Há momentos na política em que o país, cansado de sobressaltos, escolhe a opção que lhe garanta maior estabilidade quase por instinto. A eleição de António José Seguro para Belém é exatamente isso: um voto num Presidente que promete previsibilidade, moderação e um ambiente institucional desanuviado. ( Filipe Alves, DN)
Seguro chega a Belém porque foi o único candidato que conseguiu apresentar um perfil e um conjunto de ideias que coincidem com aquilo que a maioria dos portugueses deseja neste momento. Como escreveu este domingo o histórico jornalista Dennis Redmont, antigo correspondente da Associated Press em Portugal nos anos 60, que conhece muito bem o nosso país, os portugueses optaram por um construtor de pontes em vez de alguém que as iria destruir - “Portugal preferred a bridge builder to a bridge burner”. E essa escolha oferece ao Governo algo precioso: três anos de margem para executar o seu programa sem o fantasma permanente de crises políticas. É um luxo raro na política portuguesa contemporânea.
Esse espaço é, aliás, uma oportunidade rara para Luís Montenegro. Depois de meses marcados por hesitações estratégicas, ruído interno e passos em falso, como ficou evidente na desarticulação perante os estragos causados pelo mau tempo, o primeiro-ministro tem agora a possibilidade de corrigir erros recentes e assegurar que o PSD continua a ser o partido charneira do sistema político português. (...)
Convém sublinhar que o PS parte para este novo ciclo com uma vantagem estrutural. No seu campo ideológico, os partidos à sua esquerda perderam a força que tinham até há poucos anos, o que abre espaço para um discurso socialista mais centrista e mais apelativo ao eleitorado flutuante do centro político.
Esse espaço é, aliás, uma oportunidade rara para Luís Montenegro. Depois de meses marcados por hesitações estratégicas, ruído interno e passos em falso, como ficou evidente na desarticulação perante os estragos causados pelo mau tempo, o primeiro-ministro tem agora a possibilidade de corrigir erros recentes e assegurar que o PSD continua a ser o partido charneira do sistema político português. (...)
Convém sublinhar que o PS parte para este novo ciclo com uma vantagem estrutural. No seu campo ideológico, os partidos à sua esquerda perderam a força que tinham até há poucos anos, o que abre espaço para um discurso socialista mais centrista e mais apelativo ao eleitorado flutuante do centro político.
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