Há momentos em que um país tem de escolher entre reformar por convicção ou esperar até reformar por desespero. Portugal, como sempre, inclina-se para a segunda saída. A reforma laboral falhou ontem na Concertação Social, seguirá para o Parlamento onde o calculismo e a chantagem eleitoral ganharão ainda mais protagonismo. Não é preciso grande clarividência para perceber que a UGT confunde prudência com paralisia e que se deixa usar como instrumento político do PS. A CGTP fez o que costuma fazer: preferiu a pureza da barricada comunista à imperfeição natural do compromisso. Ambos partem de uma ideia tão confortável como pobre: a de que proteger o trabalhador é congelar no tempo o Código do Trabalho.
A vida não funciona assim, mas a inflexibilidade define estes burocratas. Proteger os trabalhadores é – deveria ser – dar-lhes poder negocial, qualificações, mobilidade, salários mais altos e empresas capazes de crescer. Nada disto se consegue com uma lei laboral transformada em trincheira.

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