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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Esta É A Frase (116)

Razão teve o Presidente da República em dizer que “vivemos um tempo de trincheiras” em que “as ansiedades que sentimos na economia, na geopolítica, na segurança das cidades, na proteção dos mais desfavorecidos, nas questões muito concretas da vida das pessoas reais, criam esse impulso de fechar fileiras, de escolher um lado, de erguer muros”.          (Guilherme D´Oliveira Martins, Visão)

Daí a necessidade de compreendermos que “faltam-nos cada vez mais as palavras do meio”. Falta-nos a velha ideia de “centro vital”, teorizada nos anos 60 do século XX por Arthur Schlesinger e que não se confundia nem com um meio-caminho nem com o centrismo. Significava, sim, uma rigorosa ponderação dos valores éticos e dos interesses, uma nova fronteira baseada na defesa intransigente da confiança e da coesão social.

Semântica


Não se enganem comigo:
se digo sul pode ser norte,
chego mas fico ausente,
o triste é também o belo,
procuro o que não se perde
nem se pode encontrar.

Buscar resposta nos livros
é esconder-se entre linhas.
Não creio no que se enxerga,
mas nisso que se disfarça
por mais que se tente olhar:
assim me tem seduzida.


Eis o jogo que eu persigo,
meu jeito de ser feliz,
o desafio que me embala:
sempre que escrevo "morte"
estou falando da vida.

(Lya Luft)

terça-feira, 23 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Estratégias Positivas Para Portugal

A pergunta estratégica para Portugal não deveria ser apenas como atrair mais investimento estrangeiro. A questão mais importante é como transformar o país em um dos destinos mais desejados do mundo para cientistas, pesquisadores, empreendedores e profissionais altamente qualificados.         (Marcus Vinicius, J Económico)

A ascensão da inteligência artificial, da computação quântica, da biotecnologia e de outras tecnologias avançadas está alterando profundamente a natureza da competição internacional. A riqueza das nações dependerá cada vez menos da abundância de recursos naturais e cada vez mais da capacidade de formar, atrair e reter cientistas, engenheiros, pesquisadores, programadores e empreendedores. O conhecimento tornou-se a matéria-prima fundamental da nova economia. (...)

Mais uma vez, temos uma oportunidade decisiva para colocar Portugal na liderança da transição energética. O despacho n.º 4411-A/2026 surge num momento crítico e pode revelar-se determinante, posicionando o país como um bom exemplo para a Europa e o resto do mundo.        (Pedro Antão Alves, J Económico)

Portugal está, assim, numa posição privilegiada. Além de ter sido um dos primeiros países europeus a estabelecer um enquadramento legal para o autoconsumo e para as comunidades de energia, reforçado agora com este despacho, tem uma vantagem competitiva inegável: recursos naturais abundantes e know-how técnico acumulado. Paralelamente, a cadeia de valor da geração solar descentralizada está, cada vez mais, preparada para responder à procura.

Contudo, neste momento, o foco não será apenas no crescimento, pois é necessário garantir que o mesmo é sustentado. Para isso, três fatores serão decisivos: estabilidade nas regras, simplicidade nos processos e confiança para quem investe.

Portugal já mostrou que consegue estar na linha da frente. Agora, tem a oportunidade de liderar. A diferença estará na capacidade de transformar boas intenções em execução consistente.

Na Hora Em Que A Terra Dorme


Na hora em que a terra dorme
enrolada em frios véus,
eu ouço uma reza enorme
enchendo o abismo dos céus

(Castro Alves)

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

Portugal necessita de reformas a dois níveis. Ao nível da sua arquitetura institucional, máxime do sistema político, e ao nível das políticas setoriais (justiça, habitação, saúde, …). Qualquer governo minoritário (neste caso do PSD), sem acordos partidários escritos, sustentados em confiança mútua dos signatários, que lhe forneçam a maioria muito dificilmente fará alguma reforma. Temos e teremos nos próximos tempos apenas um governo de gestão. A dúvida para 2027 é se vai gerir com base num novo orçamento ou com os duodécimos do orçamento de 2026.

Os episódios em torno da lei laboral em que no último ano o Chega passou de apoio inicial à proposta do governo, para a rejeição em período de campanha eleitoral para as presidenciais, para um acordo com AD na quinta-feira passada ao final do dia, para à última da hora votar contra, confirma o carácter errático do Chega/Ventura.  

Claro que é muito simpático baixar a idade da reforma para quem está à beira de se reformar. Para os jovens, e os que ainda não nasceram é um desastre (mas estes últimos não votam e por isso são politicamente irrelevantes).

Face a este Chega errático, a um PS que taticamente não parece entusiasmado com cedências ao PSD e à impossibilidade de criar maioria com a Iniciativa Liberal, o PSD, incapaz de governar, parece condenado a uma erosão crescente. Neste contexto, haverá ainda quem no PSD acredite na palavra do Chega em matéria orçamental ou de revisão constitucional?

Das reformas urgentes aquela em que me parece existir mais espaço para consenso quanto aos objetivos, certamente não era a reforma laboral, mas antes a de atacar a morosidade da justiça, que, por isso mesmo, deixa de ser justiça. Até porque é uma obrigação moral do PS esse acordo que no passado foi desejado por Rui Rio e impedido por António Costa.

Mas para que o PS se possa constituir como alternativa credível é necessário requalificar e renovar o partido, algo que necessita de algumas iniciativas legislativas (no sistema eleitoral e no financiamento partidário entre outros determinantes da arquitetura politica institucional). Uma coisa é não desejar um bloco central, algo quase unânime nos atores políticos e que também subscrevo.  Outra é considerar que, no pântano em que nos movemos, não é possível nenhuma reforma o que, a verificar-se, só poderá levar, a prazo, à erosão do próprio regime democrático.       (Paulo Trigo Vieira, OBSR)   

Esta É A Frase (115)

A nova batalha industrial europeia já começou. E a grande ironia deste momento é que uma parte importante da reindustrialização europeia poderá acabar por chegar… vinda da própria China.

Porque a verdade é que a transição energética e tecnológica colocou a Europa perante um enorme paradoxo industrial. A União Europeia quer liderar a descarbonização, acelerar a eletrificação automóvel, reduzir dependências estratégicas e preservar competitividade industrial. O problema é que grande parte da cadeia de valor associada a essa transformação é hoje dominada precisamente pela China

O risco, naturalmente, é evidente. A Europa pode estar a trocar antigas dependências energéticas por novas dependências industriais e tecnológicas.

Mas existe também outro risco, talvez ainda mais imediato: o de a Europa perder competitividade por excesso de lentidão, burocracia ou incapacidade de adaptação à nova realidade global

A nova batalha industrial europeia já começou. E a grande ironia deste momento é que uma parte importante da reindustrialização europeia poderá acabar por chegar… vinda da própria China.

(Roberto Gaspar, J Económico)

Um Poema


Não tenhas medo, ouve:  É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar,
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...  

(Miguel Torga)

domingo, 21 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde