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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Eleições

Estas foram as primeiras eleições em que todos os candidatos fizeram uso plenamente consciente do tempo que vivemos: dos media constantes em torno deles, das redes sociais, dos estudos de opinião a saírem quase diariamente, da voracidade da informação e da velocidade com que a nossa atenção hoje escolhe um tema como o fim do mundo e amanhã já o descartou e passou a outro. Foram as primeiras eleições em que todos compreenderam que os ciclos noticiosos que antes podiam durar semanas ou meses, hoje dificilmente sobrevivem ao súbito aparecimento do dia seguinte.

Se, em tempos, a política se fazia com instinto, nestas presidenciais tudo foi cálculo. Imagem cuidadosamente preparada, debates cuidadosamente preparados. Não voltariam a cometer o erro de ignorar as redes sociais, não voltariam a cometer o erro de subestimar a importância de mostrar um lado mais vulnerável ou humano e de ir aos programas de entretenimento e de humor, não voltariam a cometer o erro de não dar atenção científica às sondagens, não voltariam a cometer o erro de não mudar de estratégia durante a campanha se fosse preciso, não voltariam a cometer o erro de se regozijarem no conforto apenas do seu eleitorado. E, no fim, tanto estudo, tanta cautela, tornaram-nos pouco moldáveis a esse bicho temperamental chamado realidade. Tirou-lhes jogo de cintura ou entorpeceu-lhes o instinto. Os erros acumularam-se. Os erros ditaram tudo. Os erros e um velho pecado tão pouco tecnológico, mas tão bíblico: a cobiça.       (Alexandre Borges, OBSR)

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