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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Saiba Como Vai Este País

A herança de Marcelo Rebelo de Sousa, ainda que não se possa dizer que seja totalmente da sua responsabilidade, é tudo menos brilhante, deixando ao seu sucessor alguns desafios que poderiam ser evitáveis se tivesse exercido a presidência de outra forma. Muito interventivo na palavra, foi pouco exigente para com a governação.

Podia não ter conseguido fazer a diferença, mas pelos menos estaríamos neste momento a recordar que tinha alertado os governos de António Costa para, pelo menos, a política orçamental que estava a ser inimiga dos serviços públicos e as medidas de praticamente liberalização da imigração que ameaçaram a coesão social. E que, quer queiramos quer não, explica boa parte do sucesso do Chega.

Se os anos passados, que beneficiaram de um quadro mais estável, poderiam ter sido diferentes se as políticas tivessem sido diferentes, os próximos cinco anos enfrentam um enquadramento muito mais desafiante para a política e as políticas públicas nacionais.

As presidenciais, quer se goste ou não, afirmaram André Ventura. Sim, é um terço dos votos, é uma minoria e andamos a preocupar-nos com minorias, argumenta-se. A questão não está na estática, mas na dinâmica. Vale a pena termos sempre presente que o Chega conseguiu, de 2019 para 2025, passar de um deputado para 60. E André Ventura superou, nestas presidenciais, a marca das legislativas de 2025. Temos sempre dito que não vai ser fácil crescer mais, mas as previsões têm sido sempre erradas.

O primeiro-ministro disse-nos que nada mudou, mantendo a sua estratégia de aprovar umas medidas com o Chega e outras com o PS. Vamos ver se isso é ainda possível com um teste especialmente importante na votação do Orçamento do Estado para 2027. 

Seguindo a lógica de André Ventura, podemos assistir a, mais uma vez, um empurrar da AD para os braços do PS, alimentando assim a retórica do “nós contra eles” ou de “estão todos feitos uns com os outros”.

Independentemente do que vier a acontecer, estes novos tempos de três grandes partidos, tornam a gestão do sistema muito mais difícil. O que é um desafio para o novo Presidente e para o primeiro-ministro, na sua ambição de terminar a legislatura.

(Estes são alguns tópicos do texto da autoria de Helena Garrido, hoje no OBSR, com os quais concordo inteiramente.)

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