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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (114)

A reflexão da ex-ministra oferece mais do que uma justificação honesta, por isso rara, para o seu fracasso no cargo. É uma análise sobre a exigência inerente a estes cargos públicos expostos, muitas vezes ignorada pela maioria – incluindo quem faz as nomeações e as aceita.       (Bruno Faria Lopes, J Negócios)

Tivemos há dias um momento raro na política portuguesa. Maria Lúcia Amaral, que se demitiu de Ministra da Administração Interna depois das tempestades de fevereiro, falou com honestidade sobre a sua saída. Não é a admissão de que não tinha “autoridade” para continuar que merece mais atenção. Essa é a constatação de uma evidência, apesar de não ser comum admiti-lo nestes termos – fugindo à tentação de culpar terceiros – e de o próprio primeiro-ministro lhe ter pedido, por razões táticas, que continuasse mais uns tempos no lugar. O interesse das afirmações está mais nas razões invocadas para a perda da autoridade – e nas diferenças, aprendidas a custo, entre pensar a política pública e governar. 

Momento


Enquanto eu fiquei alegre,
permaneceram um bule azul com um descascado no bico,
uma garrafa de pimenta pelo meio,
um latido e um céu limpidíssimo
com recém-feitas estrelas.
Resistiram nos seu lugares, em seus ofícios,
constituindo o mundo pra mim, anteparo
para o que foi um acometimento:
súbito é bom ter um corpo pra rir
e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo
alegre do que triste. Melhor é ser.

(Adélia Prado)

O poema acima trata da transitoriedade do tempo, do correr da vida e de como se deve escolher leva-la.

Para ilustrar as várias fases da existência, o eu-lírico faz uso de imagens simbólicas como o bule azul descascado e a garrafa de pimenta pelo meio. As duas imagens sublinham o processo de desgaste e uso inerente à vida.

Alinhado com os objetos estão signos aleatórios como o latido de um cão e um céu limpo, itens que ocupam espaço no nosso cotidiano repetitivo.

Após essa justaposição de matérias e afetos, o eu-lírico conclui o poema de uma maneira positiva e com um tom otimista, destacando o corpo que ri e a alegria que vence a tristeza.