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domingo, 14 de junho de 2026

Da Lâmpada Nocturna

 

Da lâmpada nocturna
A chama estremece
E o quarto alto ondeia.

Os deuses concedem
Aos seus calmos crentes
Que nunca lhes trema
A chama da vida

Perturbando o aspecto
Do que está em roda,
Mas firme e esguiada
Como preciosa
E antiga pedra,
Guarde a sua calma
Beleza contínua.

(Ricardo Reis)

NotaO poema utiliza a imagem serena de uma chama de candeeiro para metaforizar a estabilidade, a aceitação do destino e a moderação face às incertezas da vida.

A Metáfora da Chama: A chama da lâmpada, que "estremece" mas não se apaga, representa a vida e o estado de espírito ideal para o ser humano.

A Serenidade Clássica: O autor evoca os deuses para pedir que a "chama da vida" permaneça firme e vertical, tal como uma "antiga pedra". Evidencia-se aqui o estoicismo característico da poesia de Reis, que procura a harmonia e a calma através da razão.

Contentamento com o Destino: O poema expressa o desejo de viver com equilíbrio e de evitar perturbações ("nunca lhes trema... perturbando o aspecto"