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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Eu Sou ...


Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida
e não desistir da luta,
recomeçar na derrota,
renunciar a palavras
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
e ser otimista.

(Cora Coralina)

domingo, 4 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (2)

A condenação do regime de Nicolás Maduro e do contexto político vivido na Venezuela é justificada: tantos venezuelanos merecem, sem dúvida, melhores condições de vida, liberdade e democracia. A queda de um líder autoritário é uma boa notícia para um povo subjugado por uma longa crise política e humanitária.

É possível (e até sensato) estar, simultaneamente, satisfeito pela queda de um regime opressivo e ditatorial, e totalmente contra os meios utilizados. Uma intervenção militar que atropela as normas fundamentais do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas é problemática em qualquer circunstância.       (Carlos Gomes, Público)

Silêncio


Sabe porque o silencio magoa?
Porque ele esconde palavras que gostaríamos que fossem ditas.
Sabe porque a traição dói tanto?
Porque nunca vem dos inimigos e sim das pessoas que, muitas vezes, mais amamos na vida.
Sabe porque não existe um meio de voltar no tempo?
Porque se existisse nunca aprenderíamos a seguir em frente!

sábado, 3 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (279/1)

Estamos perante o Corolário Trump, cujo impacto promete ser grande, e sentir-se além das fronteiras da Venezuela , basta pensar na preocupação na Colômbia. Portugal está também preocupado, pois há centenas de milhares de portugueses e luso-descendentes na Venezuela a pensar como será o pós-Maduro. (Leonídio Paulo Ferreira, DN)

O documento de estratégia dizia claramente que o objetivo era "controlar a migração, impedir o fluxo de drogas e reforçar a estabilidade e a segurança em terra e no mar". Trump terá planos ambiciosos para a América Latina, a tal que Bolívar foi, pelo menos em parte, o Libertador.

É Aquilo Que ...


O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.

(Clarice Lispector)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (278)

A duas semanas das eleições, é legítimo exigir mais. Mais discernimento. Mais densidade. Mais consciência do papel presidencial ( José Crespo Carvalho, OBSR)

O Presidente da República é, antes de tudo, o primeiro embaixador e o primeiro diplomata português no mundo. Não é gestor do SNS, não é ministro da Habitação, não é secretário de Estado da Educação. Para isso existem governos. 

A quinze dias de uma eleição presidencial, pergunto: qual dos candidatos pegou neste tema central da função presidencial e o trouxe para o debate público? E explicou aos portugueses como e o que iria fazer? Vi poucos debates, é certo. Os que vi, porém, foram paupérrimos. Quase todos deslizaram para o terreno do Executivo: saúde, justiça, educação, segurança. Como se estivéssemos a escolher um primeiro-ministro de faixa presidencial. Ou como se estivéssemos numa república de iniciativa presidencial e não parlamentar.

O essencial ficou sempre de fora. Como se exerce a influência de Portugal num mundo fragmentado? Onde está a estratégia diplomática, e a diplomacia económica, de um chefe de Estado? Que países privilegiar, em que matérias, qual a agenda do chefe de Estado para com esses países? Como se projeta um país pequeno, periférico e relativamente pobre, sem fingimentos nem ilusões?

Na última década, vimos o ressurgimento de fenómenos que julgávamos ultrapassados, que se podem descrever, de forma simplista, como o regresso dos homens fortes. Os tecnocratas estão fora de moda, os humanistas são vistos como fracos, o multilateralismo é sinal de falta de decisão. Dos líderes quer-se, mais do que colaboração, empatia e educação, que seja o tipo que fala mais alto na sala. E se bater com o punho na mesa, melhor.

É a política feita bullying, numa caricatura de testosterona que, francamente, é bastante ridícula.

Portugal não tem, nem terá, uma influência económica global comparável às grandes potências. Mas tem alavancas: história, língua, cultura, redes, memória, presença simbólica, capacidade relacional. Tem a Europa. Tem os PALOP. Tem o Atlântico. Tem uma diáspora relevante. Tem reputação de fiabilidade. Tudo isto exige inteligência diplomática ao mais alto nível.

Nada disto foi discutido. Em vez disso, tivemos acusações fáceis, ruído, arruaça verbal. Política como espetáculo. Presidenciais como reality show. É mau. Não apenas pelos candidatos. É mau porque é o espelho do país que somos.

A duas semanas das eleições, é legítimo exigir mais. Mais discernimento. Mais densidade. Mais consciência do papel presidencial.

Como dizia o Papa Francisco, a esperança é “uma menina irredutível, alegre, que nunca se farta”. Talvez sejamos poucos a esperar um chefe de Estado verdadeiramente diplomata. Mas, mesmo esses poucos, têm direito à sua esperança. E como Portugal precisa desesperadamente dela.

Nota: Bom ano 2026 para todos os que me leem e seguem. Haja esperança!

Eu Não Quero O Presente, Quero A Realidade

 
Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.

Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.

O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.

Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas
como cousas.

Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes.

Eu nem por reais as devia tratar.
Eu não as devia tratar por nada.

Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.

(Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos")

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

A Origem Do Ano Novo

 A origem do Ano Novo em 1º de janeiro remonta à Roma Antiga com Júlio César, que instituiu o Calendário Juliano, dedicando janeiro (mês de Jano, deus dos inícios) como o primeiro mês; a data foi oficializada globalmente com o Calendário Gregoriano no século XVI, embora civilizações antigas (mesopotâmios, egípcios) já tivessem celebrações na primavera, e outras culturas (chineses, judeus) mantenham datas próprias.

Raízes Antigas
Mesopotâmia e Antigo Egito (2000 a.C.): Celebrações de passagem de ano comemoravam a primavera e o fim do inverno, com rituais e festividades.
Romanos (Antes de César): O ano começava em março, ligado ao ciclo agrícola.

A Mudança para Janeiro
Júlio César (46 a.C.): Instituiu o Calendário Juliano, definindo janeiro como o primeiro mês, em homenagem a Jano (deus das transições, com duas faces, uma para o passado e outra para o futuro).Cristianismo Primitivo: A Igreja considerou o 1º de janeiro pagão e mudou o Ano Novo para 25 de março (Anunciação).

Oficialização Global
Papa Gregório XIII (Século XVI): Adotou o Calendário Gregoriano, restabelecendo 1º de janeiro como Ano Novo para os países católicos, alinhando-o com as celebrações romanas.
Expansão Ocidental: Com o tempo, o calendário gregoriano e a data de 1º de janeiro foram adotados mundialmente, tornando-se a celebração mais conhecida.

Outras 
CulturasAno Novo Chinês (Chun Jie): Celebrado entre janeiro e fevereiro.
Rosh Hashaná (Judaico): Celebrado em setembro/outubro.

Assim Vai Este País

 
 Vivemos num Estado com uma burocracia asfixiante, que se assume digital, mas cujos procedimentos à beira de um novo ano, são analógicos.   (Ana Cipriano, ECO)
 
Volvidas mais de duas décadas desde a viragem do século, assistimos à persistência de modelos organizativos excessivamente hierarquizados, de procedimentos administrativos redundantes e de uma cultura institucional pouco orientada para resultados globais que têm limitado a capacidade de adaptação do Estado a uma sociedade em acelerada transformação. (...)

Num tempo marcado pela digitalização, pela inovação tecnológica e pela crescente disponibilidade de dados, torna-se difícil justificar estas situações, pois talvez as razões não sejam tão somente de ordem tecnológica, mas de garantias, de direitos e liberdades (tal como refere a Constituição da República Portuguesa), num Estado que se quer moderno, transparente e verdadeiramente ao serviço do interesse público. Ano Novo, Vida Nova na Administração Pública? Esperemos que sim. Boas entradas!

A ironia cruel: nunca tivemos tanta tecnologia para ganhar tempo, e nunca nos sentimos tão sem ele. A promessa era libertação. O resultado foi aceleração. Cada minuto “poupado” foi imediatamente preenchido com mais tarefas, mais estímulos, mais exigências. O tempo não ficou vazio ficou colonizado.         (Ana Teresa Fernandes, OBSR)

E, no entanto, o tempo é a única coisa que não se acumula. Não se investe. Não se recupera. Passa. Sempre. Talvez seja isso que o torna tão ameaçador para um sistema que vive de crescimento infinito. O tempo lembra-nos dos limites, da finitude, da impossibilidade de fazer tudo, de ser tudo, de estar em todo o lado. (...)

Há algo profundamente político nesta falta de tempo. Quando não temos tempo, não questionamos. Não paramos. Não pensamos. Consumimos soluções rápidas para problemas que exigiriam silêncio. Reagimos em vez de refletir. O “não tenho tempo” é o aliado perfeito de um sistema que prefere indivíduos ocupados a cidadãos atentos.

Novo Ano 2026 !


 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde


Esta É A Frase (278)

O homem que se esforçava por parecer mais sério que todos os outros juntos vai passar dias a explicar as suspeitas que recaem sobre ele. Lá se foi a vantagem moral. É uma enorme ironia. E não a única.(...)          (Miguel Santos Carrapatoso, OBSR)

Ironicamente, a mais recente vítima de uma “investigação em curso” — Henrique Gouveia e Melo — é o candidato que estava a tentar atirar o rival mais direto — Luís Marques Mendes — para uma teia de suspeitas e de insinuações, exigindo uma espécie de inversão do ónus da prova. É mais um exemplo acabado de como é muito arriscado apostar tudo em campanhas negativas, que nunca correram particularmente bem a quem as organizou e liderou. Depois, já se sabe: quem com ferros mata, com ferros morre.  (...)

Apesar de tudo, medir o impacto político destes casos (diferentes na sua natureza, semelhantes nas leituras que se podem retirar) é um exercício difícil. Difícil porque uma parte da opinião pública parece estar anestesiada com esta sucessão de “investigações”, buscas, casos e casinhos em alturas sempre oportunas; e difícil porque uma outra parte parece convencida de que os políticos são todos iguais. Não são. Mas fariam todos um enorme favor se não se entretivessem a atirar lama uns contra os outros, judicializando eles próprios a política. Inevitavelmente dá asneira. Não é pedir o impossível; o impossível seria pedir ao Ministério Público que comunicasse com transparência. Mas nisso já ninguém acredita.

A Ansiedade

A ansiedade é uma resposta natural e adaptativa do corpo ao stress ou perigo, manifestando-se como preocupação, medo e sintomas físicos (palpitações, suores, falta de ar). Embora normal em situações pontuais, torna-se um transtorno quando excessiva, persistente e interfere no dia a dia, exigindo acompanhamento médico com psicoterapia, medicação e mudanças no estilo de vida para gestão e tratamento, como exercício físico, técnicas de relaxamento e uma alimentação equilibrada.

O que é : Uma emoção de nervosismo, apreensão ou desconforto sobre eventos futuros. Prepara o corpo para "lutar ou fugir", mas torna-se problemática quando exagerada ou constante.

Sintomas Comuns: 

Psíquicos: Inquietação, medo, dificuldade de concentração, pensamentos acelerados.

Físicos  Taquicardia, falta de ar, suores, boca seca, tensão muscular, problemas gastrointestinais, insónia, tonturas.

Quando se torna um problema: Quando a preocupação é excessiva, incontrolável e afeta significativamente a vida diária (trabalho, relacionamentos). Pode evoluir para transtornos específicos como TAG, pânico ou fobias.

Como controlar e tratar: Estilo de Vida: Exercício físico, alimentação saudável, sono de qualidade, evitar cafeína e álcool.

Técnicas: Meditação, mindfulness, ioga, respiração profunda, hobbies relaxantes, falar com amigos/familiares.  Ajuda Profissional: Terapia (psicologia), medicação (psiquiatria) para casos mais graves.

O que fazer numa crise de ansiedade : 
Focar no presente: Técnicas de respiração, focar nos 5 sentidos (ver, ouvir, É, cheirar, provar).
Distrair a mente: Caminhar, ouvir música, fazer uma tarefa doméstica.
Procurar ajuda: Se for recorrente ou muito intensa, procure um médico ou psicólogo.

Na animação Divertida Mente 2, a Ansiedade :

É uma nova emoção que surge na adolescência de Riley, representando o medo de cenários futuros, as preocupações com popularidade e o desejo de se encaixar, dominando a sala de controle e afastando as emoções originais, com o objetivo de criar uma "nova" Riley, mas acaba prejudicando sua autoestima e amizades ao se tornar excessiva e caótica, aprendendo no fim que o equilíbrio com as outras emoções é essencial para a maturidade.

Características da Ansiedade no Filme:

Aparência: Um ser laranja, agitado, com muito cabelo e sempre com malas, simbolizando o peso das preocupações futuras.
Função: Proteger Riley antecipando desastres, mas em excesso, foca em cenários negativos e na pressão social.
Ações: Tenta moldar Riley para ser popular no time de hóquei, negligenciando as antigas amigas e criando uma "nova" identidade, o que leva a um ataque de pânico.
Conflito: Disputa o controle com Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojo, enviando-os para o cofre do esquecimento.
 
Lições do Filme:

Equilíbrio: A Ansiedade, como as outras emoções, é natural, mas seu excesso é prejudicial, mostrando que a mente precisa de todas as emoções em doses equilibradas.
Maturidade: O filme explora como as emoções mudam com a idade, destacando a complexidade da adolescência e a importância do autoconhecimento para lidar com esses sentimentos.
Saúde Mental: A Pixar aborda a ansiedade de forma lúdica, ajudando a normalizar a conversa sobre transtornos de ansiedade, um problema crescente, especialmente entre jovens.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (277)

O futuro das nossas cidades passa por esta liberdade: viver onde se deseja, trabalhar onde se precisa e deslocar-se de forma rápida, confortável e sustentável.  (Rafael Ascenso, OBSR)

Se queremos resolver o problema da habitação, é hora de investir numa rede de transportes públicos eficientes, integrar novas acessibilidades e encarar os concelhos vizinhos como oportunidades para expandir as cidades com critério. Este investimento só terá reflexos daqui a alguns anos, numa altura em que não estarão em funções os políticos atuais. É por isso que, governo após governo, estas decisões acabam por ser adiadas. 

Em cidades como Londres, Paris, Madrid ou Amesterdão, esta é já uma realidade. Pessoas que vivem a 20, 30 ou até 40 km destes grandes centros deslocam-se diariamente sem grandes constrangimentos, porque a infraestrutura de transportes acompanha o crescimento urbano.

Nota: A prioridade da compra de casa ao invés do arrendamento veio complicar muito, condicionando a deslocação de pessoas e bens de uma região para outra.

Convite

Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

(Lya Luft)