terça-feira, 4 de agosto de 2015

Finalmente Surge A Possibilidade De Controlo Da Invasora Acácia-de-espigas

Natureza a combater a natureza
Ao fim de "mais de 12 anos de estudos, avaliações de risco e pedidos de autorização, passando o crivo de autoridades nacionais e europeias", investigadores de Coimbra obtiveram "autorização para a libertação do primeiro agente de controlo natural" para conter uma planta invasora em Portugal e "o terceiro na Europa", afirma a Universidade de Coimbra (UC), numa nota hoje divulgada.

"A espécie-alvo do insecto, cuja libertação foi agora autorizada, é a acácia-de-espigas, um arbusto/pequena árvore australiana, que é uma das piores invasoras no litoral português", sublinha a equipa de investigadores envolvidos neste processo, que é integrada por especialistas do Centro de Ecologia Funcional (CEF) da UC, coordenado por Helena Freitas, e da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC).

Além de ameaçar a biodiversidade nativa, esta planta, que foi trazida do hemisfério sul, "altera o solo e a dinâmica do sistema dunar, diminui a produtividade em áreas florestais e acarreta custos elevados para o seu controlo".

Este controlo natural, consiste na libertação de um pequeno insecto australiano (Trichilogaster acaciaelongifoliae), "promove a formação de galhas (também conhecidas como bugalhos) nas gemas florais da acácia-de-espigas", impedindo a reprodução da invasora.
Este pequeno himenóptero, com dois/três milímetros, é "muito específico" e "precisa da acácia-de-espigas para completar o seu ciclo de vida".
Em Portugal, "foi testada uma lista de 40 plantas incluindo espécies nativas e espécies com interesse económico, e apenas se observou a formação de galhas em acácia-de-espigas, o que corrobora a grande especificidade deste organismo", realçam as investigadoras.

Com os últimos estudos, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e comparticipado por fundos europeus, "prevê-se que as primeiras largadas de insetos" ocorram em outubro, tornando Portugal no segundo país da Europa (depois do Reino Unido) a autorizar a utilização de um agente de controlo natural para conter uma planta invasora. (Fonte: USF)