A eficiência económica não é inimiga da justiça social, é a sua condição. Enquanto o Estado continuar a confundir bondade com economia, continuará a falhar nas duas. (João Tovar Salles, ECO)
Portugal é hoje uma exceção europeia. Na maioria das economias avançadas, a proteção no arrendamento é temporária, transparente e pública, compatível com a liberdade contratual e os direitos de propriedade. Aqui, mantivemos um regime onde a propriedade existe formalmente, mas o uso está sequestrado. A compaixão transformou-se numa forma de expropriação disfarçada. Os defensores do sistema afirmam que acabar com o arrendamento vitalício seria “desumano”. Mas o que é verdadeiramente desumano é perpetuar uma ficção jurídica que adia soluções reais. Nenhum mercado funciona com contratos perpétuos, sem ajustamento, sem partilha de risco e sem responsabilidade pública. A economia política mostra que quando o Estado evita decisões difíceis, transfere os custos para grupos difusos e perpetua ineficiências. Não se trata de despejar idosos, mas de devolver racionalidade ao sistema.

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