Num país normal, a reforma da lei laboral teria naturalmente levado estes líderes empresariais a aparecer para defender ou criticar a iniciativa do Governo – ou uma mistura das duas.
Os líderes empresariais andam escondidos. Ocultam o que pensam, parecem não existir sequer nos assuntos que dizem respeito às suas empresas e negócios. Por vezes, nem na apresentação de resultados anuais dão a cara: publicam um comunicado anódino e imprestável, cinzento e redondo, copy paste do texto do ano anterior, com ligeiríssimas e burocráticas alterações.
Os atores desertaram, demitiram-se desta obrigação social e política. Profundidade de análise, originada pelos protagonistas e sustentada por exemplos que falam por si, isso há muito que deixou de haver. Alguém imagina esta pobreza com Belmiro de Azevedo e Alexandre Soares dos Santos ou o gestor Fernando Ulrich? Sem este contributo – legitimamente interessado – fica tudo mais difícil de fazer e mudar no país. Ganha o statu quo. Os novos líderes são frágeis (por escolha própria) e as suas empresas também o são. Não existem para além de Excel. Um dia vão perceber como se tornaram demasido vulneráveis – eles e os seus negócios.
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