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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Assim Acontece

 Nas duas ou três últimas décadas falar de estratégia, planeamento e intervenção do Estado na economia foi tratado como heresia económica. Como já aqui escrevemos, o recente PTRR parece assinalar um momento de inflexão em que essas ideias são retomadas, não como desvio, mas como desígnio assumido.

Durante este período, a política económica em Portugal foi moldada por uma visão minimalista da intervenção pública. Pensar o longo prazo, selecionar prioridades de investimento, falar de política industrial ou de redução de vulnerabilidades estruturais era visto como incompatível com uma suposta racionalidade económica.

Ao recuperar uma linguagem de transformação estrutural, de planeamento e ao assumir um horizonte temporal de cerca de uma década, o PTRR reabilita conceitos durante anos afastados do centro do debate económico. Essa mudança discursiva merece ser reconhecida, mas no contexto internacional atual, está longe de ser suficiente.             (António Menfonça, J Económico)

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (90)

A dificuldade económica tanto pode formar pessoas extraordinárias, como pode fabricar indivíduos ressentidos, obcecados pela necessidade de provar constantemente que venceram na vida.    (Liliana Carona, Público)

Nunca sirvas a quem serviu…
De acordo com o portal Ciberdúvidas, o provérbio popular “Não peças a quem pediu, nem sirvas a quem serviu” é enquadrado por José Alves Reis, em Provérbios e Ditos, 1996.

A dificuldade económica tanto pode formar pessoas extraordinárias, como pode fabricar indivíduos ressentidos, obcecados pela necessidade de provar constantemente que venceram na vida e que, por isso mesmo, adquiriram uma espécie de legitimidade moral para olhar os outros de cima para baixo. Há quem nunca saia verdadeiramente do lugar onde se passam dificuldades, apenas trocam de ângulo, alimentando a necessidade permanente de mostrar ao mundo que agora pode escolher o vinho da carta sem olhar aos preços.

Não raras vezes, os ambientes profissionais mais tóxicos nascem precisamente desta insegurança social mal resolvida de quem passou a vida inteira a querer provar que merece estar sentado à mesa dos importantes. E por isso, trabalhar para quem já serviu pode ser uma dor de cabeça, uma espécie de transe em que quem ocupa uma posição hierárquica superior define rotinas, salários e até graus de tolerância humana com base no seu passado, mas nunca no seu presente, tudo isto embrulhado na narrativa conveniente do “eu sou tão boazinha” ou “eu sou tão humilde”. Não são. (...)

Convite

 

Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.

(Lya Luft)