De repente, sem que ninguém estivesse verdadeiramente à espera, a campanha eleitoral abriu as portas pesadas do Grande Museu das Conquistas da Direita Portuguesa. João Cotrim Figueiredo, que vem da Iniciativa Liberal e, por isso, só poderá, eventualmente, chegar a Presidente da República com os votos dos laranjinhas.
Para parte substancial dos eleitores, estas presidenciais são um pantanal que torna difícil qualquer escolha ou vontade de escolha. (...)
Para a esquerda não há, assim, voto útil. Se acaso algum esquerdista quiser ser útil na primeira volta, terá de votar num dos candidatos do Centrão. Mas em quem? Só se, tapando a cara do candidato com uma mão, votar pelo Seguro com a outra. Marques Mendes, alinhado com o poder e com os poderes, estará fora de questão; Cotrim, ainda que as suas posições em matéria de família e costumes, nação e Europa, não se afastem muito das da Esquerda, é indissociável do patronato e demasiadamente liberal economicamente para ser considerado; e o Almirante Gouveia e Melo, apesar da serenata dada às “forças do progresso” na caça ao voto útil e da alardeada simpatia pelo Dr. Soares, não parece reunir as credenciais… e é militar. (...)
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