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sábado, 31 de janeiro de 2026

Nenhuma Das Escolhas Garante O Resultado Pretendido

Já Temos os “católicos por Seguro”, os “maçons por Seguro”, os “médicos por Seguro”, os “não-socialistas por Seguro”, os “sociais-democratas por Seguro”, os “socialistas por Seguro”, os “artistas por Seguro”, os “leninistas por Seguro”, os “liberais por Seguro”, os “ex-presidentes da República por Seguro” e os “ex-candidatos à presidência da República por Seguro”. Aguarda-se a todo o momento o apoio ao candidato por parte dos astrólogos e da Federação Ribatejana de Pelota Basca. 

Tamanho consenso devia ser irritante. No caso, o consenso é sobretudo esquisito, visto que se ergueu num ápice e em volta de alguém tão improvável. Há uns meses, ninguém se lembrava do dr. Seguro. Há uns anos, o dr. Seguro não lembrava a ninguém. Durante três décadas de carreira política, o dr. Seguro, outrora o vagamente popular “Tozé”, foi o típico apparatchik que subiu sem estrondo na hierarquia partidária. Após atingir o topo, viu-se enxotado sem maneiras e decidiu hibernar. Não deixou uma marca, uma ideia, sequer um espaço vazio. A sua ausência notou-se tanto quanto a presença: não se notou. (...)

 Eu, que não rio do dr. Ventura e não o receio (nem venero), julgo que se atribui à personagem propriedades excessivas: são tais os esforços para não o “normalizar” que o pintam com aptidões paranormais. Não alinho em crendices. O dr. Ventura é apenas um político que, às vezes com razão e às vezes sem ela, ameaça a famosa “estabilidade” a ponto de federar os beneficiários desta num curioso pot-pourri. Quem não aprecia excessivamente a “estabilidade” e os seus beneficiários, votará no dr. Ventura. Quem acha que a “estabilidade” nos tem dado sucessivas alegrias, votará no pot-pourri, perdão, no dr. Seguro. E nenhuma das escolhas garante o resultado pretendido.   

( Tópicos do texto de Alberto Gonçalves, OBSR)

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