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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

A Frase (19)

A campanha presidencial sofre de um colapso político. Depois do debate entre Ventura e Seguro os portugueses sabem que o voto é entre a banalidade e o vazio.   (Carlos Marques de Almeida, ECO)

As banalidades de Seguro têm o equivalente político no vazio de Ventura. Seguro é um sussurro político para tranquilizar o sistema. Ventura é um megafone político para perturbar o sistema. Seguro não tem ideias porque em Portugal as ideias são um obstáculo ao normal funcionamento da democracia. Ventura sem megafone revela o vazio de ideias que se alimenta da crítica às banalidades de Seguro. 

Desta observação fica a conclusão política sobre as presidenciais – Seguro é moderado porque só pode ser moderado para existir politicamente; Ventura é radical porque só pode ser radical para existir politicamente. Seguro não pretende ir a lado nenhum. Ventura segue o impulso de uma aventura política. O paradoxo das presidenciais é que os candidatos são mais forma do que conteúdo político. (...)

A campanha presidencial está reduzida a votómetros, radares de sondagens e pensamento mágico. A campanha presidencial é o hate-bombing contra love-bombing, mais o controlo e o descontrolo, mais a doutrinação sem doutrina, mais os segredos privados e as públicas virtudes, mais todo um elenco de sentimentos sem culpa. Com a esquerda anulada, a direita clássica está ausente, a direita populista está em roda livre e a grande família das direitas não percebe o seu papel na nova configuração do Regime. A grande família das direitas esconde-se no apoio a Seguro.

O próximo Presidente da República será escolhido pela filiação a uma imagem política e não pela adesão a um programa político.   (texto na íntegra)

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