segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Nocturno

Espírito que passas, quando o vento 
Adormece no mar e surge a Lua, 
Filho esquivo da noite que flutua, 
Tu só entendes bem o meu tormento... 

Como um canto longínquo - triste e lento- 
Que voga e subtilmente se insinua, 
Sobre o meu coração que tumultua, 
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento... 

A ti confio o sonho em que me leva 
Um instinto de luz, rompendo a treva, 
Buscando, entre visões, o eterno Bem. 

E tu entendes o meu mal sem nome, 
A febre de Ideal, que me consome, 
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém! 

Antero de Quental

sábado, 18 de agosto de 2018

Notícias Soltas

*"Aliança"é o novo partido de Santana Lopes




Esta É A Frase

Para o Bloco de Esquerda, que passa o tempo a sugerir proibições, tudo o que abomina é “fascista”: eu, você, dois terços do eleitorado, quatro quintos do Ocidente, nove décimos do mundo democrático...

Alberto Gonçalves, OBSR  

Sou Como Você Me Vê ...

Sou como você me vê…
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar…
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. 
Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração…
Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. 
Não sei amar pela metade. 
Não sei viver de mentira. 
Não sei voar de pés no chão. 
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre…

Clarice Lispector

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Notícias Soltas

*Falha no notário impede empresas de negociar em bolsa. Não há quem emita certificado obrigatório em Portugal

*Bloco quer penalizar empresas com maior desigualdade salarial  



Esta É A Frase

Marine Le Pen já não vem ao Web Summit, portanto, tudo está bem quando acaba bem, certo? Errado. Este é um daqueles episódios em que tudo está mal, desde logo o convite a um líder político nacionalista para uma cimeira da globalização, mas também o ‘desconvite’ por causa da pressão das redes sociais.

António Costa, ECO

Paddy Cosgrave, o fundador do Web Summit, decidiu convidar Le Pen para o evento deste ano. Porquê? Num longo texto nas redes sociais, afirmou: Porque vê uma Europa onde “políticos extremistas”, que a seu ver são “detestáveis”, estão a ser eleitos. “Há uma necessidade palpável de debate e discussão sobre este fenómeno, as suas causas e o papel que a tecnologia está a desempenhar”, considerou. “O Web Summit é um fórum para o debate e discussão de muitos pontos de vista, e não uma plataforma política para um só ponto de vista”, salientou, chegando a comparar o convite dirigido a Marine Le Pen com a vinda de sindicalistas a edições anteriores do Web Summit.
A comparação pode parecer excessiva, mas não é. O que distingue a agenda política de Le Pen com a dos comunistas, do Bloco de Esquerda e de outros movimentos de extrema-esquerda na Europa? Pouco ou nada, porque os extremos tocam-se. É evidente que o convite é completamente despropositado e simplesmente não deveria ter sido feito. Porque não estão em causa apenas diferenças de opiniões, mas a discussão com alguém que quer mesmo acabar com o espírito Web Summit na Europa e no mundo (leia-se o espírito de quem lá vai, porque dos organizadores, já se viu, a coisa é um pouco diferente…) (ler aqui artigo completo)

Sonho


Teria passado a vida 
atormentado e sozinho 
se os sonhos me não viessem 
mostrar qual é o caminho 

umas vezes são de noite 
outras em pleno de sol 
com relâmpagos saltados 
ou vagar de caracol 

quem os manda não sei eu 
se o nada que é tudo à vida 
ou se eu os finjo a mim mesmo 
para ser sem que decida. 

Agostinho da  Silva

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Notícias Soltas

*Festa do Pontal gera mal-estar no PSD






A Nossa Relação Com O Erro

Estamos permanentemente numa relação com o erro, para o desculpar, em vez de aprendermos com ele. E mesmo quando somos forçados a extrapolar qualquer coisinha de consequência, não hesitamos em prosseguir a deriva desculpabilizante em relação ao que corre mal. Quando um incêndio ganha a dimensão do incêndio de Monchique, não se conseguindo contê-lo no ataque inicial, não é aceitável que a análise dos responsáveis políticos possa ser que ao menos não houve mortes. Ao menos, as mortes dos incêndios de 2017 nunca deveriam ser termo de comparação para situações operacionais posteriores em que há coisas que não correram bem. Ou estamos conformados com, no quadro das operações realizadas, alguém ter mandado evacuar a população de Nave Redonda, no concelho de Odemira, quando se deveria ter evacuado a população de Nave, no concelho de Monchique. Quis a sorte ou o acaso que o nível de risco naquela localidade em Monchique não resultasse em danos pessoais.
É por isso que o erro não pode ser negligenciável nem perdoável, como se alguns pudessem ser agraciados com uma amnistia vitalícia ou um salvo conduto para poderem errar ad eternum.
É por isso que o erro não pode ter a geometria variável que faz com quem berrava com os governos no passado agora se conforme num ensurdecedor silêncio, porque são parte da solução de poder, e quem errava no passado agora seja pródigo em apontar o dedo, numa espiral em que já nem os dedos dos pés chegam para tanta falta de memória.
É por isso que, entre o erro como pecado, inculcado pela formação religiosa cristã, e o erro desculpabilizado pelo exercício dos poderes, pelo conformismo dos cidadãos e dos media e pelas geometrias variáveis, tem de ter um ponto de equilíbrio, colocando-o como parte do processo construtivo, não permita a sua reiterada reativação. Aconteceu, pronto!
Em Portugal, no erro pode haver recriminação moral-religiosa, verborreia mediática ou das redes sociais, até um “agarrem-me senão vou-me a eles”, mas são raros os casos em que os clamorosos falhanços implicam consequências.   (ler o artigo completo) António Galamba, Ji.

Encontros E Desencontros

Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo convivendo com tantas perguntas que o tempo não respondeu e com a ausência de qualquer garantia de que ele ainda responda. É me sentir confortável, mesmo entendendo que as respostas que tenho mudarão, como tantas já mudaram, e que também mudarei, como eu tanto já mudei.

AJ

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Notícias Soltas

*Diplomacia portuguesa está a acompanhar caso Navigator. Papeleira perdeu 139 milhões desde o início da semana




Praia Da Ribeira Do Cavalo - Sesimbra


Para ir à praia do Ribeiro do Cavalo ou à Praia do Cavalo como também é conhecida ou popularizada é necessário optar por um dos possíveis caminhos. O caminho por mar e o caminho por terra.

Como habitualmente são poucos os que têm o privilégio de ter um barco à sua disposição para visitar o local, passamos a indicar o seu percurso por terra. O mesmo exige alguma capacidade de mobilidade e orientação.
 
O caminho pedestre compensa?

Sim, são uns metros a pé por um dia no paraíso. É um lugar exótico e único que está em Portugal. Um paraíso a 40 km de Lisboa, um segredo escondido.
 
Como se trata de uma zona deserta, sem comércio local ou estabelecimentos públicos é essencial fazer uma mochila com o necessário antes de fazer a viagem.
 
Após a chegada a Sesimbra, o pontão do porto de abrigo talvez seja o melhor ponto de referência a ter em conta para se encontrar a estrada de terra batida que dá acesso à Praia do Ribeiro do Cavalo. A doca e o porto de abrigo de Sesimbra tal como a sinalização indica, encontram-se no lado poente da vila.


No fim do porto de abrigo, depois do Parque de Estacionamento junto ao Clube Naval e pontão, existe uma estrada de terra batida do lado direito. Esse é o acesso por terra à praia do Ribeiro do Cavalo.

Depois de alguns metros de estrada de terra batida, onde se encontra a pedreira, os carros são devidamente deixados para o trilho pedestre ser percorrido. O trilho pedestre é inevitável para se chegar ao destino.
 
Sendo uma praia exótica e selvagem, a mesma tem sido um local de eleição para muitos campistas e turistas. Um enorme rochedo que se assemelha à cabeça de um cavalo deu o nome a esta praia.
 
É fundamental não deixar lixo no local para permanecer sempre limpa e agradável à vista de todos.

Só uma pequena nota: o nome da Praia é - "Praia do Ribeiro do Cavalo", derivado da pequena povoação no Zambujal "Ribeiro do Cavalo"(caminho do Cabo Espichel, 500m à esquerda do cruzamento Alfarim/Cabo Espichel - para quem vai de Lisboa pela estrada principal).

Segundo a "lenda" o nome deriva do Ribeiro local (ainda bem visíveis os seus indícios) onde muitos anos atrás um Cavalo terá sido visto a beber por muitas vezes, aparecendo e desaparecendo misteriosamente (como é típico nas "lendas). Só é pena este excelente registo não mostrar o principal (quanto a nós): a dureza do caminho e os riscos nas falésias - não recomendável a ida por terra com crianças, que e naturalmente o adoram fazer - todo o cuidado é pouco de igual modo para pessoas com pouca mobilidade. (Fonte: Luís Raúl)

Como Lidar Com A "Infoxicação"

Será que podemos ficar intoxicados por recebermos informações demais?

Para o estudioso espanhol Alfons Cornella, a resposta a essa pergunta é um sonoro sim - tanto que ele criou o neologismo "infoxicação", uma palavra que sintetiza o excesso de informação que atualmente envolve grande parte da sociedade mundial.
Para Cornella, a infoxicação decorre do bombardeio constante a que as pessoas estão submetidas pelas redes sociais e pelo acesso à internet em geral, além das convencionais emissoras de rádio, televisão e jornais.
O estudioso reconhece que ainda não se compreendeu exatamente as consequências dessa "patologia" que se abate sobre grande número de pessoas porque o processo de conscientização sobre o fenômeno ainda está no início. "Eu diria que é um dos temas que teremos que revolver nos próximos anos. E é melhor que resolvamos de alguma forma, porque, se não, a outra solução é deixar de estar informado, o que poderia ter consequências piores," disse ele.


Como lidar com o excesso de informação?

O estudioso espanhol afirma que vê duas possibilidades para que a sociedade consiga evitar a infoxicação: "Uma é aparecer uma tecnologia que nos permita controlar melhor essa quantidade de informação que recebemos. De fato, uma das promessas da inteligência artificial vai nessa direção".
A outra esperança está em uma solução psicológica, um esforço de cada indivíduo para filtrar o imenso volume de informação que chega a ele e, assim, desenvolver critérios para determinar rapidamente qual é confiável e a qual delas dar importância.
Uma boa receita para se imunizar contra a infoxicação seria diferenciar o ler do entender. "O importante é a pessoa determinar que fontes quer ter e quer ler. É cada vez mais relevante ler menos e ler com mais profundidade. É possível ver que se está infoxicado quando não se tem tempo de entender o que está lendo," disse Cornella.
O estudioso recomenda também que as pessoas determinem quais fontes desejam quando buscam por algum tema, para não se dispersar, e que a pessoa não se limite a ler apenas aquilo que está de acordo com o que ela já pensa, ficando aberta a outras versões que contrastem com a sua ideologia para melhor compreender o tema e elevar seu próprio nível de entendimento da questão, o que sempre envolve ouvir os outros.

Fonte: DS

Tenho Mais Almas Que Uma

Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu 'screvo.

  Ricardo Reis

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Notícias Soltas

*O momento em que um carro embate no Parlamento britânico após atropelar várias pessoas

Assim Acontece

António Costa falou por si, pelo PS - e pelo PSD. Os jornalistas quiseram saber da sua intenção de promover consensos com o PSD - e o líder do PS já adiantou que já vêm aí novos acordos com os sociais-democratas! Isto é, António Costa já fala em representação de Rui Rio! Isto só acontece devido à fraqueza da liderança do PSD - António Costa coloca-se assim, definitivamente, como o líder que une o impossível: domina tanto o Bloco de Esquerda e o PCP como domina o PSD. Qual o efeito sistémico no quadro político-partidário português? Fácil: o PS de Costa converte-se no “partido-charneira” do regime, ora virando à esquerda, ora virando à direita. E aumenta a insignificância do PSD, que fica sem poder, sem discurso, sem programa, sem referências. O PSD de Rui Rio não acha insólito que o primeiro-ministro fale pelo partido? À custa da amizade entre António Costa e Rui Rio, o PSD poderá viver a pior fase da sua história. A dúvida já só está em saber se o partido conseguirá sobreviver ao desastre chamado Rui Rio… 

João Lemos Esteves, 'António Costa Apanhou o "Expresso" da maioria absoluta?', Ji

A mistura está ao lume. Quem sairá esturrado?