Nos últimos dois anos, sinto que os acontecimentos me ultrapassam a cada momento. À cascata noticiosa gerada pela Administração Trump acrescem milhares de horas de podcasts, documentários e programas de opinião que, quando consumidos com dois ou três dias de atraso, parecem já reportar sobre temas do século passado. O ciclo noticioso deixou de ser uma vertigem para se tornar um caleidoscópio, a cada instante, uma nova configuração, uma nova urgência, um novo escândalo. (Ricardo Carvalho ECO)
Do lado da ficção, a coisa não melhora. As centenas de episódios por ver de séries aclamadas pela crítica e pelos nossos amigos, e pelos nossos colegas, e pelo algoritmo provocam uma ansiedade surda, quase culpada, por nos atrevermos a dormir sete horas por noite. (...)
Desde 2023, a pandemia, o custo de vida, a discriminação, a geopolítica e a desinformação acumularam pressões que empurraram as sociedades desenvolvidas para uma polarização crescente. Essa polarização aprofundou-se num ressentimento difuso face ao sistema e 2026 é, segundo a Edelman, o ano da insularidade: uma retração para círculos fechados de confiança. O trajeto é claro e assustador: Polarização → Ressentimento → Insularidade.
Os números do estudo confirmam esta tendência com uma clareza desconfortável. (...)
Pesquisar neste blogue
quinta-feira, 4 de junho de 2026
Preconceitos
“Sabe-se muito bem que é dificílimo erradicar preconceitos dos corações
cujos solos nunca foram revolvidos ou fertilizados pela educação:
preconceitos crescem ali firmes como erva daninha entre pedras.”
(Charlotte Brontë)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
