Se os Estados Unidos quiserem os Açores, nós deixamos. Porque a alternativa é não deixarmos, levarmos umas bofetadas e ficarmos sem os Açores à mesma. (José Diogo Quintela, OBSR)
A lógica é fria e calculada. Se o impacto do conflito sair do campo de batalha e entrar nos mercados energéticos, nas rotas marítimas e nas economias europeias, então a pressão política desloca-se. O objetivo deixa de ser apenas militar. Passa a ser económico e psicológico. Transformar um confronto militar concreto numa crise regional com implicações globais. E, sobretudo, redistribuir o custo da guerra.
Essa dimensão ganha contornos ainda mais densos na relação com Israel. A aproximação estratégica entre Washington e Telavive não é apenas geopolítica; ela é também simbólica. Parte significativa do movimento evangélico norte-americano interpreta a centralidade de Israel como elemento escatológico, associado à narrativa dos “fins dos tempos”. Nesse imaginário, apoiar Israel não é apenas política externa — é cumprimento de um desígnio histórico.

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