A hiper conectividade, o stress crónico e a falta de momentos sem nada que fazer estão a ter efeitos devastadores numa sociedade que continua a ignorar a necessidade de deixar o cérebro repousar.
Os dados da OCDE nos mostram que, entre 1990 e 2023, as doenças cardiovasculares, que têm no stress crónico um fator de risco, aumentaram 27%. Números que deviam fazer soar vários alarmes, e que podem ser complementados com outros. A diabetes aumentou 86% no mesmo período, sendo que a multimorbilidade - ou seja, a existência de duas ou mais doenças crónicas numa pessoa-subiu 10 pontos percentuais entre 2017 e 2025.
As doenças cardiovasculares, que têm no stress crónico um fator de risco, aumentaram 27%. Números que deviam fazer soar vários alarmes, e que podem ser complementados com outros. A diabetes aumentou 86% no mesmo período, sendo que a multimorbilidade - ou seja, a existência de duas ou mais doenças crónicas numa pessoa-subiu 10 pontos percentuais entre 2017 e 2025.
Mas não é só entre os adultos, ou em pessoas com algum tipo de doença, que esta ausência de momentos de tédio deve ser tida em atenção. A forma como vivemos hoje está a ter efeitos extremamente perniciosos na saúde das nossas crianças e adolescentes-e, inevitavelmente, vai condicionar a sua vida adulta.
O tédio, que atualmente está fora de moda - (...) é na verdade um estado mental absolutamente essencial para o funcionamento saudável do cérebro. É ele que ativa a chamada Rede de Modo Padrão (ou DMN, na sigla em inglês, de Default Mode Network), que é um conjunto de regiões cerebrais que inclui o córtex pré-frontal medial, o córtex cingulado posterior e o giro angular.
Esta DMN torna-se tão mais ativa quanto menos ativos estiverem os estímulos exteriores. E sabe o que acontece quando ela "acorda"? Aumenta a nossa memória autobiográfica, a simulação de cenários futuros, a autorreflexão e criatividade. É ela que permite que tenhamos ideias, seja através de associações inesperadas ou de soluções espontâneas (...) quanto mais ativa a DMN, maior a nossa criatividade. Pense no tédio como uma espécie de tela em branco onde a imaginação floresce, bem como a conexão consigo e o seu estado de espírito. (Tópicos do texto de Margarida Vaqueiro Lopes, DN)

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