Quanto a André Ventura, Montenegro já está em fase de controlo de danos. Na sua pior noite, o presidente do PSD tomou a sua melhor decisão: não apoiou Seguro , assim evitando no futuro que Ventura o acantone com o PS como “bloco central” do sistema que tem de unir-se para o vencer. (Pedro Santos Guerreiro, CNN)
O mal que já está feito. Mesmo se Ventura perder à segunda volta.
Mas se Montenegro apoiasse Seguro, Ventura diria ainda outra coisa: que só quando todos os partidos do sistema se unem é que ele perde; que tinha sido assim nas presidenciais e assim teria de ser nas legislativas; e que AD e PS, que andam a aprovar orçamentos juntos, são o “lado de lá” de Ventura, o “sistema” contra ele. É assim que acontece há anos em França.
O resultado das presidenciais trouxe Montenegro à terra, contrariando o seu excesso de otimismo e de confiança dos últimos meses. O grande resultado de Ventura somado ao grande resultado de Cotrim são um duche gelado de realidade, tanto que o discurso final de Cotrim – de que os seus 900 mil votos são o princípio de qualquer coisa – são uma ameaça a “esta” Iniciativa Liberal e a “este” PSD.
Montenegro tem de perceber como é que mesmo baixando impostos, dando borlas no crédito à habitação e prometendo reformas, não mobiliza esta população jovem.
Já não há boas soluções: ao contrário da frase do candidato Tiririca, pior que está ainda fica. E Montenegro não é partidário da resistência, mas da sobrevivência. Quando se põe a olhar, vê-se ameaçado por vários lados, dois à direita e um à esquerda. E quando se põe a escutar, ouve um som familiar, minimal, repetitivo, um tiquetaque, tiquetaque, tiquetaque…

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