Hoje, quanto mais incisiva e polarizadora for a mensagem, maior será o alcance, mais fortes os ‘soundbites’, mais numerosos os aplausos digitais. O problema central é que a política, que deveria ser o espaço da construção paciente de soluções, tornou-se um palco de impacto imediato. (Adalberto Campos Fernandes, SOL)Vivemos um tempo em que a política parece ter trocado a substância pela performance. O espaço público, nacional e internacional, está cada vez mais dominado por uma competição entre radicalismo, agressividade e dramatização, frequentemente apresentada como ‘coragem política’. A frontalidade transformou-se num espetáculo, a divergência em estratégia e o conflito em moeda de troca para a atenção mediática, enquanto o verdadeiro propósito da política, a resolução coletiva de problemas, é ofuscado.
A aparente ‘coragem’ frequentemente mascara a necessidade de ponderação diante de problemas complexos. A verdadeira coragem exige reflexão e escuta. Num ambiente que vê a moderação como uma fraqueza, poucos assumem esse papel essencial. O resultado é a degradação do debate público. A lógica agora descredibiliza adversários, caricatura posições e amplia as diferenças, criando uma narrativa de ‘nós contra eles’ que simplifica a realidade e empobrece a democracia. A atenção recai no confronto em vez da resolução de problemas, enfraquecendo o diálogo construtivo.

Sem comentários:
Enviar um comentário