir escrevendo. E por que não filosofar em tom maior? Já é meio-dia, não há mais sombra para a filosofia.     (Razão Inadecuada)

Este manifesto propõe a dissolução das fronteiras entre a música e a filosofia, fundindo a razão e a sensibilidade num único ato criativo.     

Nietzsche e a Nova Música: Nietzsche defende uma inversão onde a música não ilustra conceitos, mas sim um ato sonoro que incorpora o trágico e o sublime.

O Ato Criativo: A ideia de um manifesto que funde estas áreas reflete a busca por uma nova forma de conhecimento, onde o "fazer" artístico (performance/composição) é, ele próprio, um ato filosófico.

Esta abordagem defende que a música possui uma inteligência própria, unindo o rigor racional (estruturas sonoras) com a intuição sensível.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (86)

Um pouco por todo o mundo, os políticos deparam-se com o mesmo problema: a incapacidade de dar resposta, rápida e eficaz, aos principais desafios que as sociedades enfrentam.  (Rui Tavares Guedes, Visão)

Qual é o prazo de validade de uma mensagem de esperança? A pergunta é de resposta cada vez mais difícil, mas tudo indica que o prazo estará associado ao tempo que demora a concretizar-se uma mudança. Com as consequências que todos sabemos: as mudanças demoram muito tempo a ser feitas e, na maior parte dos casos, a produzir efeitos visíveis, enquanto o sentimento de esperança rapidamente se desvanece e pode ser, até, depressa substituído pela angústia, a raiva e a revolta.

Em qualquer lado, como se tornou norma, quem ganha eleições procura sempre apresentar slogans e programas que tragam, implícita, uma sensação de esperança e de mudança. Como as mudanças não se concretizam, a esperança torna-se cada vez mais efémera. E, infelizmente, é facilmente substituível pelo desencanto, a crispação e a revolta.

Mais do que qualquer outra, a principal ameaça a um regime democrático é o desencanto dos cidadãos com a democracia – que faz depois crescer os populismos. Para o evitar, seria melhor que os democratas não criassem falsas esperanças. E que, ao mesmo tempo, soubessem fazer as verdadeiras mudanças. Aquelas que não deixam morrer a esperança.

Círculo Vicioso


Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
"Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!"
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:

"Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela"
Mas a lua, fitando o sol com azedume:

"Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume"!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:

Pesa-me esta brilhante auréola de nume...
Enfara-me esta luz e desmedida umbela...
Por que não nasci eu um simples vagalume?"...

(Machado de Assis)

O desfecho fecha o círculo, mostrando que a insatisfação é universal, ignorando hierarquias. O poema reflete a visão machadiana de que a busca pelo alheio gera amargura permanente.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

O SNS

 “O Estado tem de se modernizar”. Esta frase tem sido muito repetida na política portuguesa nos últimos anos. Parece fazer sentido e parece inevitável. No entanto, há uma grande diferença entre modernizar o Estado e acabar com a sua função pública. O que está a acontecer no Serviço Nacional de Saúde (SNS) não é um caso isolado. O SNS tornou-se o exemplo mais claro de uma mudança maior. O Estado português está a deixar de ser uma garantia de direitos coletivos e a tornar-se um gestor de contratos, números e incentivos. Na saúde, esta mudança está a ser mais visível.      (LuisVidigal,DN)

Durante muitos anos, o SNS baseou-se numa ideia simples, em que o Estado garantiria um direito constitucional através de serviços públicos, profissionais com carreiras estáveis e uma lógica de continuidade. Hoje, o discurso mudou.

A ministra da Saúde usa palavras como “flexibilidade”, “incentivos”, “planeamento anual”, “digitalização” e “inteligência artificial”. Parecem palavras técnicas e neutras, mas escondem uma mudança profunda.

O SNS está a deixar de ser visto como uma equipa estável de profissionais. Está a ser gerido como uma plataforma flexível de trabalhadores. Os médicos são tratados como peças de um sistema de concorrência. O governo sabe que muitos médicos saem do SNS e voltam como prestadores de serviços, ganhando mais. Em vez de melhorar as carreiras e as condições de trabalho, o Estado adapta-se à lógica do mercado. Ou seja, o Estado já não luta contra a precariedade, está a geri-la

O trabalhador ideal do novo Estado não é alguém com uma carreira sólida e independente. É alguém sempre disponível, adaptável, vulnerável e submisso. Quando esta lógica entra no SNS, o resultado é grave. A saúde não é como uma aplicação de telemóvel ou um serviço de entregas. Precisa de equipas permanentes, relações duradouras, confiança entre profissionais e memória institucional.

Para Viver De Verdade


Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso 
ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.

Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear 
o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, 
entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.

Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. 
Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente 
para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.
 
(Lya Luft)

terça-feira, 12 de maio de 2026

Esta É A Frase (85)

Quando afirmou querer colocar o Reino Unido “no coração da Europa”, Starmer não estava apenas a fazer política externa. Estava a tentar redefinir a narrativa nacional britânica. Pela primeira vez desde o Brexit, um primeiro-ministro britânico tenta apresentar a relação com a Europa não como uma ameaça à soberania nacional, mas como uma condição para recuperar crescimento económico, estabilidade estratégica e influência internacional.   (Miguel Baumgartner, J económico)

Em 1962, Harold Macmillan disse que os britânicos nunca deveriam escolher entre a Europa e o Atlântico porque o Reino Unido só seria verdadeiramente forte se conseguisse permanecer “entre os dois mundos”. Décadas depois, Keir Starmer tenta fazer precisamente isso: salvar um governo em queda livre através de uma nova aproximação à Europa sem romper totalmente com a lógica do Brexit. O problema é que, neste momento, talvez já não tenha tempo suficiente para o conseguir.

Essência


Às vezes sofremos desilusões por conta das mentiras que as pessoas contam. É preciso ter preparo para isto. As pessoas mentem, e isto é um fato.

Mas é preciso, também, saber separar o joio do trigo. Há pessoas que mentem, deliberadamente, por que querem o teu mal. E há aquelas que mentem por que gostariam de te ver melhor, ou de serem melhores pra você.

Algumas pessoas podem achar que a realidade pode ser apresentada melhor se fantasiada um pouco, e aí a mentira é quase inocente, mais assemelha-se a um desejo ou a um sonho, e não se deve subjugar o valor destas pessoas por isso.

Em alguns casos, podemos dizer que a mentira é como uma casca, que uma vez descoberta, deve apenas ser jogada fora. Nas pessoas, assim como entenderia um bom boticário, o que vale não é o frasco, mas a essência.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde