Desde logo, impressionou-me a coerência global do conceito. A precedência do objetivo de transformação, face aos de recuperação e resiliência permite considerar que o que está em causa não é simplesmente o retorno à situação anterior, mas a preocupação estratégica de recuperar inovando e transformando, numa perspetiva de superação das debilidades evidenciadas, garantindo a produção do que designa modernamente por resiliência evolutiva.
Por outro lado, também me surpreendeu pela positiva a apresentação do PTRR como um programa de investimento público que pretende ultrapassar a mera acumulação de intenções sectoriais de investimento propondo-se integrar esses investimentos, de curto, médio e longo prazo, no quadro de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento do país, sem esquecer os desafios europeus e a preparação do próximo Quadro Financeiro Plurianual. Conhecendo-se o estigma que existe em relação ao investimento público, esta assunção clara de uma estratégia nacional integrada com a estratégia europeia, é um sinal importante da vontade de mudança de paradigma que só poderá beneficiar a transformação estrutural que se pretende promover.
Todavia, é necessário ir muito mais além na reforma da administração pública.

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