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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Pelos Vistos, A Direita Acácia Não Aprendeu Nada

Os grandes responsáveis por vivermos hoje de espinha vergada e mão estendida são também aqueles que nos querem à viva força convencer que Seguro configura uma inevitabilidade nacional.

Para um país onde metade dos eleitores não exerce o direito de voto e o discurso público passa, genericamente, ao lado de tudo o que são as grandes questões do seu tempo, não pode deixar de ser um paradoxo a forma como o mundo mediático português se agita em frémitos de excitação com a “actualidade política”. Por estes dias, claro está, as eleições presidenciais cobrem o pleno da atenção — há que espremer a vaca até ao último clique — com a corrida ou, como muitos gostam de colocar a coisa, o “embate”, entre André Ventura, o novo enfant terrible da política nacional, e António José Seguro, o português detentor do record no Guiness para o político menos interessante do planeta.

Seguro, para além do chavão, agora inevitável e por todos compungidamente repetido, que garante e certifica a sua impoluta honestidade, parece-me um indivíduo simpático. Ainda assim, apesar dessa aparente simpatia e apregoada honestidade, devo admitir que, não lhe conhecendo especial causa ou ideia, ainda me lembro dos tempos onde, quer liderando o PS quer por lá cirandando nos corredores, nos brindava com os lugares comuns do costume, repetindo com gosto e monótona convicção a mesma cassete dos grandes clássicos socialistas do nosso século — Guterres, Sócrates e Costa. Daí que, não levando a mal quem vá na cantilena, lamento, mas não a compro.

Pelos vistos, a direita Acácia não aprendeu nada. Vai daí e é vê-la agora aí toda empertigada, entusiasticamente reencarnada no manifesto “não-socialistas por um socialista”.

Que os nossos Acácios acreditem nisso, tudo bem; agora que se arroguem mais uma vez a perorar a sua “verdade democrática” do mais alto dos pedestais passando um atestado de inimigo da democracia a quem não aceite a sua receita, isso apenas revela quão completamente incapazes são de compreender o mundo em que vivem — e tamanha incompetência sairá muito caro, não tanto a Seguro, que provavelmente sobreviverá, mas, principalmente, à direita portuguesa, uma vez mais dividida em nome da decência e dos bons valores que os iluminados do “comentariado” resolveram revelar aos incréus, mais uma vez para benefício do PS e demais acólitos da esquerda e extrema-esquerda.  

(excertos do texto de Nuno Labreiro, OBSR


 



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