Quando Trump recebe o prémio Nobel da paz que não lhe foi atribuído, tal gesto diminui a simbologia do prémio e funciona como uma humilhação do real destinatário. Quando Trump anuncia a expansão territorial da América através da anexação da Gronelândia, tal declaração desafia toda a construção de uma ordem internacional que projecta a humilhação de uma nação aliada e cooperante.
E se algum país soberano não concordar com a soberania universal da América então dispara-se a arma das tarifas aduaneiras transformadas numa espécie de míssil de cruzeiro económico. Há qualquer coisa que aproxima estas declarações políticas da lógica das expedições punitivas para efeitos de pacificação da ordem internacional. É a nova versão da Pax Americana.
O ódio em política não é um atributo particular à direita ou à esquerda. O ódio é uma parte constitutiva da política – Maquilhado com a hipocrisia, disfarçado com a justiça, impulsionado com a cultura. O ódio é um dispositivo político que provoca um profundo sentido de identidade e uma ideia de destino manifesto.
O ódio é uma emoção política que se liberta do medo, da inveja, do preconceito, do desejo puro de poder. O ódio permite unir comunidades inteiras contra um inimigo comum.
O mesmo ódio que faz da política um exercício irracional associado a decisões destrutivas que podem ameaçar a harmonia social de uma comunidade e armadilhar qualquer sentido de realização pessoal. O ódio consolida as divisões e fortifica as fronteiras.
O estado actual do mundo passa pela consolidação das divisões e pela fortificação das fronteiras. Fronteiras políticas e económicas. Contra uma versão lírica do Direito Internacional, o ódio é a mais eficaz máquina do medo. (ler aqui texto na íntegra)

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