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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Esta É A Frase (114)

A reflexão da ex-ministra oferece mais do que uma justificação honesta, por isso rara, para o seu fracasso no cargo. É uma análise sobre a exigência inerente a estes cargos públicos expostos, muitas vezes ignorada pela maioria – incluindo quem faz as nomeações e as aceita.       (Bruno Faria Lopes, J Negócios)

Tivemos há dias um momento raro na política portuguesa. Maria Lúcia Amaral, que se demitiu de Ministra da Administração Interna depois das tempestades de fevereiro, falou com honestidade sobre a sua saída. Não é a admissão de que não tinha “autoridade” para continuar que merece mais atenção. Essa é a constatação de uma evidência, apesar de não ser comum admiti-lo nestes termos – fugindo à tentação de culpar terceiros – e de o próprio primeiro-ministro lhe ter pedido, por razões táticas, que continuasse mais uns tempos no lugar. O interesse das afirmações está mais nas razões invocadas para a perda da autoridade – e nas diferenças, aprendidas a custo, entre pensar a política pública e governar. 

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