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quinta-feira, 9 de abril de 2026

A Frase (61)

"A Rússia foi a grande beneficiária desta guerra. Moscovo recebeu um precioso balão de oxigénio com a escala dos preços do petróleo. E viu os EUA atolados num conflito que se poderá tornar uma guerra de atrito.        (Filipe Alves, DN)

O Irão demonstrou uma capacidade de resistência muito superior ao que Washington e Telavive antecipavam. O regime perdeu parte da sua liderança política e militar, eliminada pelos sucessivos ataques de decapitação, mas mostrou estar preparado para esse cenário: a coordenação descentralizada da resistência funcionou, apoiada num vasto arsenal de mísseis e drones de baixo custo. Mais importante ainda, Teerão soube explorar a sua posição geográfica e o controlo efetivo sobre o Estreito de Ormuz, um dos principais choke points energéticos do planeta, por onde passa uma fatia crítica do petróleo e do gás natural do Golfo.

Os Estados Unidos saem enfraquecidos deste conflito, tanto aos olhos dos aliados, como dos adversários. Ficou claro que, apesar da sua superioridade militar, não conseguiram impor a sua vontade ao Irão. E a guerra tornou ainda mais visível a fratura crescente com os aliados europeus e, talvez mais preocupante, a erosão da confiança dos estados árabes do Golfo.

A China também colheu dividendos, procurando posicionar-se como defensora do multilateralismo e do respeito pelo Direito Internacional, embora a sua forte dependência do petróleo do Golfo lhe deixe um sabor agridoce. Não será descabido supor que Pequim tenha pressionado Teerão a aceitar negociar.

O pior cenário para os Estados Unidos seria aquele que acelerasse tendências já em curso, rumo a um mundo multipolar, e diminuísse o peso do dólar como principal moeda de reserva global.  
(Tópicos sobre a Guerra do Irão,  Filipe Alves, DN)

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