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terça-feira, 28 de abril de 2026

Esta É A Frase (74)

O problema do intelectual de esquerda português nunca foi a falta de informação, nem o desconhecimento histórico, nem a ausência de sinais. Foi a falta de vergonha.   (Nuno Gonçalo Poças, OBSR)

Há um padrão na história da esquerda ocidental, e na portuguesa, em particular, que temo não possuir já qualquer remédio.(...) A esquerda nunca teve grande pejo em rotular, o que, de resto, constitui prova bastante de como a esquerda é a mais humana das correntes políticas. Se lhe agrada o personagem, o rótulo nunca é comedido; se não lhe agrada, “fascista” será quanto baste. É como um carro cujo pisca-pisca só opta pela esquerda ou pela extrema-direita.

Vejamos: Reagan? Fascista. Thatcher? Fascista. Bush pai? Fascista. Bush filho? Fascista. Aznar? Fascista. Chirac? Fascista. Sarkozy? Fascista. Freitas do Amaral? Fascista. Passos Coelho? O maior fascista de todos, segundo o tempo presente. Cavaco Silva? Fascista. Portas? Fascista. De Gaulle? Fascista. Churchill? Fascista. Sá Carneiro? (...)

Ao mesmo tempo, a esquerda nunca deixou de se encantar. Com Che Guevara, com Pol Pot, com Mao, com Enver Hoxha, com Estaline, com Lenine, com Trotsky, com Fidel Castro, com Hugo Chávez, com Nicolás Maduro, com Ho Chi Minh, com Mugabe, com Ceausescu, com Ortega, com Lula. Não deixa, mesmo hoje, de se embebedar de amores pelo islamismo radical.

A lógica é, na verdade, sempre a mesma: uma certa justificação superior que os vulgares, eventualmente fascistas, não compreendem; existe sempre por ali uma causa maior que redime o
meio, uma narrativa que suspende o julgamento.

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