O conceito de ordem internacional encontra-se em profunda mutação. Já não se trata de preservar um equilíbrio herdado, mas de compreender uma recomposição em curso, marcada pela emergência de múltiplos poderes. (Adalberto Campos Fernandes, SOL)
Aquilo que outrora funcionava como referência geoestratégica degradou-se em mera retórica e em declarações que já não vinculam nem orientam. Como sublinhava Kissinger, a estabilidade mundial não emerge de intenções proclamadas, mas de equilíbrios reconhecidos e de uma liderança capaz de os sustentar com continuidade. O que hoje se observa é precisamente o inverso: a erosão da previsibilidade, o desvanecimento dos referenciais e a hesitação onde antes existia direção.
Porque, no fim, a inteligência política mede-se não pela capacidade de vencer batalhas internas, mas pela capacidade de aprender — e evoluir. E é precisamente isso que, hoje, parece faltar ao Partido Socialista.
Inteligente é aquele que aprende com os próprios erros. Mas mais inteligente ainda é aquele que consegue aprender com os erros dos outros, ou, melhor ainda, com os ensinamentos dos mais sábios. Infelizmente, quando olhamos para o comportamento recente do Partido Socialista, parece que nenhuma destas formas de inteligência está presente.
O primeiro exemplo é particularmente elucidativo. O partido entrou num processo interno de divisão quase autofágica, com várias figuras a manifestarem-se e a posicionarem-se para uma candidatura. Em vez disso, prevalece (...)
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