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sábado, 21 de março de 2026

MAR


De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exalação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.

(Sophia de Mello Breyner Andresen) 

sexta-feira, 20 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (51)

Donald Trump transformou a política externa americana num exercício de personalização do risco. Entrou para demonstrar força, mas expôs fragilidade. Pretendeu redesenhar a ordem regional, mas acabou a construir um labirinto em que os Estados Unidos da América perdem liberdade de manobra a cada passo.      (Miguel Baumgartner, Visão)

Henry Kissinger escreveu, em Diplomacy, que a tarefa mais difícil de um estadista não é começar uma guerra, mas construir uma paz que não destrua a ordem que pretende salvar. A frase serve como chave para ler o momento presente. Donald Trump entrou no conflito com o Irão como quem imagina que a força, por si só, substitui a estratégia. O problema é que a força pode abrir uma porta, mas não sabe sair do corredor seguinte. E foi precisamente isso que a Casa Branca fez: entrou num labirinto político, militar e económico em que cada nova jogada parece corrigir o erro anterior, agravando o erro seguinte. (ler texto na íntegra) 

O Sentimento Do Outro É Sagrado


"Que Possamos Entender Que o Sentimento do Outro é Sagrado demais para ser invadido, 
para ser Questionado. Nunca sabemos o tamanho da Dor que um Coração está suportando. 
Se não for para Estender a mão, Permaneça em Silêncio." 

(Taci Goes) 

quinta-feira, 19 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (50)

Quando os partidos tratam órgãos de soberania como troca de cromos, é a própria arquitetura de pesos e contrapesos que sofre.        (José Paulo Soares , ECO)

E o impasse continua. PSD, PS e Chega prosseguem sem se entenderem sobre a eleição de dezenas de titulares de órgãos de soberania, entre os quais três juízes do Tribunal Constitucional, cinco membros do Conselho de Estado, o Provedor de Justiça, o Presidente do Conselho Económico e Social ou os membros de diversos Conselhos Superiores. Não achem que fiz uma enumeração extensiva, foi um mero resumo. A dimensão do atraso não se fica por aqui.

A falta de entendimento é, em si, obtusa, até porque as eleições legislativas foram há dez meses. Votamos nos nossos representantes para que se entendam, para que encontrem compromissos, para que cedam e negoceiem. Tudo o que se tem passado, culminando neste quarto adiamento das eleições, é degradante para as instituições. Não tenhamos dúvidas: demonstra a falta de consideração e respeito que os partidos na AR têm manifestado pelos contrapesos constitucionais e, em última instância, pelos eleitores.

Na ótica do PS, ou repõe o ‘seu’ juiz ou todos os órgãos que dependem da AR ficam sem preenchimento. Para além de birrenta, esta posição demonstra o apego que o PS tem ao bom funcionamento das instituições, ou à falta dele.

Para o Partido Socialista, um dos lugares é seu por direito, por inerência, mas tenho uma má notícia. Os lugares decorrem dos votos e dos resultados eleitorais e por mais afeição que tenhamos ao contributo histórico de cada um, no fim, os portugueses são soberanos. A posição do PS demonstra mais preocupação com nomear alguém para o cargo do que com o funcionamento do Constitucional, que está há meio ano com menos dois juízes, tendo um deles terminado o mandato ainda  em 2024. (Continuar a ler aqui) 

Se Me Ponho A Trabalhar

e escrevo ou desenho,
logo me sinto tão atrasado
no que devo à eternidade,
que começo a empurrar pra diante o tempo
e empurro-o, empurro-o à bruta
como empurra um atrasado,
até que cansado me julgo satisfeito;
e o efeito da fadiga
é muito igual à ilusão da satisfação!
Em troca, se vou passear por aí
sou tão inteligente a ver tudo o que não é comigo,
compreendo tão bem o que não me diz respeito,
sinto-me tão chefe do que é fora de mim,
dou conselhos tão bíblicos aos aflitos
de uma aflição que não é minha,
dou-me tão perfeitamente conta do que
se passa fora das minhas muralhas
como sou cego ao ler-me ao espelho,
que, sinceramente não sei qual
seja melhor,
se estar sozinho em casa a dar à manivela do mundo,
se ir por aí a ser o rei invisível de tudo o que não é meu.

(Almada Negreiros)

quarta-feira, 18 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (49)

 O pior cenário, embora ainda distante, não pode ser descartado: uma intervenção terrestre dos EUA no Irão. Um passo que teria consequências imprevisíveis para a segurança internacional e para o próprio papel dos EUA no sistema global, com o espectro de um “momento Suez” a pairar sobre Washington. O instante em que uma superpotência descobre que já não controla plenamente o curso dos acontecimentos e em que a vitória militar não impede a derrota no plano político.    (Filipe Alves, DN)

Os Estados Unidos demonstraram, mais uma vez, a sua superioridade militar convencional: destruíram alvos, neutralizaram bases, desmantelaram redes logísticas. Mas continuam incapazes de controlar o terreno político e operacional. O adversário que enfrentam não joga no mesmo tabuleiro. O Irão e os seus aliados dispersos recorrem a uma guerra assimétrica, feita de guerrilha, mísseis de curto alcance, drones autónomos e sistemas de Inteligência Artificial aplicados à recolha de alvos. É uma estratégia que não exige vitórias decisivas, apenas desgaste contínuo. E nada indica que o regime iraniano esteja perto de ruir por dentro, como alguns em Washington anteciparam no início do conflito.

"Segundo a Reuters, as monarquias árabes do Golfo receiam que Trump termine a guerra antes de derrotar de vez o Irão, deixando-as expostas a um regime ainda mais agressivo e seguro da sua resiliência.”

Tudo isto deveria preocupar-nos. Não apenas pelos efeitos na economia global, em áreas como a energia, o comércio marítimo e as cadeias de abastecimento, mas pelo risco de uma escalada que conduza a um conflito interminável.  (Texto na íntegra) 

Boa Noite !!!!


''Há Muros Que Só a Paciência Derruba ...
E Pontes Que Só o Carinho Constrói!"

(Cora Coralina)

terça-feira, 17 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

A Frase (48)

Em alguns segmentos da política norte-americana, o conflito começa a ser descrito em termos quase civilizacionais ou religiosos, como se representasse uma nova cruzada entre judeus, cristãos e muçulmanos. Quando guerras passam a ser enquadradas como batalhas de fé ou de destino civilizacional, o espaço para diplomacia desaparece. Compromissos tornam-se traições, negociações tornam-se fraqueza e o conflito assume uma dimensão existencial.    

(Marcus Vinícius de Freitas, J Económico)

Em um sistema internacional já marcado pela erosão da confiança e pela fragmentação da ordem global, a combinação entre guerra de escolha, assimetria estratégica e retórica religiosa cria um ambiente particularmente perigoso. Guerras assim raramente produzem estabilidade. Mais frequentemente, inauguram ciclos de instabilidade cujas consequências escapam ao controle daqueles que acreditavam poder moldá-las. Nenhuma aliança justifica fazer parte de tal conflito.

Entre Polos


Há uma luz que incide em nossos corpos,
às vezes vaga, às vezes lume,
às vezes arco que constela de cores
as vias tortuosas de nossa estrada.
Se enfrentei os mastodontes da noite
e minha armadura, ainda assim,
revestiu-se de nada, eu me rendo:
esta luz que oscila entre nossos polos,
ora magra, ora vasta, é ganho, é graça -

desenha-me um azul no glaciar da alma
e me retrata.

(Fernando Campanella)

segunda-feira, 16 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta é A Frase (47)

A esquerda foi o futuro ontem. A esquerda é o passado hoje.       (Carlos Marques de Almeida, ECO)

Sem função política evidente, submersa pelo peso das suas contradições, a esquerda comporta-se como consciência moral de uma sociedade que a recusa e despreza. A esquerda é a inquisição da democracia, o seminário dos idealistas, o evangelho dos sem destino, incapaz de inspirar o país com proposta políticas exuberantes na consistência. A esquerda entra em modo de sobrevivência ao mesmo tempo que discursa em tom de resistência como se vivesse num país sob ocupação. A esquerda esconde-se dos seus próprios erros e o inferno político são os outros.

A política portuguesa está transformada num pequeno teatro em que os políticos que nele representam assumem os papéis de uma comédia de costumes que aos costumes apenas conhecem a grande arte da sobrevivência política.

Senão vejamos. A esquerda residual pretende ganhar tempo para ressuscitar. O PS pretende ganhar tempo para a refundação. O PSD pretende ganhar tempo para as reformas adiadas. O Chega pretende ganhar tempo para que todos os outros percam o tempo político necessário à ascensão da direita populista. A grande conclusão aponta para a imagem de um país bloqueado e o filme de uma nação estagnada enquanto a política acontece à margem dos portugueses. Perante a imobilidade de um país sem o impulso dos heróis, a questão impõe-se como máxima nacional – Qual é a pressa?   (ler aqui o texto na íntegra)

A Tagarelice E A Simplicidade

 A Tagarelice
Quando, neste mundo, um homem tem qualquer coisa para dizer, o mais difícil não é fazer-lho dizer, mas impedi-lo de o dizer vezes de mais.

Pelo contrário: 

A Simplicidade é o que há de mais difícil no mundo: é o último resultado da experiência, a derradeira força do génio.

(Citações de George Bernard Shaw)

domingo, 15 de março de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde