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segunda-feira, 22 de junho de 2026
Notícias Ao Fim Da Tarde
Saiba Como Vai Este País
Portugal necessita de reformas a dois níveis. Ao nível da sua arquitetura institucional, máxime do sistema político, e ao nível das políticas setoriais (justiça, habitação, saúde, …). Qualquer governo minoritário (neste caso do PSD), sem acordos partidários escritos, sustentados em confiança mútua dos signatários, que lhe forneçam a maioria muito dificilmente fará alguma reforma. Temos e teremos nos próximos tempos apenas um governo de gestão. A dúvida para 2027 é se vai gerir com base num novo orçamento ou com os duodécimos do orçamento de 2026.
Os episódios em torno da lei laboral em que no último ano o Chega passou de apoio inicial à proposta do governo, para a rejeição em período de campanha eleitoral para as presidenciais, para um acordo com AD na quinta-feira passada ao final do dia, para à última da hora votar contra, confirma o carácter errático do Chega/Ventura.
Os episódios em torno da lei laboral em que no último ano o Chega passou de apoio inicial à proposta do governo, para a rejeição em período de campanha eleitoral para as presidenciais, para um acordo com AD na quinta-feira passada ao final do dia, para à última da hora votar contra, confirma o carácter errático do Chega/Ventura.
Claro que é muito simpático baixar a idade da reforma para quem está à beira de se reformar. Para os jovens, e os que ainda não nasceram é um desastre (mas estes últimos não votam e por isso são politicamente irrelevantes).
Face a este Chega errático, a um PS que taticamente não parece entusiasmado com cedências ao PSD e à impossibilidade de criar maioria com a Iniciativa Liberal, o PSD, incapaz de governar, parece condenado a uma erosão crescente. Neste contexto, haverá ainda quem no PSD acredite na palavra do Chega em matéria orçamental ou de revisão constitucional?
Das reformas urgentes aquela em que me parece existir mais espaço para consenso quanto aos objetivos, certamente não era a reforma laboral, mas antes a de atacar a morosidade da justiça, que, por isso mesmo, deixa de ser justiça. Até porque é uma obrigação moral do PS esse acordo que no passado foi desejado por Rui Rio e impedido por António Costa.
Mas para que o PS se possa constituir como alternativa credível é necessário requalificar e renovar o partido, algo que necessita de algumas iniciativas legislativas (no sistema eleitoral e no financiamento partidário entre outros determinantes da arquitetura politica institucional). Uma coisa é não desejar um bloco central, algo quase unânime nos atores políticos e que também subscrevo. Outra é considerar que, no pântano em que nos movemos, não é possível nenhuma reforma o que, a verificar-se, só poderá levar, a prazo, à erosão do próprio regime democrático. (Paulo Trigo Vieira, OBSR)
Face a este Chega errático, a um PS que taticamente não parece entusiasmado com cedências ao PSD e à impossibilidade de criar maioria com a Iniciativa Liberal, o PSD, incapaz de governar, parece condenado a uma erosão crescente. Neste contexto, haverá ainda quem no PSD acredite na palavra do Chega em matéria orçamental ou de revisão constitucional?
Das reformas urgentes aquela em que me parece existir mais espaço para consenso quanto aos objetivos, certamente não era a reforma laboral, mas antes a de atacar a morosidade da justiça, que, por isso mesmo, deixa de ser justiça. Até porque é uma obrigação moral do PS esse acordo que no passado foi desejado por Rui Rio e impedido por António Costa.
Mas para que o PS se possa constituir como alternativa credível é necessário requalificar e renovar o partido, algo que necessita de algumas iniciativas legislativas (no sistema eleitoral e no financiamento partidário entre outros determinantes da arquitetura politica institucional). Uma coisa é não desejar um bloco central, algo quase unânime nos atores políticos e que também subscrevo. Outra é considerar que, no pântano em que nos movemos, não é possível nenhuma reforma o que, a verificar-se, só poderá levar, a prazo, à erosão do próprio regime democrático. (Paulo Trigo Vieira, OBSR)
Esta É A Frase (115)
A nova batalha industrial europeia já começou. E a grande ironia deste momento é que uma parte importante da reindustrialização europeia poderá acabar por chegar… vinda da própria China.
Porque a verdade é que a transição energética e tecnológica colocou a Europa perante um enorme paradoxo industrial. A União Europeia quer liderar a descarbonização, acelerar a eletrificação automóvel, reduzir dependências estratégicas e preservar competitividade industrial. O problema é que grande parte da cadeia de valor associada a essa transformação é hoje dominada precisamente pela China
O risco, naturalmente, é evidente. A Europa pode estar a trocar antigas dependências energéticas por novas dependências industriais e tecnológicas.
Mas existe também outro risco, talvez ainda mais imediato: o de a Europa perder competitividade por excesso de lentidão, burocracia ou incapacidade de adaptação à nova realidade global
A nova batalha industrial europeia já começou. E a grande ironia deste momento é que uma parte importante da reindustrialização europeia poderá acabar por chegar… vinda da própria China.
Porque a verdade é que a transição energética e tecnológica colocou a Europa perante um enorme paradoxo industrial. A União Europeia quer liderar a descarbonização, acelerar a eletrificação automóvel, reduzir dependências estratégicas e preservar competitividade industrial. O problema é que grande parte da cadeia de valor associada a essa transformação é hoje dominada precisamente pela China
Mas existe também outro risco, talvez ainda mais imediato: o de a Europa perder competitividade por excesso de lentidão, burocracia ou incapacidade de adaptação à nova realidade global
A nova batalha industrial europeia já começou. E a grande ironia deste momento é que uma parte importante da reindustrialização europeia poderá acabar por chegar… vinda da própria China.
(Roberto Gaspar, J Económico)
Um Poema
Não tenhas medo, ouve: É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar,
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
(Miguel Torga)
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