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segunda-feira, 30 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

"Quem Somos" Ainda Sem Resposta

Atuamos à escala do planeta com uma consciência ainda calibrada para a tribo, para o trimestre. Temos uma arquitetura de consciência que não evoluiu ao ritmo dos instrumentos que criou. Há uma ferida que a espécie nunca tratou. Não por falta de inteligência, mas porque a ferida é a própria espécie. (...)

Apenas o Homo sapiens acordou um dia com a consciência de si próprio e ficou paralisado perante a pergunta que esse acordar gerou.

E a resposta que deu a essa pergunta foi sempre a mesma, sob mil formas diferentes: inventou um sentido exterior a si próprio. Um deus, uma nação, uma classe, um progresso, uma raça, um mercado. Qualquer coisa que justificasse a existência individual como parte de algo maior e, portanto, menos aterrador.

As tradições espirituais perceberam isto e propuseram a redenção, a iluminação, a salvação, como saída do paradoxo. A ciência propôs a razão e a educação. A filosofia política propôs as instituições e os direitos. Todas falharam não porque fossem erradas na intenção, mas porque tentaram resolver o paradoxo em vez de o integrar. E o paradoxo não se resolve. Habita-se.

A pergunta “quem somos?” não tem resposta. Por este caminho em que seguimos, nunca terá. Mas talvez a urgência de a fazer nunca tenha sido tão pertinente como agora. Porque o que está em jogo não é uma civilização. É a continuidade do único ser conhecido no universo que se perguntou o que era. E que ainda não sabe a resposta, porque não há uma resposta a obter, mas sim a construir.

Será que teremos tempo e discernimento para a concretizar talvez a urgência de a fazer nunca tenha sido tão pertinente como agora. Porque o que está em jogo não é uma civilização. É a continuidade do único ser conhecido no universo que se perguntou o que era. E que ainda não sabe a resposta, porque não há uma resposta a obter, mas (...)   

(tópicos do texto de Antero de Carvalho, OBSR)

Escrita


Aqui na minha frente a folha branca do papel, à espera; dentro de mim esta angústia, à espera: e nada escrevo. A vida não é para se escrever. A vida — esta intimidade profunda, este ser sem remédio, esta noite de pesadelo que nem se chega a saber ao certo porque foi assim — é para se viver, não é para se fazer dela literatura.    (Miguel Torga)

domingo, 29 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Assim Acontece

 O conceito de ordem internacional encontra-se em profunda mutação. Já não se trata de preservar um equilíbrio herdado, mas de compreender uma recomposição em curso, marcada pela emergência de múltiplos poderes.   (Adalberto Campos Fernandes, SOL)

Aquilo que outrora funcionava como referência geoestratégica degradou-se em mera retórica e em declarações que já não vinculam nem orientam. Como sublinhava Kissinger, a estabilidade mundial não emerge de intenções proclamadas, mas de equilíbrios reconhecidos e de uma liderança capaz de os sustentar com continuidade. O que hoje se observa é precisamente o inverso: a erosão da previsibilidade, o desvanecimento dos referenciais e a hesitação onde antes existia direção.

Porque, no fim, a inteligência política mede-se não pela capacidade de vencer batalhas internas, mas pela capacidade de aprender — e evoluir. E é precisamente isso que, hoje, parece faltar ao Partido Socialista. 

(Álvaro Rocha, OBSR)

Inteligente é aquele que aprende com os próprios erros. Mas mais inteligente ainda é aquele que consegue aprender com os erros dos outros, ou, melhor ainda, com os ensinamentos dos mais sábios. Infelizmente, quando olhamos para o comportamento recente do Partido Socialista, parece que nenhuma destas formas de inteligência está presente.

O primeiro exemplo é particularmente elucidativo. O partido entrou num processo interno de divisão quase autofágica, com várias figuras a manifestarem-se e a posicionarem-se para uma candidatura. Em vez disso, prevalece (...)                                                                                                                           

Tédio

 
Fujo de quem me quer e quero quem de mim foge
A rotina me entedia, o desafio me fascina, 
o improvável me chama.

(daliahewia)

Usar muito a cabeça não é pensar com inteligência
É possível que tenha uma vida muito ocupada, usando a sua mente para resolver problemas e criando soluções para o dia a dia, mas provavelmente já se sentiu agindo sem inteligência não é mesmo?

Essa sensação pode ser facilmente compreendida quando analisada sob o ponto de vista da neurociência, segundo Livia Ciacci, neurocientista e Mestre em Sistemas Neuronais do Supera – Ginastica para o cérebro.

O primeiro ponto para entendermos o porquê nos sentimos assim é entender que a inteligência como a entendemos hoje é um fator que depende de algumas variantes, veja:

O primeiro passo, que estaria escrito no manual de instruções do cérebro, é respeitar as limitações biológicas e ajudá-lo a ficar saudável”, lembrou a cientista.

Podemos entender a inteligência principalmente como a habilidade de usar nossos sentidos e pensamentos para resolver problemas, o que não é simplesmente receber um estímulo do ambiente e reagir a ele, segundo a especialista. “Ser inteligente na espécie humana é saber analisar dados racionalmente – adotando o tipo de pensamento metódico – e ao mesmo tempo perceber que pode mudar o ponto de vista e inverter totalmente a estratégia – adotando o tipo de pensamento flexível”, lembrou.

Por que usar muito a cabeça não é pensar com inteligência
É possível que tenha uma vida muito ocupada, usando sua mente para resolver problemas e criando soluções para o dia a dia, mas provavelmente já se sentiu agindo sem inteligência não é mesmo?
Essa sensação pode ser facilmente compreendida quando analisada sob o ponto de vista da neurociência, segundo Livia Ciacci, neurocientista e Mestre em Sistemas Neuronais do Supera – Ginastica para o cérebro.
O primeiro ponto para entendermos o porquê de nos sentimos assim é entender que a inteligência como a entendemos hoje é um fator que depende de algumas variantes, veja:
Como sei que estou usando o cérebro da forma correta?O cérebro humano é um órgão incrível, mas, assim como a própria natureza humana ele também é limitado. Muitas vezes nos alimentamos mal, dormimos mal, nos forçamos a ter motivação por coisas que não gostamos, tentamos absorver um volume imenso de informações e gastamos muita energia tomando decisões fúteis.
“E depois de tudo isso, queremos que o cérebro tenha um desempenho incrível, e perguntamos como fazer para ser mais inteligente! O primeiro passo, que estaria escrito no manual de instruções do cérebro, é respeitar as limitações biológicas e ajudá-lo a ficar saudável”, lembrou a cientista.
Algum esforço mental pode nos deixar mais inteligentes?

Inteligência é um termo com muitas definições a depender da área de estudo, mas pode ser entendida como a capacidade de analisar informações, aprender com a experiência e adaptar-se ao ambiente. Podemos entender a inteligência principalmente como a habilidade de usar nossos sentidos e pensamentos para resolver problemas, o que não é simplesmente receber um estímulo do ambiente e reagir a ele, segundo a especialista. “Ser inteligente na espécie humana é saber analisar dados racionalmente – adotando o tipo de pensamento metódico – e ao mesmo tempo perceber que pode mudar o ponto de vista e inverter totalmente a estratégia – adotando o tipo de pensamento flexível”, lembrou.

O treino cognitivo e a inteligência

A ginástica para o cérebro ou treino cognitivo torna uma série de habilidades mais bem desenvolvidas e automatizáveis com mais facilidade, o que poupa energia para usar em processos de pensamento mais lentos, como ponderar decisões e ser criativo.

“Foco, concentração, memória, noção visuoespacial e atenção são funções cognitivas base para todo processamento cognitivo – treiná-las é como ‘afiar o machado’. Por exemplo, se desenvolvemos a habilidade da atenção seletiva, conseguimos focar melhor nas informações úteis sem o desespero de tentar “guardar tudo na cabeça” – o que seria ineficaz! Se desenvolvemos bem a memória de trabalho, entendemos que ela é limitada e aprendemos quais estratégias vão funcionar para que não esqueça aquela tarefa importante”, lembrou Livia Ciacci, neurocientista do Supera.

sábado, 28 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (57)



Ao reclamar contra a eventual eleição de um juiz do Chega, com os favores do PSD, os socialistas dizem que se rompe o equilíbrio, que se trata quase de um golpe constitucional. Dado o actual panorama, bem vista a composição do Parlamento, não parece insensato que haja uma inclinação à direita. Ora, o PS já denunciou a quebra do equilíbrio instaurado há anos e que repartia os juízes equitativamente entre o PSD e o PS. Não se percebe a noção que os socialistas têm desse equilíbrio. É uma “mão invisível” que ordena a vida política desde há quarenta anos? São “direitos adquiridos” do PS, válidos em qualquer evolução eleitoral? É um “sopro divino” que trata o PS com especial favor?

Como se faz um equilíbrio democrático sem critérios verificáveis? Como se estabelece esse equilíbrio sem os votos dos cidadãos? Quando o PS ou o PSD tiverem 10% dos votos, o equilíbrio mantém-se? Mesmo se outros partidos tiverem 40%? O nascimento deste “equilíbrio” não tem origem em acordo de cavalheiros ou em altruísmo político. Foi um tratado puro e duro, no mútuo interesse, numa altura em que vingava uma espécie de “bipartidarismo”. Este deixou de existir. É patético tentar mantê-lo, quase constitucionalmente, sem os votos soberanos. Aliás, esse equilíbrio invisível foi desrespeitado quando se tratou de derrubar governos minoritários ou quando se criou a “geringonça”.  (António Barreto, Público)


A Realidade Humana


O conhecimento do conhecimento ensina-nos que apenas conhecemos uma pequena película da realidade. A única realidade que é cognoscível é co-produzida pelo espírito humano, com a ajuda do imaginário. O real e o imaginário estão entretecidos e formam o complexo dos nossos seres e das nossas vidas. A realidade humana em si mesma é semi-imaginária. A realidade é apenas humana, e apenas parcialmente real.           

(Edgar Morin)

sexta-feira, 27 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde