Há, nos nossos tempos, uma nova figura de estilo que floresce nos salões mediáticos e nas cátedras improvisadas dos comentadores de serviço: a “sensação de insegurança”. Não é a insegurança, note-se, essa vulgar e plebeia realidade feita de assaltos, desacatos e inquietações nocturnas; mas a sua versão higienizada, quase estética, como se o medo tivesse passado a ser uma questão de gosto, um capricho emocional das massas. (João Nuno Patrício, OBSR)
O problema, asseguram-nos, não reside no que acontece, mas naquilo que julgamos que acontece. A realidade tornou-se, assim, um detalhe secundário; o essencial é a pedagogia da percepção. Há, no fundo, uma missão civilizadora em curso: ensinar o cidadão a não sentir o que sente.
Entretanto, o país mudou. Mudou depressa, talvez depressa demais para o conforto de quem aprecia transformações lentas.
Alguns estudos mostram que mudanças rápidas na composição social podem reduzir a confiança e aumentar tensões locais. Todas as sociedades possuem um certo ritmo de absorção social e institucional; quando esse ritmo é violentamente ultrapassado, surgem tensões menos morais do que estruturais.
O discurso oficial deixa então transparecer a sua fragilidade. Ao negar a ligação entre transformação social e insegurança.
Talvez fosse mais prudente admitir o óbvio, ou seja, que a percepção não nasce no vazio, que mudanças rápidas geram tensões, e que a segurança é um equilíbrio delicado entre factos e confiança. Mas isso exigiria uma virtude rara: a de olhar para a realidade sem filtros ideológicos e sem paternalismo. (texto na íntegra)
Mas isso, evidentemente, será apenas imaginação. No fundo, o debate tornou-se quase semântico: quando certos sectores dizem “é apenas percepção”, esquecem-se de que a percepção social nasce frequentemente da observação empírica do quotidiano. O cidadão não lê o RASI antes de decidir se evita uma rua à noite. Ele reage ao ambiente, aos episódios que presencia, às mudanças do espaço urbano e à quebra de confiança colectiva
O problema, asseguram-nos, não reside no que acontece, mas naquilo que julgamos que acontece. A realidade tornou-se, assim, um detalhe secundário; o essencial é a pedagogia da percepção. Há, no fundo, uma missão civilizadora em curso: ensinar o cidadão a não sentir o que sente.Entretanto, o país mudou. Mudou depressa, talvez depressa demais para o conforto de quem aprecia transformações lentas. Em poucos anos, Portugal passou a acolher mais de um milhão e meio de cidadãos estrangeiros, número que, se não impressiona os espíritos cosmopolitas, pelo menos altera a paisagem humana das ruas, dos transportes, dos bairrosO problema, asseguram-nos, não reside no que acontece, mas naquilo que julgamos que acontece. A realidade tornou-se, assim, um detalhe secundário; o essencial é a pedagogia da percepção. Há, no fundo, uma missão civilizadora em curso: ensinar o cidadão a não sentir o que sente.Entretanto, o país mudou. Mudou depressa, talvez depressa demais para o conforto de quem aprecia transformações lentas. Em poucos anos, Portugal passou a acolher mais de um milhão e meio de cidadãos estrangeiros, número que, se não impressiona os espíritos cosmopolitas, pelo menos altera a paisagem humana das ruas, dos transportes, dos bairros.

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