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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Notícias Ao Fim Da Tarde

Esta É A Frase (124)

Num país normal, a reforma da lei laboral teria naturalmente levado estes líderes empresariais a aparecer para defender ou criticar a iniciativa do Governo – ou uma mistura das duas. 

 (André Macedo, J Económico)

Os líderes empresariais andam escondidos. Ocultam o que pensam, parecem não existir sequer nos assuntos que dizem respeito às suas empresas e negócios. Por vezes, nem na apresentação de resultados anuais dão a cara: publicam um comunicado anódino e imprestável, cinzento e redondo, copy paste do texto do ano anterior, com ligeiríssimas e burocráticas alterações. 

Os atores desertaram, demitiram-se desta obrigação social e política. Profundidade de análise, originada pelos protagonistas e sustentada por exemplos que falam por si, isso há muito que deixou de haver. Alguém imagina esta pobreza com Belmiro de Azevedo e Alexandre Soares dos Santos ou o gestor Fernando Ulrich? Sem este contributo – legitimamente interessado – fica tudo mais difícil de fazer e mudar no país. Ganha o statu quo. Os novos líderes são frágeis (por escolha própria) e as suas empresas também o são. Não existem para além de Excel. Um dia vão perceber como se tornaram demasido vulneráveis – eles e os seus negócios.

O Artista


“O artista como artista sente menos do que os outros homens porque produz ao mesmo tempo que sente, e nesse caso há uma dualidade de espírito incompatível com o estar entregue a um sentimento.”

(Fernando Pessoa)

Nota: Nos seus ensaios sobre estética reunidos no Arquivo Pessoa, ele reflete profundamente sobre o papel do criador:
Fingimento poético: O artista intelectualiza a dor. Ele finge a dor que deveras sente.
Dualidade de espírito: Sentir e produzir ao mesmo tempo impede a entrega total ao sentimento.
Pensar o sentimento: Pessoa afirmava que sentia com o pensamento e que pensar era a sua forma de viver