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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (112)

Todo e qualquer português que se preze pretende apenas extrair o máximo do Estado e devolver o mínimo à nação. Os portugueses não querem oportunidades. Os portugueses querem a oportunidade de um subsídio. Quando um português não procura um subsídio, tal significa que estamos na presença de um cidadão corrupto. A pobreza da nação tem uma causa que oscila entre o subsídio e a corrupção.

Nesta visão política do país fica bem presente o ressentimento histórico e a demolidora ideia de uma profunda inferioridade. Para garantir a modernidade e o progresso, o país tem apenas de erradicar toda a corrupção e toda a fraude nos sistemas de assistência social. O que é fantástico é a ideia política de um país pobre que apenas sabe roubar os mais pobres. O que é ainda mais fantástico é a ideia de que um país rico só pode existir quando todos os corruptos estiverem na prisão. Com pobres à solta e corruptos em liberdade não existe prosperidade nacional. Esta não é uma ideia de país porque é o modelo de uma colónia penal.    (Carlos Marques de Almeida, ECO)    

Variações Sobre O Jogador Do Pião


Faz rodar o pião redondo tudo em volta
Atira a primavera e recupera o verão
Terras e tempos, tudo assume esse pião
que rodopia e rouba o chão à folha solta

Rasga o espaço num gesto ríspido de vida
reergue o braço a prumo, arrisca - nessa roda
possível da maçã ao muro - a infância toda
Tudo é redondo e torna ao ponto de partida

O sol a sombra a cal os pássaros os pés
o adro a pedra o frio os plátanos... Quem és?
Voltas? rodas? regressas? rodopias? - Nada

Mão do breve pião, levanta ao céu a enxada:
que a vida arrebatada aos demais olhos seja
ao comprido coberta pelo chão da igreja

(Ruy Belo)

O tema do pião serve como uma reflexão poética e filosófica sobre a passagem do tempo, a memória, a infância e o efémero da vida humana. 

O Movimento do Pião: O movimento circular e rotativo do pião simboliza a dinâmica da própria existência: o rodar constante que suspende o tempo e, simultaneamente, cria a ilusão de um eterno regresso. 

A Estrutura Musical: Ruy Belo, um confesso admirador da música, compõe os poemas com uma forte cadência rítmica. A repetição e a variação operam como um "jogo de linguagem" que imita técnicas de composição musical, desafiando o leitor através de reflexões sobre a morte e a eternidade. 

A Nostalgia e a Infância: O poema usa o pião para resgatar imagens do passado e da infância, tentando encontrar ordem no caos das coisas do mundo. 

Um dos excertos mais conhecidos que ilustra esta dinâmica poética reflete exatamente a metáfora de como tudo gira em torno deste eixo.