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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

A Frase (3)

 Regressando à nossa jangada de pedra, Portugal enfrenta o seu próprio drama shakespeariano com as Eleições Presidenciais.

Após uma década marcada por uma Presidência que confundiu proximidade com onipresença e magistratura com comentário televisivo, 2026 surge como o ano da ressaca mediática. O papel do Presidente da República, essa chave-mestra do sistema semipresidencialista, foi progressivamente banalizado entre selfies e indiscrições, esvaziando a solenidade de Belém. O eleitorado, exausto de afetos performativos, procura agora algo quase revolucionário: o silêncio competente. Estas eleições não se decidirão por quem grita mais alto ou distribui mais beijos, mas por quem consegue restaurar a gravitas institucional. Num país que precisa de revigorar de forma sustentada o seu modelo económico, a governação não pode assentar na negociação anual de orçamentos, mas antes de políticas verdadeiramente reformadoras e regeneradoras, e para tal é urgente um árbitro que saiba quando apitar, e não um comentador que está constantemente a “invadir o relvado”.          (Ricardo Valente, ECO)

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