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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (32)

Thatcher sabia que a liberdade é confusa, barulhenta e muitas vezes perigosa. Mas sabia também que a alternativa – uma ordem tecnocrática limpa, silenciosa e controlada – é a morte da alma de uma nação. O monstro europeu está a cumprir a profecia: em nome da democracia, está a erguer um sistema que se arrisca a ser do mais antidemocrático que o Ocidente já viu.       (Ricardo Simões Ferreira, DN)

A recém-aprovada lei de controlo de acesso às redes sociais por menores, com o que isso implica de intrusão na privacidade de todos os cidadãos – que serão obrigados a utilizar a chave-móvel digital do Governo antes de entrarem no seu Instagram –, é também mais uma peça de um enorme puzzle de retirada da autonomia da família na educação dos seus filhos (num processo de infantilização do indivíduo sintomático de sociedades coletivistas

Os partidos do centro-esquerda portugueses – onde o atual PSD assumidamente se enquadra – embarcam, desta forma, numa tendência europeia que será a derrota final (em muito pouco tempo) do próprio projeto livre europeu. E, consequentemente, da Europa a qual milhares de homens livres morreram a defender nas praias da Normandia.

Quando a "proteção da democracia" se torna uma tarefa administrativa gerida por burocratas, o povo deixa de ser o soberano para passar a ser o objeto de gestão.

Com a introdução planeada do Euro Digital e da Identidade Digital Europeia, ou a proibição das redes sociais a menores (aqui, localmente, mas para gáudio da maioria dos eurocratas) a UE prepara-se para fechar o cerco. Tal como no sistema de Crédito Social chinês, a capacidade de participar na sociedade e na economia ficará dependente de uma infraestrutura gerida por tecnocratas que ninguém elegeu e que ninguém pode demitir. E de pensarmos todos da mesma forma.

Nas Praças

 Nas praças vindouras — talvez as mesmas que as nossas -
Que elixires serão apregoados?
Com rótulos diferentes, os mesmos do Egito dos Faraós;
Com outros processos de os fazer comprar, os que já são nossos.

E as metafísicas perdidas nos cantos dos cafés de toda a parte,
As filosofias solitárias de tanta trapeira de falhado,
As idéias casuais de tanto casual, as intuições de tanto ninguém —
Um dia talvez, em fluido abstrato, e substância implausível,
Formem um Deus, e ocupem o mundo.
Mas a mim, hoje, a mim
Não há sossego de pensar nas propriedades das coisas,
Nos destinos que não desvendo,
Na minha própria metafisica, que tenho porque penso e sinto.

Não há sossego. (...)
O tédio que chega a constituir nossos ossos encharcou-me o ser,
E a memória de qualquer coisa de que me não lembro esfria-me a alma.
Sem dúvida que as ilhas dos mares do sul têm possibilidades para o sonho,
E que os areais dos desertos todos compensam um pouco a imaginação;
Mas no meu coração sem mares nem desertos nem ilhas sinto eu,
Na minha alma vazia estou,
E narro-me prolixamente sem sentido, como se um parvo estivesse com febre.
Fúria fria do destino,
Interseção de tudo,
Confusão das coisas com as suas causas e os seus efeitos,
Conseqüência de ter corpo e alma,
E o som da chuva chega até eu ser, e é escuro.

(Álvaro de Campos)