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terça-feira, 3 de março de 2026

Sinais Dos Tempos

Se os Estados Unidos quiserem os Açores, nós deixamos. Porque a alternativa é não deixarmos, levarmos umas bofetadas e ficarmos sem os Açores à mesma.   (José Diogo Quintela, OBSR)

O Irão percebeu rapidamente que este conflito não pode ser lido apenas como uma guerra entre si e Israel. A equação envolve Estados Unidos, Israel e Irão, com Washington já diretamente comprometido no teatro operacional. A estratégia de Teerão não é apenas resistir. É alargar.  (Miguel Baumgartner, J Económico

A lógica é fria e calculada. Se o impacto do conflito sair do campo de batalha e entrar nos mercados energéticos, nas rotas marítimas e nas economias europeias, então a pressão política desloca-se. O objetivo deixa de ser apenas militar. Passa a ser económico e psicológico. Transformar um confronto militar concreto numa crise regional com implicações globais. E, sobretudo, redistribuir o custo da guerra.

Quando Trump afirma que a única coisa que o limita é sua própria moralidade, desloca-se o eixo da legitimidade. Já não se trata do direito internacional, das alianças tradicionais ou dos freios constitucionais. O limite passa a residir na consciência individual do líder. A formulação ecoa a antiga doutrina do poder divino dos reis: o governante responde apenas a Deus — ou, na versão contemporânea, à sua própria convicção moral.   (Marcus Vinícius de Freitas, JEconómico)

Essa dimensão ganha contornos ainda mais densos na relação com Israel. A aproximação estratégica entre Washington e Telavive não é apenas geopolítica; ela é também simbólica. Parte significativa do movimento evangélico norte-americano interpreta a centralidade de Israel como elemento escatológico, associado à narrativa dos “fins dos tempos”. Nesse imaginário, apoiar Israel não é apenas política externa — é cumprimento de um desígnio histórico.

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