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sábado, 28 de março de 2026

A Frase (57)



Ao reclamar contra a eventual eleição de um juiz do Chega, com os favores do PSD, os socialistas dizem que se rompe o equilíbrio, que se trata quase de um golpe constitucional. Dado o actual panorama, bem vista a composição do Parlamento, não parece insensato que haja uma inclinação à direita. Ora, o PS já denunciou a quebra do equilíbrio instaurado há anos e que repartia os juízes equitativamente entre o PSD e o PS. Não se percebe a noção que os socialistas têm desse equilíbrio. É uma “mão invisível” que ordena a vida política desde há quarenta anos? São “direitos adquiridos” do PS, válidos em qualquer evolução eleitoral? É um “sopro divino” que trata o PS com especial favor?

Como se faz um equilíbrio democrático sem critérios verificáveis? Como se estabelece esse equilíbrio sem os votos dos cidadãos? Quando o PS ou o PSD tiverem 10% dos votos, o equilíbrio mantém-se? Mesmo se outros partidos tiverem 40%? O nascimento deste “equilíbrio” não tem origem em acordo de cavalheiros ou em altruísmo político. Foi um tratado puro e duro, no mútuo interesse, numa altura em que vingava uma espécie de “bipartidarismo”. Este deixou de existir. É patético tentar mantê-lo, quase constitucionalmente, sem os votos soberanos. Aliás, esse equilíbrio invisível foi desrespeitado quando se tratou de derrubar governos minoritários ou quando se criou a “geringonça”.  (António Barreto, Público)


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