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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Esta É A Frase (113)

Se esse acordo vier a ser efectivamente assinado na próxima sexta-feira, como está anunciado, será uma boa notícia para todo o Mundo, porque significa uma verdadeira redução das tensões político-militares naquela região e a criação de condições básicas para que seja reaberta a circulação marítima no Estreito de Ormuz, com consequente liberalização da circulação de produtos que essenciais para o funcionamento de diversos sectores económicos à escala global, e designadamente de petróleo e produtos refinados, de gás natural e de fertilizantes. Regressaremos, por isso, a um quadro de alguma normalidade, com algumas variações relativas à situação vigente em finais de 2025. A questão mais interessante será perceber o que verdadeiramente terá mudado, e o que ficará próximo do cenário anterior.

O acordo anunciado continua a alimentar dúvidas relativamente à sua solidez e sustentabilidade a longo prazo. Em primeiro lugar, parece-me visível que a administração americana estava muito pressionada pela deterioração das sondagens relativas às próximas eleições para o Congresso, e por razões legais domésticas não podia continuar a lançar ameaças de acção militar (e por isso as sucessivas prorrogações do cessar-fogo unilateralmente declarado, mesmo perante a falta de avanço nas negociações), e por isso aceitou o que conseguiu, não o que queria. E aceitou incluir o Líbano entre os territórios onde o cessar-fogo será aplicado, o que de modo algum pode satisfazer o governo de Israel, o que aumenta a incerteza

O acordo é frágil, mas mesmo assim é bem vindo. Queira Deus que consiga manter-se por muito tempo não significa isolamento tecnológico. Significa capacidade de decisão autónoma, resiliência face a dependências externas, e um modelo de governação que sirva os interesses nacionais e europeus. (Rui Mayer, J Económico)

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