O pior cenário, embora ainda distante, não pode ser descartado: uma intervenção terrestre dos EUA no Irão. Um passo que teria consequências imprevisíveis para a segurança internacional e para o próprio papel dos EUA no sistema global, com o espectro de um “momento Suez” a pairar sobre Washington. O instante em que uma superpotência descobre que já não controla plenamente o curso dos acontecimentos e em que a vitória militar não impede a derrota no plano político. (Filipe Alves, DN)
Os Estados Unidos demonstraram, mais uma vez, a sua superioridade militar convencional: destruíram alvos, neutralizaram bases, desmantelaram redes logísticas. Mas continuam incapazes de controlar o terreno político e operacional. O adversário que enfrentam não joga no mesmo tabuleiro. O Irão e os seus aliados dispersos recorrem a uma guerra assimétrica, feita de guerrilha, mísseis de curto alcance, drones autónomos e sistemas de Inteligência Artificial aplicados à recolha de alvos. É uma estratégia que não exige vitórias decisivas, apenas desgaste contínuo. E nada indica que o regime iraniano esteja perto de ruir por dentro, como alguns em Washington anteciparam no início do conflito.
"Segundo a Reuters, as monarquias árabes do Golfo receiam que Trump termine a guerra antes de derrotar de vez o Irão, deixando-as expostas a um regime ainda mais agressivo e seguro da sua resiliência.”

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