A tomada de posse do Governo parecia um velório. Os discursos difundiam-se no eco do palácio como uma oração fúnebre. Tal a solenidade funesta que a política fez uma aparição transparente como um espectro do outro mundo. Percebe-se que a sessão serviu para encerrar um período de instabilidade, ao qual se seguiu a longa espera em que o País esteve sem Governo e viveu feliz. Mas tudo tem um limite, mesmo para além das observações de quem cumprimentou quem, se cumprimentou com frieza ou entusiasmo, com prazer ou desdém, desprezo ou ressentimento. A sessão solene teve a solenidade do Estado Novo, o que muito diz do Portugal contemporâneo.
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