Se, em tempos, a política se fazia com instinto, nestas presidenciais tudo foi cálculo. Imagem cuidadosamente preparada, debates cuidadosamente preparados. Não voltariam a cometer o erro de ignorar as redes sociais, não voltariam a cometer o erro de subestimar a importância de mostrar um lado mais vulnerável ou humano e de ir aos programas de entretenimento e de humor, não voltariam a cometer o erro de não dar atenção científica às sondagens, não voltariam a cometer o erro de não mudar de estratégia durante a campanha se fosse preciso, não voltariam a cometer o erro de se regozijarem no conforto apenas do seu eleitorado. E, no fim, tanto estudo, tanta cautela, tornaram-nos pouco moldáveis a esse bicho temperamental chamado realidade. Tirou-lhes jogo de cintura ou entorpeceu-lhes o instinto. Os erros acumularam-se. Os erros ditaram tudo. Os erros e um velho pecado tão pouco tecnológico, mas tão bíblico: a cobiça. (Alexandre Borges, OBSR)
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Eleições
Estas foram as primeiras eleições em que todos os candidatos fizeram uso plenamente consciente do tempo que vivemos: dos media constantes em torno deles, das redes sociais, dos estudos de opinião a saírem quase diariamente, da voracidade da informação e da velocidade com que a nossa atenção hoje escolhe um tema como o fim do mundo e amanhã já o descartou e passou a outro. Foram as primeiras eleições em que todos compreenderam que os ciclos noticiosos que antes podiam durar semanas ou meses, hoje dificilmente sobrevivem ao súbito aparecimento do dia seguinte.
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