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segunda-feira, 23 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Saiba Como Vai Este País

Por incompetência ou intenção, o Governo pratica uma secular técnica da governação política nacional – a melhor forma para resolver os problemas intratáveis é guardá-los na gaveta, introduzir uma pausa técnica e os assuntos que pareciam impossíveis aparecem resolvidos. É a política em modo de pensamento mágico. (...) O que não é politicamente aceitável é que os problemas se eternizem por omissão e falta de acção até atingirem a frescura de um pântano insustentável.

O PS não é imune ao impasse. Suportado pelo moralismo de um fundador da República, o partido exige uma representatividade excessiva relativamente ao seu peso eleitoral, mas nunca estranha às suas prerrogativas democráticas. O foco do privilégio centra-se no Tribunal Constitucional, o coração cansado de um pacto ameaçado pela contabilidade dos votos. 

O Chega não é inocente no suspense da novela. O Chega que despreza a Constituição, o Chega que afirma que quem respeita as decisões do Tribunal Constitucional são “políticos cobardes”, o Chega fundador da 4ª República sonha com a autoridade de uma cadeira no velho Palácio Ratton. Parece que ao Chega sobra peso eleitoral, mas faltam as tais prerrogativas democráticas. O Chega adora cães de pernas para o ar e todos os bichos-do-mato. O Chega é o último moralista da Velha República e o primeiro moralista da Nova República.

O que fica bem visível aos olhos dos portugueses é a natureza eminentemente política do Tribunal Constitucional, espécie de casa das máquinas de uma República com ciclos à esquerda e contraciclos à direita.

O Presidente da República está em silêncio público e em conversações privadas. Os juízes do Tribunal Constitucional não podem ter nomeações vitalícias. Os juízes do Tribunal Constitucional não podem ser escolhidos por sorteio. Logo sobra a circulação interna dos juízes em consonância com o peso relativo das forças políticas dominantes no exercício de um qualquer equilíbrio democrático. Efectivamente, a democracia portuguesa gosta da aparência imponente ou equívoca.

( Tópicos do texto de Carlos Marques de Almeida, ECO)

Nada Lhe Posso Dar Que Já Não Existam Em Você Mesmo


Nada lhe posso dar que já não existam em você mesmo.
Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma.
Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave.
Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo.

(Hermann Hesse)