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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Berlim Cada Vez Mais A Insistir Numa Europa Mais Alemã


Embora Berlim tenha descartado deliberadamente as armadilhas do poder imperial, a verdade é que tem vindo a assumir-se como a capital de facto da União Europeia (UE). As principais instituições europeias estão sediadas em Bruxelas, no entanto, as decisões chave são tomadas na capital alemã.

Será que a Grécia vai sair da zona euro? Em última instância, será a Alemanha a decidir. Será que os políticos europeus vão apoiar novos resgates à Europa do Sul? Os debates cruciais para o futuro da UE terão lugar no Bundestag, em Berlim, e não no Parlamento Europeu. Com quem é que os líderes do FMI discutem a crise do euro? Com o governo alemão e o Banco Central Europeu (BCE), sediado em Frankfurt, e não com a Comissão Europeia.

Esta mudança de poder - de Bruxelas para Berlim - foi acelerada pela crise na zona euro. A chanceler alemã, Angela Merkel, tornou-se, na sequência da crise na zona euro, no líder europeu com maior peso político. Por razões distintas, os líderes das restantes grandes nações europeias apresentam-se em Bruxelas numa posição fragilizada.

Por razões históricas óbvias, a Alemanha do pós-guerra nunca procurou um papel dominante na Europa. Depois da reunificação, o lema era uma "Alemanha europeia, não uma Europa alemã".(Excertos de um artigo de Gideon Rachman,JNegócios)

Pois, era, mas já foi ...

Berlim cada vez mais defende abertamente a 'necessidade' de uma Europa "mais alemã" e pelo vistos há mais quem queira seguir o guião. Fiem-se na virgem e não corram, que é como quem diz - deixem correr e não se unam para tentar salvar a suposta UE; quando acordarem podem ter de defrontar uma  dura realidade.

Última Hora: O PR dá posse na sexta-feira a Novos Secretários de Estado

Manobras De Diversão De Merkel Até às Eleições Enquanto A 'Pobre' Europa Espera E Desespera. Em Ponto Morto

A união bancária lá voltou para as calendas...


Isto deve-se - não tanto como se tem dito - ao domínio alemão, mas sobretudo à incapacidade geral para lidar com ele: incapacidade sobretudo estratégica e sobretudo francesa. Apesar das promessas e dos esforços de François Hollande, o balanço da mudança é, convenhamos, decepcionante: a França acabou por adoptar o tratado orçamental sem as alterações tão reclamadas, o imperativo de crescimento caiu numa adenda subalternizada, as demais sugestões do Presidente francês foram mais ou menos delicadamente ignoradas.

Se o seu programa era o que ele enunciou na entrevista conjunta que deu a vários órgãos de informação na véspera deste Conselho Europeu - nomeadamente o de se resolverem prioritariamente as situações mais explosivas da Zona Euro, e o de se assumir uma Europa a duas velocidades -, é difícil tirar outra conclusão que não seja a do seu malogro.

O que este Conselho Europeu claramente mostrou foi que Angela Merkel domina a economia, a estratégia e o calendário. E tudo, agora, com um único objectivo: o da sua reeleição no outono do próximo ano.

Até lá, só são de esperar manobras de diversão.

Manuel Maria Carrilho,"Mudar de vida",DN

Não Nos Livramos Do Monstro Tão Cedo ...

O FMI avança que o esforço da consolidação está agora "predominantemente baseado na receita" e apela a que o Governo defina de forma "célere" o plano de cortes de despesa no valor de 4 mil milhões de euros para "reequilibrar" o ajustamento.