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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Reticências ...

"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho. "  (Mário Quintana)

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Notícias Soltas

*Autor do ataque de Barcelona abatido 

*Erro obrigou ao isolamento da área internacional do aeroporto de Lisboa

*Imã e cérebro do atentado de Barcelona terá morrido numa explosão na véspera

*Como ver o eclipse do sol desta segunda-feira (e o que vamos ver)

*Marinha dos EUA ordena investigação à Frota do Pacífico após colisões

*Escola investigada por passar alunos com negativa

*Homem de origem portuguesa abatido a tiro pela polícia francesa

*Défice externo quase duplica no primeiro semestre


Esta É A Frase

"Basta, senhor Presidente da República. Basta, senhor primeiro-ministro e restantes membros do Governo. Basta, senhores deputados, oficiais e praças das Forças Armadas e policiais, juízes e outros responsáveis pela Justiça, autarcas de Portugal inteiro, bispos e padres e responsáveis de outras religiões, todos os cidadãos deste País. Basta, de vez, com tantos fogos a queimar a nossa Nação".


Bispo Anacleto Oliveira, CM  

E, D. Anacleto Oliveira diz mais:"É urgente a mobilização de todas as pessoas, sem exceção, e a começar pelos seus maiores responsáveis: O senhor Presidente da República que, além da posição única que ocupa, tem um jeito peculiar e um prestígio suficientemente reconhecido, até para liderar a mobilização de toda a Nação nesta causa nacional. Faça-o, senhor Presidente. Por favor." O apelo, perante milhares de pessoas após a missa em honra de Nossa Senhora da Agonia, foi feito ontem pelo bispo de Viana do Castelo. D. Anacleto Oliveira disse que esta é uma "causa nacional" que deve envolver "todos os governantes, nacionais e locais, com os meios que só eles podem administrar". "Usem-nos bem, como servidores, não de si próprios, mas do País. Por favor", desafiou. "Nada há de mais poderoso e eficaz que um povo inteiro unido pela mesma causa", frisou, defendendo que "chegou a hora do País gritar bem alto: basta de fogos florestais".(continuar a ler)

Que Tempo É O Nosso ?

Que tempo é o nosso? Há quem diga que é um tempo a que falta amor. 

Convenhamos que é, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido em mercadoria. 

A obsessão do lucro foi transformando o homem num objecto com preço marcado. Estrangeiro a si próprio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem à tona é o mais abominável dos simulacros. 

Toda a arte moderna nos dá conta dessa catástrofe: o desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa denúncia; a sua dignidade, em não pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar máscaras e máscaras. 
E poderia ser de outro modo? Num tempo em que todo o pensamento dogmático é mais do que suspeito, em que todas as morais se esbarrondam por alheias à «sabedoria» do corpo, em que o privilégio de uns poucos é utilizado implacavelmente para transformar o indivíduo em «cadáver adiado que procria», como poderia a arte deixar de reflectir uma tal situação, se cada palavra, cada ritmo, cada cor, onde espírito e sangue ardem no mesmo fogo, estão arraigados no próprio cerne da vida? 
Desamparado até à medula, afogado nas águas difíceis da sua contradição, morrendo à míngua de autenticidade - eis o homem! 

Eis a triste, mutilada face humana, mais nostálgica de qualquer doutrina teológica que preocupada com uma problemática moral, que não sabe como fundar e instituir, pois nenhuma fará autoridade se não tiver em conta a totalidade do ser; nenhuma, em que espírito e vida sejam concebidos como irreconciliáveis; nenhuma, enquanto reduzir o homem a um fragmento do homem.  

Eugénio de Andrade

domingo, 20 de agosto de 2017

Notícias Soltas

São Tempos De Falhanço Do Estado

O Estado português é gordo, mas é fraco. É pesado, mas não é firme. É um Estado fraco que torna vulnerável o seu povo. Entre incêndios, assaltos e acidentes, o Estado falhou. Nas previsões e na prevenção. Na prontidão do socorro e na rapidez da ajuda. Na humildade com que se devem tratar as vítimas, na coragem com que se reconhecem culpas, na seriedade com que se estudam as causas, no rigor com que se apuram as responsabilidades, na eficiência com que se distribuem auxílios e na honestidade com que se deveriam repartir ajudas solidárias.

São tempos de falhanço do Estado. Do Estado central e local. Do Estado-político e administrativo. Do Estado civil e militar. Pelas vítimas, os acidentes de Pedrógão foram os mais dolorosos, mas não pela extensão e pela intensidade. Os fogos insistem. A prevenção continua a falhar. As comunicações permanecem erráticas e em regime de avaria. A coordenação é deficiente, foi-o desde o primeiro dia, melhorou aqui e ali por força das circunstâncias, está longe, muito longe, de ser satisfatória. Ou sequer de dar um pouco de segurança.

António Barreto, 'O Estado frágil' DN

Às Vezes Medito

Às vezes medito,
Às vezes medito, e medito mais fundo, e ainda mais fundo
E todo o mistério das coisas aparece-me como um óleo à superfície,
E todo o universo é um mar de caras de olhos fechados para mim.
Cada coisa — um candeeiro de esquina, uma pedra, uma árvore,
E um olhar que me fita de um abismo incompreensível,
E desfilam no meu coração os deuses todos, e as ideias dos deuses.
Ah, haver coisas!
Ah, haver seres!
Ah, haver maneira de haver seres
De haver haver,
De haver como haver haver,
De haver...
Ah, o existir o fenómeno abstracto — existir,
Haver consciência e realidade,
O que quer que isto seja...
Como posso eu exprimir o horror que tudo isto me causa?
Como posso eu dizer como é isto para se sentir?
Qual é alma de haver ser?
Ah, o pavoroso mistério de existir a mais pequena coisa
Porque é o pavoroso mistério de haver qualquer coisa
Porque é o pavoroso mistério de haver...
29-4-1928
Álvaro de Campos

sábado, 19 de agosto de 2017

Notícias Soltas (act.)

*Voluntário recusado pelos bombeiros ajuda a salvar do fogo casas em Mação

Assim Acontece ...

O combate ao terrorismo está a falhar na Europa. As políticas de segurança não estão a ser  eficazes. Tem sido tragicamente fácil para os terroristas transformar as grandes artérias das nossas cidades em autênticos campos de morte. É urgente reforçar a segurança sem diminuir o privilégio de desfrutar do espaço público. Também os serviços de inteligência estão a falhar. O aviso para um possível atentado em Agosto, na cidade de Barcelona, de nada serviu. Finalmente, a ordem jurídica europeia tem-se revelado demasiado permissiva perante os indícios de terrorismo, e perante o terrorismo ele próprio. Infelizmente, nada indica que isto vá mudar.

Carlos Rodrigues, CM

Dor

Quando as dores são iguais, sentem-se todas; quando uma é maior, suspende as outras.
P. António Vieira