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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (65)

 Portugal, com o seu espaço atlântico, os seus recursos renováveis e a sua posição geográfica, pode passar de periferia energética a um dos pilares da segurança energética europeia no Atlântico.

Num momento em que a Europa procura reduzir dependências energéticas externas, o espaço atlântico português pode transformar-se num ativo estratégico para a segurança energética do continente. Com a eletrificação da economia, o crescimento da procura energética e o potencial da eólica offshore, Portugal pode desempenhar um papel cada vez mais relevante no novo mapa energético europeu.

Mais do que novos parques eólicos, trata-se de construir uma nova infraestrutura energética no Atlântico. Uma rede offshore interligada poderá ligar centros de produção renovável a diferentes países europeus, reforçando a segurança energética do continente e criando novas rotas de eletricidade limpa.

Além da segurança energética, esta transformação está também alinhada com a agenda de resiliência territorial associada ao PTRR, que procura reforçar a capacidade de resposta do país a fenómenos climáticos extremos.

A transição energética europeia não é apenas uma mudança tecnológica. É também uma redefinição geográfica do sistema energético do continente. Num continente historicamente dependente de energia externa, esta transformação representa uma mudança estrutural na forma como a Europa garante a sua autonomia estratégica, estabiliza os custos da energia e reduz a exposição a choques geopolíticos.

(Tópicos do texto de Tiago Morais, J Económico)

A Nostalgia Da Europa

Na Idade Média, a unidade europeia repousava na religião comum. Nos Tempos Modernos, ela cedeu o lugar à cultura (à criação cultural) que se tornou na realização dos valores supremos pelos quais os Europeus se reconhecem, se definem, se identificam. Ora, hoje, a cultura cede, por sua vez, o lugar.Mas, a quê e a quem? Qual é o domínio onde se realizaram valores supremos susceptíveis de unir a Europa? As conquistas técnicas? O mercado? A política com o ideal de democracia, com o princípio da tolerância? Mas, essa tolerância, que já não protege nenhuma criação rica nem nenhum pensamento forte, não se tornará oca e inútil? Ou então, será que podemos entender a demissão da cultura como uma espécie de libertação à qual nos devemos abandonar com euforia? Não sei. A única coisa que julgo saber é que a cultura já cedeu o seu lugar. Assim, a imagem da identidade europeia afasta-se do passado. Europeu: aquele que tem a nostalgia da Europa.

(Milan Kundera, na "A Arte do Romance")