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sábado, 13 de junho de 2026

Esta É A Frase (110)

Para que o SNS seja sustentável, os cuidados primários não podem funcionar como um mecanismo burocrático entre o utente e o hospital. Têm de ser centros clínicos de excelência, com capacidade real para resolver problemas, acompanhar pessoas, antecipar riscos e coordenar percursos.    (Carlos Santos Moreira, SOL)

Imagine-se uma pessoa idosa com diabetes, insuficiência cardíaca e mobilidade reduzida. Num curto espaço de tempo, passa pelo centro de saúde, pelo hospital, por várias consultas de especialidade e regressa repetidamente às urgências sempre que o seu estado se agrava. Quando tem alta, volta a casa com recomendações pouco claras, múltiplos medicamentos e sem saber exatamente quem contactar se piorar.

Este cenário tornou-se frequente. E nem sempre resulta apenas da falta de recursos. Resulta, muitas vezes, da forma como o sistema está organizado e da dificuldade em assegurar uma resposta contínua, próxima e responsabilizada.

Um centro de saúde de excelência deve ser capaz de acompanhar o doente crónico de forma longitudinal, identificar precocemente sinais de descompensação, rever terapêutica, intervir sobre fatores de risco, apoiar cuidadores, ativar respostas sociais e garantir seguimento após a alta hospitalar. Deve também conseguir distinguir o que pode ser resolvido localmente, o que exige apoio especializado programado e o que deve ser encaminhado [para os hospitais]

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